Bolsonaro diz que ‘não tem nada de mais’ em nota de recuo após receber críticas de aliados

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) minimizou a nota publicada na tarde desta quinta-feira (9) na qual recua dos ataques feitos às instituições no feriado de 7 de Setembro.

Bolsonaro confirmou que o texto foi elaborado com a ajuda do ex-presidente Michel Temer (MDB), mas disse que não há “nada de mais” na publicação.

“Eu telefonei ontem à noite pro Michel Temer, falei com ele hoje de manhã novamente. Ele veio a Brasilia, por dois momentos conversou comigo aqui, pouco mais de uma hora. Ele colaborou com algumas coisas na nota, eu concordei e publicamos. Não tem nada de mais ali”, afirmou durante live transmitida nas redes sociais.

Mais cedo, Bolsonaro divulgou nota afirmando que não teve “nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes”.

“Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar”, afirmou o presidente no texto.

A divulgação da nota deixou desnorteada sua base de apoio mais estridente em redes sociais. Influenciadores bolsonaristas criticaram a atitude de Bolsonaro.

“Muitos estão batendo em mim por causa da nota. Não vejo nada de mais aqui, uma nota precisa, objetiva”, completou o presidente.

Bolsonaro disse que os caminhoneiros fizeram uma manifestação fantástica e se preparam para desmobilizar os atos até domingo (12).

“Vão suspender depois de domingo. Essa é ideia de muitos deles ali. Fui bem claro: se passar de domingo, segunda, terça, começa a ter problema seríssimo de abastecimento, influência na economia, aumenta inflação. Problemas se voltam contra nós”, afirmou o presidente, que recebeu um grupo de caminhoneiros no Planalto mais cedo.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do DF afirmou que os manifestantes devem liberar as vias da Esplanada dos Ministérios nesta sexta-feira (10).

Bolsonaro disse ainda que quis mostrar com a nota que está “pronto para conversar”, inclusive com Luís Roberto Barroso, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a quem tem atacado nos últimos meses.

“Eu acho que eu dei ali a resposta seguinte: eu estou pronto para conversar, por mais problemas que eu tenha com Arthur Lira, com Rodrigo Pacheco, com ministro Fux, com Barroso lá do TSE… tem que conversar com o Barroso, ainda que hoje ele deu um cacete aí em mim. Tô pronto para conversar com o Barroso, todo mundo quer transparência.”

Ao abrir a sessão do TSE nesta quinta, Barroso fez um duro discurso para rebater as acusações que o chefe do Executivo faz sobre o sistema eleitoral, além dos ataques pessoais a ele dirigidos pelo mandatário.

Barroso chamou o mandatário de “farsante” e disse que “o populismo vive de arrumar inimigos para justificar o seu fiasco”.

Durante a live, Bolsonaro ainda disse que não brigou com “instituição nenhuma” e que a briga dele é “pontual com algumas pessoas”.

“Reiterei meu respeito às instituições, você pode brigar com um ministro do Supremo, com um senador, mas não com o Senado, com o Supremo. Tenho certeza que bons frutos aparecerão nos próximos dias.”

Bolsonaro passou os últimos dois meses com seguidos ataques ao STF e xingamentos a alguns de seus ministros como estratégia para convocar seus apoiadores para os atos do 7 de Setembro, quando repetiu as agressões e fez uma série de ameaças à corte e a seus integrantes.

Os principais alvos de Bolsonaro sempre foram os ministros Alexandre de Moraes e Barroso. No 7 de Setembro, porém, buscou também emparedar o presidente do STF, ministro Luiz Fux.

“Essas questões [embates com o STF] devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no artigo 5º da Constituição Federal”, disse o presidente no texto assinado por ele.

Antes da divulgação do texto, Bolsonaro conversou por telefone com Moraes, conforme antecipou o jornal Folha de S.Paulo. A ligação foi mediada por Temer, responsável pela indicação de Moraes ao STF quando estava na Presidência da República.

Temer desembarcou em Brasília pela manhã e voltou para São Paulo no final da tarde. O responsável por intermediar a conversa foi o AGU (Advogado-geral da União), Bruno Bianco. Também participaram do encontro os ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Flávia Arruda (Secretaria de Governo).

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