120 armas vendidas a criminosos por policiais eram da Guarda Municipal de Ipojuca, no Grande Recife

A ausência de fiscalização adequada para evitar o desvio de armas de fogo da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), vinculada à Polícia Civil de Pernambuco, na área central do Recife, prejudicou também o trabalho da Guarda Municipal do município de Ipojuca, na Região Metropolitana. Das 326 armas desviadas da unidade policial (sumiço descoberto em janeiro deste ano), 120 pertenciam à corporação – como revelam documentos obtidos pela coluna Ronda do Jornal do Commercio. A pedido do secretário de Defesa Social do município, Osvaldo Morais, o armamento – composto por pistolas .40 de fabricação da marca Taurus – foi guardado na Core porque acreditava-se que seria mais seguro, enquanto os guardas de Ipojuca ainda não estivessem aptos a usá-lo.

A situação se torna ainda mais grave porque parte dessas pistolas que seriam usadas pela Guarda Municipal teria sido comprada justamente por uma perigosa facção que tem uma célula em Ipojuca e também atua em municípios vizinhos, praticando homicídios e tráfico de drogas – de acordo com as investigações.

As 120 pistolas haviam sido doadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), em maio de 2020, ao efetivo da Guarda Municipal de Ipojuca, que contava com pouco mais de 400 membros. Como explicou a prefeitura, na época, o armamento, que é o mesmo utilizado pela Polícia Militar, seria destinado ao reforço da segurança da população e do patrimônio – o que inclui também o monitoramento de famosas praias localizadas na cidade, como Porto de Galinhas e Muro Alto.

De acordo com a Prefeitura de Ipojuca, caso as armas fossem compradas pelo município, o custo das 120 unidades seria superior a R$ 500 mil. Interceptações telefônicas apontaram que algumas dessas armas, desviadas da Core, foram comercializadas para facções criminosas por valores que variavam de R$ 6,3 mil a 6,5 mil, cada uma.

Os guardas municipais de Ipojuca não chegaram a usar as armas. Somente em agosto de 2020, a gestão formalizou a solicitação de convênio com a Polícia Federal para treinamento e autorização do uso do armamento nas ruas, como determina a lei. Já em janeiro, descobriu-se que as pistolas haviam sido furtadas da Core. A prefeitura, no entanto, calou-se diante do episódio. E o prejuízo só vem à tona oito meses depois.

A coluna entrou em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Civil de Pernambuco para saber quais medidas de segurança foram adotadas após a descoberta do desvio de armas na Core. Por meio de nota, a assessoria informou ainda que “há informações que não podem ser repassadas por questão de segurança, como previsto por determinação da Secretaria de Defesa Social, no Termo de Classificação de Informações – número 5”.

Até agora, 20 pessoas – incluindo cinco policiais civis (presos em agosto) – foram denunciadas pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) à Justiça por crimes como organização criminosa, comércio ilegal de armas de fogo, peculato, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.

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