Cadáveres dentro de sacos plásticos ocupam maca e leito ao lado de doentes em hospital público no Recife

Técnicos e auxiliares de enfermagem denunciaram, nesta terça (22), a presença de cadáveres dentro de sacos plásticos pretos sobre maca e leito, ao lado de pacientes internados no Hospital Getúlio Vargas (HGV), na Zona Oeste do Recife. Imagens enviadas pelo SatenPe, sindicato que representa as categorias, mostram que os corpos estavam à espera de remoção na Unidade de Trauma

O vídeo foi feito na madrugada de segunda (21), pelo presidente do sindicato, Francis Herbert, durante uma inspeção realizada por representantes da categoria.

Segundo a entidade, a vistoria aconteceu por causa de queixas de trabalhadores sobre a superlotação de áreas do hospital e de falta de condições de atendimento na unidade, uma das maiores do sistema público da Região Metropolitana.

Nas imagens, é possível observar dois sacos pretos com cadáveres dentro.Ao lado dessas macas, havia muitos pacientes e os trabalhadores de saúde executavam as funções normalmente.

O presidente do sindicato, Francis Herbert, gravou um vídeo e narrou o que encontrou na inspeção no Hospital Getúlio Vargas. Segundo ele, a Unidade de Trauma do HGV estava ”superlotada”.

A gente está aqui com imagens feitas no hospital Getúlio Vargas, na unidade de trauma. Você vê aí paciente buscando o tratamento ao lado de cadáveres”, declarou, no vídeo. A causa da morte dessas pessoas não foi divulgada pelo sindicato.

Francis Herbert também afirmou que essa imagem de cadáveres ao lado de doentes mostra a “falta de respeito com profissional de enfermagem e com sociedade Pernambucana”.

Herbert contou como conseguiu fazer as imagens. Ele disse que os profissionais de saúde têm medo de fazer as gravações e, por iso, convocam os líderes sindicais para registrar os problemas mais graves.

“Cheguei na madrugada de domingo para segunda e fiquei mais de meia hora. Quando entrei na sala, os cadáveres já estavam lá. Saí e eles ficaram sobre os leitos”, declarou.
Herbert disse que os profissionais de saúde estão se queixando de excesso de trabalho e falta de condições para acompanhar tanta gente ao mesmo tempo.

Os cadáveres ficaram lá por isso. Os trabalhadores não tiveram como tirar corpos. Se eles fossem fazer isso, não teriam como atender quem ainda estava vivo”, disparou.
O sindicalista observou que não teve como conversar com os demais pacientes, mas acompanhou as reações deles, diante da presença dos cadáveres. “O povo está apavorado com isso”, disse.

Ele [ o governo] vem fazendo com que a superlotação nos hospitais encubra [mascare] o número de leitos de retaguarda para Covid ou qualquer outro tipo de patologia”, declarou.

O sindicalista disse, ainda, que não há distinção entre pacientes com Covid e outras doenças. “Estamos mostrando aqui para sociedade o quanto está na UTI a saúde no estado de Pernambuco”, afirmou.

Segundo a categoria, os auxiliares e técnicos de enfermagem são as principais vítimas da pandemia, em Pernambuco, entre os profissionais de saúde.

Em Pernambuco, desde março de 2020, quando começou a pandemia, mais de 30 mil profissionais de saúde contraíram o novo coronavírus. No mesmo período, ocorreram 108 mortes.

No estado, 75 mil auxiliares e técnicos de enfermagem atuam nas redes pública, privada, filantrópica e conveniada.

Queremos a abertura de uma sindicância para apurar esses desmandos na Unidade de Trauma do HGV”, disse Francis Herbert.]

Resposta
Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Saúde disse que a direção do Hospital Getúlio Vargas afirmou que, “quando ocorre um óbito a remoção do corpo é realizada de forma adequada, utilizando material específico (saco de transporte), respeitando todos os critérios de manejo de corpos para que o procedimento seja feito com segurança pelos profissionais de saúde”.

A secretaria afirmou, ainda, que “realiza todos os procedimentos necessários para o manuseio adequado e encaminhamento dos corpos para o necrotério do serviço”.

Ainda segundo o governo, “no momento da realização da imagem divulgada, os trâmites estavam sendo realizados de acordo com as normas para retirada do corpo do setor de internação”.
Na nota, a secretaria informou que a direção do HGV “reconhece a alta demanda de pacientes que buscam o serviço”.

Disse, ainda, que “faz parte da rotina da unidade, a orientação sobre a importância do cumprimento das medidas sanitárias por parte dos pacientes e acompanhantes que buscam a unidade de saúde, assim como dos profissionais do serviço”.

Sobre a denúncia de falta de divisão entre pacientes com Covid e outras doenças, a unidade informou que “possui um Plano de Contingência” e que “todo paciente que apresente qualquer sintoma gripal, ou relato de contato com caso positivo para Covid-19, é encaminhado para uma área específica da unidade, ficando, assim, isolado dos pacientes”.

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