Papa Francisco lança consulta popular de 2 anos sobre futuro da Igreja Católica

O Papa Francisco lançou neste domingo o maior processo de consulta popular da história da Igreja Católica, buscando adaptá-la aos novos tempos. O processo, que levará dois anos e poderá desencadear mudanças significativas nas práticas eclesiásticas, é visto como a tentativa de reforma mais ambiciosa da instituição em décadas, cujo impacto poderá marcar o legado do Pontífice argentino.

Chamada “Para uma Igreja Sinodal: Comunhão, Participação e Missão”, a iniciativa pode mudar as estruturas de poder e dar mais voz aos fiéis às margens da estrutura formal da Igreja. O objetivo é ouvir a grande maioria dos 1,3 bilhão de católicos — preferencialmente todos eles — sobre como veem o futuro da Igreja. A palavra final, no entanto, caberá ao Papa.

Trata-se de uma oportunidade, afirmam vozes mais progressistas, de rever doutrinas que dizem respeito ao ordenamento de mulheres, ao divórcio, celibato e a relacionamentos homossexuais. Para eles, são pontos essenciais para conter a perda de fiéis, acentuada por anos de escândalos de abuso sexuais , corrupção e uma rígida estrutura hierárquia que pouco mudou ao longo dos séculos.

Conservadores, por sua vez, veem o processo como uma perda de tempo e dinheiro que põe em xeque a estrutura da Igreja. Afirmam que pode tirar o foco de outros assuntos urgentes, como a corrupção na Igreja ou paróquias cada vez mais vazias. A longo prazo, alegam também, pode diluir a doutrina tradicional da organização.

Três etapas

Francisco defendeu durante a missa na Basílica de São Pedro que os católicos mantenham a mente aberta sobre o processo:

“Estamos prontos para a aventura desta jornada? Ou estamos com medo do desconhecido, preferindo nos refugiar nas desculpas habituais, como “é inútil” ou “sempre fizemos assim” afirmou durante sua homilia.

O processo de consulta terá três etapas. Na primeira, que começou neste domingo e vai até abril de 2022, católicos em paróquias e dioceses pelo mundo irão discutir assuntos relacionados à participação das mulheres, grupos minoritários, pastorais e pessoas às margens da estrutura formal da instituição. Outro tópico, afirmou o Pontífice, será debater até que ponto a Igreja escuta a juventude.

Em seguida, haverá uma “fase continental”, em que os bispos se reunirão para discutir e formalizar os pontos levantados, entre setembro de 2022 e março de 2023. O último passo, a “fase universal”, será em outubro de 2023, no tradicional Sínodo dos Bispos, reunião periódica na Santa Sé. Lá, irão preparar um documento e, em seguida, o Papa escreverá uma Exortação Apostólica com suas visões, sugestões e possíveis instruções sobre vários aspectos.

Exortações são considerados os terceiros documentos papais em ordem de importância, após as Constituições Apostólicas e as Encíclicas. Tratam-se geralmente de reflexões papais sobre um tópico em particular, direcionado para o clero e os fiéis. Apesar de sua relevância, não são considerados legislativos e não definem o dogma da Igreja.

‘Escutar uns aos outros’

“Não vamos isolar nossos corações, não vamos nos barricar em nossas certezas” disse o Papa em sua homilia, para cerca de 3 mil pessoas. — Vamos escutar uns aos outros.

Falando sobre suas expectativas para o processo, o argentino alertou que o processo não deve se tornar um exercício intelectual, “uma convenção da Igreja, um grupo de estudo ou um congresso político”. Seu desejo é que seja “um evento cheio de graça, um processo de cura guiado pelo Espírito Santo”.

A Igreja deve levar em conta problemas reais enfrentados pelos seus fiéis e resistir à “tentação da complacência” no que diz respeito a discutir mudanças. Este será um sínodo, palavra vem do grego e significa um caminho construído em conjunto, sobre a sinodalidade, ou seja, sobre como a instituição age e pensa sobre si mesma.

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