Com 41ºC, Petrolina bate recorde de temperatura registrada em Pernambuco no ano

Estação do ano mais quente e seca do ano, a primavera começou com tudo em Pernambuco. Segundo as medições das estações da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), o Estado teve, na quarta-feira (22), dia do equinócio, a temperatura mais alta já registrada no ano de 2021: em Petrolina, os termômetros alcançaram a marca de 41,0ºC.

De acordo com o meteorologista da Apac Fabiano Prestrelo, essa alta temperatura pode ser explicada pela atuação de uma massa de ar quente sobre o Sertão do Estado – o sistema formado por essa massa e uma outra massa de ar fria, inclusive, causa, no Litoral, a ocorrência de ressacas e agitação marítima, segundo a Marinha, com ondas de até 3,5 metros de altura.

A gente observou, ontem, temperaturas mais elevadas do que o comum dessa época. Não estamos no verão ainda e foi por conta dessa massa de ar quente. Hoje [quinta-feira, 23], o dia já foi mais nublado e, por causa da nebulosidade, as temperaturas foram mais baixas e a umidade subiu um pouco”, explicou o meteorologista.

Altas temperaturas também foram registradas em Floresta, com 40,3ºC; Parnamirim, 40,0ºC; Cabrobó, 39,6ºC; e Ibimirim, 38,0ºC. No Recife, fez máxima de 32,2ºC, quase 1,5ºC que o comum para esta época. 

“Durante o verão, é comum termos temperaturas superiores a 40ºC no Sertão. Na primavera, a gente tem observado que o normal é entre 36ºC e 37ºC. Num dia quente, seria 38ºC. Só esperaria esse calor acima de 40ºC na próxima estação [o verão]”, acrescentou Fabiano.

E não foi só o calor que foi registrado pela Apac nessa abertura de primavera, mas também o tempo muito seco. Em Floresta, a umidade chegou a críticos 11%; em Petrolina, a 13%; e em Ibimirim, a 15%. “Outra característica da massa de ar quente é ter a umidade muito baixa. Existe um documento da OMS que diz que umidade abaixo de 20% pode causar danos à saúde humana”, continuou o meteorologista, acrescentando que, como a umidade subiu nesta quinta-feira, não houve necessidade de emissão de alerta da Apac.

Durante a primavera, o sul do País costuma registrar frentes frias. No Centro-Oeste, há a ação de um fenômeno chamado Alta da Bolívia, um anticiclone responsável por transferir essa massa de ar quente e seco para o Sertão de Pernambuco, com a queda da umidade e a elevação das temperaturas. 
 
Como se não bastasse o calor, a sensação térmica pode potencializar a sensação de “abafado”, tão citada pela população nas ruas e redes sociais para reclamar das temperaturas altas e tempo seco.

Esse fenômeno é chamado pela meteorologia de subsidência: a alta pressão que faz o ar se mover no sentido anti-horário e para fora do centro e ainda funciona como uma tampa que dificulta o crescimento das nuvens.

“De uma forma bem simplificada, seriam ventos que sopram de cima pra baixo. Quando isso acontece, esses ventos inibem a formação de nuvens, então você tem o céu mais claro e com pouquíssimas nuvens. Com essa ausência de nebulosidade, não há bloqueio da radiação solar e ela entra praticamente direta”, explicou Fabiano.

Segundo o meteorologista, é justamente essa ação que aumenta a sensação de desconforto e calor. Os ventos fracos também contribuem com o efeito.

“Durante praticamente todo o ano, percebemos um vento do oceano para o continente. Nos últimos dias, temos percebido esses ventos muito fracos. Sem o vento, essa sensação de desconforto é maior ainda”, finalizou o meteorologista.

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