FIB Bank transferiu à empresa da mãe de suposto ‘sócio oculto’ 96% de pagamento da Precisa, diz CPI

A CPI da Covid identificou o repasse de R$ 336 mil feito pelo FIB Bank para uma empresa no nome da mãe do advogado e empresário Marcos Tolentino, que nesta terça-feira (14) prestou depoimento à comissão.

Questionado sobre a transferência, Tolentino não quis responder, recorrendo ao direito obtido no Supremo Tribunal Federal de não se manifestar em perguntas cujas respostas pudessem incriminá-lo.

O envolvimento de Tolentino com o FIB Bank, empresa que apesar do nome não é um banco, é uma das principais frentes de investigação da CPI. Tolentino nega que seja “sócio oculto” do FIB Bank, como suspeita a CPI.

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O FIB Bank foi a instituição que emitiu uma carta-fiança de R$ 80,7 milhões para a contratação, pela Precisa Medicamentos, da vacina indiana Covaxin. O contrato da Precisa com o Ministério da Saúde para o fornecimento das vacinas acabou encerrado após denúncias de irregularidades.

Os R$ 336 mil representam 96% do valor pago pela empresa Precisa Medicamentos ao FIB Bank como contrapartida à atuação da instituição como uma espécie de fiadora na compra da vacina indiana Covaxin.

A transferência à empresa Brasil Space Air Log, que seria da mãe de Tolentino, pelo FIB Bank foi feita em 23 de março deste ano.

Nesse mesmo dia, a Precisa Medicamentos pagou R$ 350 mil ao FIB Bank, responsável por emitir uma carta-fiança no contrato firmado com o Ministério da Saúde em fevereiro deste ano.

Para a cúpula da comissão, o repasse financeiro é um dos indícios mais contundentes da vinculação de Tolentino com o FIB Bank.

Os senadores acreditam que o advogado atuou como um “sócio oculto” da garantidora – o que ele negou nesta terça-feira (14), durante depoimento à CPI.

“Esse é um dos pontos mais críticos do depoimento, pois, como eu falei aqui anteriormente, as movimentações financeiras mostram que a Brasil Space Air Log, empresa que pertence de fato ao senhor Marcos Tolentino, recebeu do FIB Bank R$ 336 mil dos R$ 350 mil no mesmo dia em que esse valor foi pago pela Precisa Medicamentos. Os outros R$ 14 mil foram destinados a Wagner Potenza, ex-Presidente do FIB Bank”, afirmou o relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

A comissão apura ainda qual a relação mantida por Tolentino com políticos – entre os quais, o líder do governo Bolsonaro na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR).

Barros elaborou uma emenda que favoreceu a aquisição da Covaxin pelo governo brasileiro. O líder do governo e Tolentino dizem manter uma relação de “amizade”, mas negam qualquer parceria comercial.

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Renan Calheiros ressaltou ainda que Tolentino foi sócio da Brasil Space entre 2018 e 2020 – após a saída, a mãe dele, de 81 anos, permaneceu no quadro societário.

Em meio aos questionamentos, o advogado de Tolentino afirmou que nesta segunda-feira (13) – ou seja, um dia antes do depoimento – ele retornou ao comando da empresa.

“As movimentações financeiras entre o FIB Bank e empresas ligadas a Marcos Tolentino, notadamente a Brasil Space Air Log, mostram que há fortes indícios, senão comprovações, de que o FIB Bank, Pico do Juazeiro e MB Guassu, essas duas últimas empresas constituídas em nome de laranjas, pertencem exatamente a Marcos Tolentino”, afirmou o relator.

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