Com 600 mil segundas doses atrasadas, Pernambuco tem menos de 35% totalmente vacinados

Mais de 600 mil pessoas estão com a segunda dose da vacina contra a Covid-19 atrasada em Pernambuco, segundo o secretário estadual de Saúde, André Longo. Para reduzir esse déficit, o Estado prepara um Dia D de vacinação para 25 de setembro e recomenda ações anteriores realizadas pelos municípios que deverão culminar no mutirão. Imunizantes de três dos quatro fabricantes em uso no Brasil demandam as duas doses para que o esquema vacinal seja completo.

Pernambuco tem, segundo os dados mais recentes da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), divulgados na segunda-feira (13), um total de 2.868.357 pessoas com a cobertura vacinal completa – sendo 2.695.366 com vacinas de duas doses e 172.991 com o imunizante de dose única da Janssen.

Esse total corresponde a 34,51% da população elegível para vacinação no Estado, que são todas as pessoas a partir dos 12 anos de idade, estimada em 8.311.541 pessoas. Ou seja, caso as 600 mil pessoas com segundas doses atrasadas já tivessem recebido o reforço, o Estado somaria cerca de 41,8% da população totalmente imunizada – mais de sete pontos percentuais em relação ao dado real.

No recorte em que se considera a totalidade dos habitantes do Estado, atualmente estimada em 9.674.793 pessoas, a cobertura vacinal completa é de 29,65%.

A cobertura de primeira dose no Estado se aproxima das 6 milhões de pessoas, com 5.942.401 aplicações – 71,5% da população elegível.  

O médico infectologista Gabriel Serrano lembra a importância da segunda aplicação para que os números da pandemia sigam em controle. Ele propõe como medida para incentivar essa ida da população aos postos, por exemplo, a implantação do passe de vacinação como obrigatório para frequentar alguns ambientes.

“Uma forma de estimular seria exigir a vacinação para mais coisas e de forma mais ostensiva. ‘Dia D’ é importante, mas deveria ter com frequência, todo mês, por exemplo”, defendeu o médico, que acrescentou a busca ativa da atenção básica em saúde e a facilitação do acesso à vacinação, com a redução de burocracia, como outros pontos importantes para acelerar a cobertura com segunda dose no Estado.

Pernambuco implantou, em setembro, o selo Passe Seguro PE, protocolo para realização de eventos-teste com até 1,2 mil pessoas. Para acessar os eventos, o público deve comprovar ter tomado as duas doses da vacina ou a dose única ou ter recebido ao menos a primeira e apresentar um teste de coronavírus com resultado negativo.

O infectologista Gabriel Serrano reitera que a cobertura vacinal completa é fundamental para a retomada à vida normal, como uma futura desobrigatoriedade do uso de máscaras, que, para ele, será possível apenas após atingirmos entre 80% e 90% da população totalmente imunizada.

“Quando falamos de uma dose, essa proteção dura menos tempo e não é tão eficaz. Quando a gente fala de duas doses, temos certeza que essa proteção vai funcionar por mais tempo e de forma mais eficaz. Somente a cobertura completa vai diminuir a carga viral circulante”, acrescentou Gabriel Serrano.

Além do déficit de pessoas com a segunda dose atrasada, Pernambuco tem 40 municípios sem estoque para a aplicação de reforço da vacina da AstraZeneca, segundo levantamento divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), na segunda-feira.

Para esses casos, diz a pasta, a recomendação é de uso da vacina da Pfizer caso haja estoque, num esquema chamado de heterólogo – quando há intercambialidade de fabricantes entre as doses.

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