CPI analisa contratos da Saúde com empresas envolvidas em corrupção no RJ

Dentro de um pacote de contratos do governo federal entregues à CPI da Pandemia, nesta semana, pelo menos três deles são de empresas responsáveis pela gestão de órgãos que já foram apontados em investigações por desvio de dinheiro dos cofres do estado do Rio de Janeiro. A comissão vai se debruçar dos documentos para apurar possíveis novas irregularidades.

A empresa Verde Gestão de Serviços, que presta serviços de combinados de escritório e apoio administrativo, fechou dois contratos de mais de R$  6,9 milhões com o Instituto Fernandes Figueira (IFF), que é uma unidade de assistência, ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O primeiro contrato feito com base na dispensa de licitação diz respeito a prestação de serviços de portaria e recepção, com fornecimento de equipamentos de suporte. O documento foi assinado em novembro de 2019 com vigência de um ano e valor total de R$ 2 milhões.

No entanto, dois aditivos elevaram o valor total para R$ 6,5 milhões, um aumento de 218% do valor inicial. Os aditivos feitos para aumentar a quantidade de porteiros e estender a vigência do contrato foram assinados em março e novembro de 2020, respectivamente.

O segundo contrato, para o mesmo instituto, também foi fechado com base na dispensa de licitação. Iniciado em março de 2020, teve como objeto a prestação de serviços de ascensorista para o prédio do IFF. O valor total foi de R$ 440 mil reais.

A outra empresa que terá os contratos analisados pela CPI da Covid é a Magna Vigilância e Segurança, que mantém, desde outubro de 2019, um contrato de R$ 2,2 milhões com Museus Castro Maya que integram o Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), vinculado ao Ministério do Turismo. O contrato inicial, que era de R$ 1,1 milhão também teve um aditivo, assinado um mês antes do término contratual, que dobrou o valor total e a duração da prestação de serviços.

Em depoimento, prestado ao Ministério Público Federal, em outubro de 2020, Edson Torres, que foi apontado como o operador financeiro do grupo que lesou os cofres públicos do Rio de Janeiro, durante a gestão do então governador Wilson Witzel, explicou que recebia 10% e 15% em forma de propina sobre o valor de cada contrato fechado com essas empresas.

Torres também contou que ambas empresas foram compradas por ele e que por problemas na justiça, decidiu nomear o genro, Marcelo Nascimento de Andrade, como proprietário. Ele também falou para os proprietários que era o genro o responsável por recolher o dinheiro em espécie pago como propina.

A CNN entrou em contato com as empresas citadas, com os órgãos que fecharam os contratos, com os ministérios vinculados e com os operadores do esquema, mas até a publicação da reportagem, não havia recebido respostas.

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