Guedes troca postos-chave da Economia sob pressão do Congresso

Mudanças servem também para dar novo fôlego à pasta após desgaste com Orçamento

O ministro Paulo Guedes (Economia) decidiu alterar o comando de áreas centrais de sua pasta para melhorar tanto o desempenho de sua equipe como a relação com a classe política após desgastes na formulação do Orçamento.

As movimentações são feitas enquanto líderes partidários elevam a pressão para que o Ministério da Economia seja desmembrado, mas integrantes da pasta negam a relação.

Várias pressões já foram feitas ao longo do tempo para uma divisão do ministério de Guedes, que sempre fez questão de manter o desenho de sua pasta. Interlocutores negam que o ministro tenha mudado de ideia e passado a concordar com um desmembramento.

As mudanças feitas agora incluem a troca do comando da Secretaria Especial de Fazenda, principal braço do Ministério da Economia e com atribuições em grande parte equivalentes ao antigo Ministério da Fazenda. Sai Waldery Rodrigues e entra Bruno Funchal, atual secretário do Tesouro Nacional.

O objetivo da reformulação, segundo pessoas próximas ao ministro, é dar novo fôlego ao funcionamento da pasta. Guedes busca promover uma espécie de rodízio de jogadores após considerar concluída uma partida pesada como a conclusão do Orçamento, que gerou brigas por recursos com o Legislativo e desgastes dentro do próprio Executivo.

De acordo com integrantes do governo, o trabalho executado pelo principal dos oito secretários especiais de Guedes chegou a um ponto de fadiga nas relações dentro e fora do ministério, acima e abaixo na hierarquia.

Fora da pasta, o secretário acumulou indisposições ao ajudar a barrar planos dentro e fora do governo que não se encaixavam nas regras. Waldery era citado reservadamente até por membros da pasta de Guedes por, segundo os relatos, emperrar o andamento de medidas econômicas, inclusive as de enfrentamento da crise econômica causada pela pandemia.

Internamente, é mencionada dificuldade na execução dos trabalhos com o restante da equipe. Os relatos sobre Waldery retratam um servidor que acionava seu time de madrugada e em fins de semana e marcava reuniões que se prolongavam por horas pelo volume de tarefas.

Os problemas vistos no Orçamento de 2021 foram a gota d’água. O texto foi negociado com o governo e aprovado pelo Congresso, mas depois a equipe econômica —liderada por Waldery nesse tema— considerou os números inexequíveis, gerando atritos com parlamentares e demandando sucessivos debates para encontrar saídas.

Apesar do desgaste, colegas ponderam que resolver os impasses no Orçamento não era algo fácil tendo em vista as diferentes regras fiscais e o apetite dos parlamentares por recursos. Outras pessoas poderiam ter feito pior, comentam.

Além disso, também é ponderado que Waldery é visto pelo próprio ministro como alguém importante tecnicamente, além de um servidor dedicado e leal. Outro ponto mencionado a seu favor é a quantidade de atribuições com uma estrutura não equivalente.

Por tudo isso, Waldery (que é servidor de carreira do Senado) deve ser convidado a permanecer na pasta. É estudada a possibilidade de ele assumir o cargo de assessor especial de Guedes.

Já Funchal, o substituto, é tido como alguém que vê as regras fiscais como a do teto de gastos de forma tão ou mais rígida do que Waldery — no entanto, com mais facilidade para diálogo.

Antes de assumir o Tesouro, ele era diretor de programa na secretaria especial de Fazenda e conduzia tratativas sobre medidas e repasses de verbas a estados e municípios.

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