Veja repercussão do discurso de Bolsonaro na Cúpula do Clima

Bolsonaro prometeu duplicar os recursos para a fiscalização ambiental

O discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Cúpula de Líderes sobre o Clima convocada pelo presidente americano, Joe Biden, nesta quinta-feira (22) provocou as esperadas reações polarizadas -seus apoiadores elogiaram a fala, e críticos do governo usaram adjetivos como “vergonhoso” e “incoerente”-, mas houve também quem celebrasse a mudança de tom do governo.

Bolsonaro prometeu duplicar os recursos para a fiscalização ambiental, procurou destacar o Brasil na “vanguarda do enfrentamento do aquecimento global” e fez um apelo por contribuições internacionais, na linha do que vem defendendo o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente).

Para a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, no entanto, o Brasil ainda “mira no retrovisor” enquanto outros países apresentam metas ousadas. “Foi vergonhoso o presidente passar quase metade de sua fala pedindo ao mundo dinheiro por conquistas ambientais anteriores, que seu governo tenta há dois anos destruir”, escreveu em suas redes sociais.

O Observatório do Clima disse que o Brasil saiu da cúpula “desacreditado”. “Bolsonaro passou metade de sua fala pedindo ao mundo dinheiro por conquistas ambientais anteriores, que seu governo tenta destruir desde o dia da posse”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo da ONG, em nota.

Na mesma linha, o apresentador de TV Luciano Huck criticou o discurso por estar deslocado da realidade. “Me pareceu que vivemos em outra dimensão. Alice deve estar estranhando as novas companhias no seu País das Maravilhas”, afirmou em seu Twitter.

Para o ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta, demitido por Bolsonaro há um ano, o pronunciamento “seria ótimo para um início de mandato”. “Infelizmente, hoje, está sendo recebido com total ceticismo. Para vexame do Brasil. Como acreditar em quem falava e fazia o exato oposto até ontem?“, questionou.

O presidente brasileiro teve que esperar mais de uma hora e meia para fazer seu pronunciamento. Antes dele, numa lista elaborada pelos americanos, discursaram quase duas dezenas de líderes, entre os quais os governantes de China, Índia, Rússia, França e Argentina.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), comentou a espera do brasileiro e descreveu o discurso de Bolsonaro como “excessivamente genérico” e “incoerente com a realidade”. “O presidente brasileiro ficou no fim da fila dos líderes a discursar. E o presidente dos Estados Unidos não ficou para ouvir. Ou seja, a esdrúxula diplomacia do Brasil como ‘pária mundial’ foi bem-sucedida.”

O deputado Henrique Fontana (PT-RS) também comentou a saída de Biden –que pediu licença para se ausentar durante os discursos. “A falta de credibilidade do presidente brasileiro está escancarada para o mundo”, afirmou.

Por outro lado, o deputado Aécio Neves, que preside a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, considera que a participação do presidente mostrou “intenção de mudança” em relação aos problemas ambientais. Mas ele ressaltou que “essa nova postura precisa vir acompanhada de ações concretas”.

“Creio que o governo brasileiro entendeu a importância que tem a agenda ambiental para a atração de investimentos e a abertura de mercado para os nossos produtos”, disse, em nota.

Para a senadora Katia Abreu (PP-TO), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Casa, a participação brasileira foi positiva, “na linha equilibrada do atual comando do Itamaraty, sem exigências inoportunas de contrapartidas financeiras, que poderiam ser vistas como um ‘toma-lá-dá-cá'”.

O presidente da COP26 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática de 2021), Alok Sharma, afirmou em suas redes sociais que saúda “o compromisso do Brasil com a neutralidade climática até 2050” e que está ansioso para trabalhar com o país. Em seu discurso na cúpula, mais cedo nesta quinta, Sharma afirmou esperar que os países tenham ações mais efetivas contra o aquecimento global.

Entre os apoiadores do presidente, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) chamou o discurso de excelente. “[Bolsonaro] reafirma o papel de liderança do Brasil na conservação de seu bioma e o compromisso em eliminar o desmatamento ilegal até 2030”, escreveu, referindo-se a um dos compromissos apresentados.

Também em sinal de apoio a Bolsonaro, o ministro Onyx Lorenzoni (Secretaria-Geral da Presidência) compartilhou em suas redes sociais uma foto do presidente na cúpula com parte de seu discurso escrito na imagem, mas sem fazer comentários.

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