CPI da Covid-19 é adiada, mas bastidores fervilham

A­ instalação da CPI da Covid-19 no Senado Federal pode ficar para a próxima semana. Inicialmente a sessão de instalação da comissão estava marcada para a próxima quinta-feira, 22, mas um suposto desacordo na definição dos nomes para ocupar o cargo de relator da comissão, estaria prejudicando a finalização da distribuição de funções.

Após perder a chance de impedir o nascimento da CPI, o Planalto mudou de foco e passou a tentar emplacar aliados no grupo, numa tentativa de trazer menos desgaste ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Para a presidência, o consenso entre oposição e Planalto foi o do senador Omar Aziz (PSD – AM), mas para a relatoria, o nome do senador Renan Calheiros (MDB – AL), não agradou. Isso porque o nome do alagoano, recém aproximado do ex-presidente Lula, não é visto com bons olhos pelos aliados do presidente Bolsonaro.

Com a iminência da instalação da CPI da Covid, senadores governistas se preparam para mirar as investigações na destinação dada a recursos federais repassados a estados e municípios e, de imediato, ao mesmo tempo que fazem campanha virtual contra o senador Renan Calheiros (MDB-AL) para tentar barrá-lo na relatoria da comissão.

Já os críticos do governo, que são maioria na CPI (7 dos 11 integrantes são independentes ou oposição declarada), trabalham para para convocar três ex-ministros e buscar por material do MPF (Ministério Público Federal) e do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre a atuação do governo no combate à pandemia. A cúpula da CPI da Covid também quer traçar uma linha do tempo e iniciar os trabalhos esquadrinhando as razões que levaram à queda dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.

Outro objetivo é entender, por exemplo, se houve e como se deu a pressão do presidente Jair Bolsonaro para que o governo defendesse, no tratamento contra a Covid-19, o uso da hidroxicloroquina –medicamento sem eficácia comprovada contra a doença. A estratégia tem sido discutida pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), indicado como presidente da comissão, com Renan Calheiros (MDB-AL), que deve ser o relator.

O senador Eduardo Girão (Podemos – CE) se declara independente, mas atua com outros três senadores na defesa de Bolsonaro. Apesar de integrar um grupo minoritário, diz estar trabalhando para viabilizar sua candidatura à presidência da CPI, enfrentando o senador Omar Aziz (PSD-AM), que tende a ficar com o posto. O senador disse que a ideia é focar em 20 estados em que ocorreram operações da PF.

A proposta dos parlamentares críticos ao governo é mapear, ainda no início, as ações do Executivo na aquisição de remédios para tratamento precoce, como a hidroxicloroquina. As prioridades deles devem ser as convocações do general Eduardo Pazuello – que deve ganhar um cargo no Palácio para que não se afaste de Bolsonaro – e que era responsável pelo Ministério da Saúde; Ernesto Araújo, que chefiava Relações Exteriores, e Fernando Azevedo, que comandou a Defesa. A convocação do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga também é cogitado. A compra de vacinas também está na mira desse começo de trabalho da comissão.

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