CPI: sócio da Belcher nega ter ‘facilitador político’, mas diz que reunião com Queiroga foi marcada por Ricardo Barros

Em depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira (24), o diretor-presidente da Belcher Farmacêutica Emanuel Catori negou ter um “facilitador político”, mas admitiu que, em abril, participou de uma reunião com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, agendada pelo deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara.

Catori foi convocado pela CPI para dar explicações sobre as negociações da Belcher com o governo federal. A Belcher se apresentava como representante do laboratório chinês CanSino, fabricante da vacina Convidecia, e a Comissão investiga a atuação de empresas intermediárias nas negociações de vacinas contra a Covid-19.

Segundo o empresário, a “audiência pública” no ministério aconteceu em abril e foi agendada por Barros, pois o deputado é presidente da Frente Parlamentar de Medicamentos. “Reitero: nós não tivemos nenhum facilitador político”, afirmou Catori.

O presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM) rebateu a fala e disse que a reunião não pode ser considerada uma audiência pública.

“Audiência pública não. Foi dentro do gabinete do ministro, não é uma audiência pública”, afirmou Aziz.

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), questionou também o motivo pelo qual foi necessário aproveitar uma agenda do deputado com o ministro, e não foi marcada uma reunião própria da empresa.

Catori respondeu que, no encontro, havia representantes de seis empresas ligadas à saúde, das quais cinco eram do Paraná, estado do líder do governo.

O empresário negou que Barros tenha feito “gestões” para beneficiar a aquisição da Convidecia e disse não ter relações empresariais com o deputado.

“Não há vínculo comercial ou societário direto ou indireto da Belcher e seus sócios com o referido parlamentar”, afirmou. .

Em depoimento à CPI, Barros admitiu ser “amigo pessoal” de Francisco Feio Ribeiro Filho, pai de Daniel Feio Ribeiro, outro sócio da Belcher.

Barros também saiu em defesa do imunizante, dizendo que ele seria “vantajoso” ao Brasil, e na sequência teceu críticas à atuação da CPI, o que gerou bate-boca e levou ao encerramento da sessão.

O líder do governo entrou na mira da CPI após relato do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) de que o presidente Jair Bolsonaro mencionou o nome de Barros ao ser informado sobre possíveis irregularidades em contrato da aquisição da vacina Covaxin.

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