Legado de Pazuello no Ministério da Saúde em xeque

O nome do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello está no olho do furacão das investigações da CPI da Covid no Senado e pode colocar em xeque o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Pouco mais de um mês fora da pasta de Saúde, Pazuello foi nomeado, ontem, para a Secretaria-Geral do Exército e agora passa ocupar um cargo de confiança no Palácio do Planalto. Em paralelo a nomeação, o ex-ministro da Saúde, que é um dos primeiros nomes a depor na CPI, tem se complicado nas investigações sobre a responsabilidade de sua gestão na crise na saúde pública de Manaus e na compra da vacina contra a pandemia da Covid-19.

Em entrevista à revista Veja, o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten declarou que o atraso do governo na aquisição de vacinas Pfizer foi motivado pela “incompetência” e “ineficiência” do Ministério da Saúde. Wajngarten, que deixou a Secretaria de Comunicação no mês passado, não responsabilizou diretamente o ex-ministro, mas “a equipe que gerenciava o Ministério da Saúde nesse período”. Em agosto do ano passado, a farmacêutica Pfizer ofereceu ao governo brasileiro 70 milhões de doses de vacina contra Covid-19, com entrega prevista para dezembro, no entanto, a proposta foi recusada.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o governo de Jair Bolsonaro rejeitou em 2020 uma proposta da farmacêutica Pfizer que previa 70 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 até junho deste ano. Wajngarten, no entanto, defendeu o presidente Bolsonaro na entrevista. Ele diz que o mandatário sempre afirmou que compraria todas as vacinas que fossem aprovadas pela Anvisa e que fez telefonema para o CEO da Pfizer no gabinete de Bolsonaro. Segundo ele, tratou-se do primeiro contato entre a Pfizer e o alto escalão do governo.

“Incompetência e ineficiência. Quando você tem um laboratório americano com cinco escritórios de advocacia apoiando uma negociação que envolve cifras milionárias e do outro lado um time pequeno, tímido, sem experiência, é isso que acontece”, declarou, segundo a revista. Além disso, o aliado do presidente ainda disse ter tomado conhecimento de que a Pfizer havia enviado ao governo uma carta com a oferta de vacina, mas que o Ministério da Saúde sequer respondeu. Também na entrevista, o ex-secretário isentou de responsabilidade Bolsonaro e pontuou que o chefe do Executivo foi mal orientado por auxiliares.

“O presidente Bolsonaro está totalmente eximido de qualquer responsabilidade nesse sentido. Se as coisas não aconteceram, não foi por culpa do Planalto. Ele era abastecido com informações erradas, não sei se por dolo, incompetência ou as duas coisas. Diziam que a pandemia estava em declínio e que o número de mortes diminuiria muito até o fim do ano”, afirmou.

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