Número de denúncias de violência contra idosos cresce 65% em Pernambuco

Após o isolamento imposto pela pandemia, com as pessoas passando mais tempo em casa, a violência contra quem já é vulnerável a ela parece ter se agravado no ambiente doméstico. Em levantamento divulgado na terça-feira (4), o Centro Integrado de Atenção e Prevenção à Violência contra a Pessoa Idosa (CIAPPI), vinculado à Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), registrou um aumento no número de denúncias de violações contra o público acima dos 60 anos em Pernambuco.

Em 2021, o órgão recebeu 1.352 queixas, 65,28% a mais que em 2020, quando foram notificadas 818. Ao todo, foram identificadas 3.161 violações de direitos. A notificação de casos também se intensificou na Polícia Civil.

O secretário-executivo de Direitos Humanos, Diego Barbosa, credita parte desse aumento à maior conscientização social sobre as ações que se configuram como violações contra o público idoso.

A população está mais empoderada de fazer esse processo de denúncia, já sabendo que seus dados vão ser sigilosos. Não necessariamente a gente pode dizer que houve um aumento da violência em si. O número de violações é maior do que o de denúncias, porque uma só denúncia pode trazer mais de uma violação”, justifica.

Entre as violações registradas, as mais comuns foram: negligência (633 ocorrências) e, em seguida, as violências financeira, verbal (ambas com 469), psicológica (420) e abandono (289).

Idade mais avançada
Outro dado que chama atenção foi o avanço da faixa etária das vítimas. Diferentemente de 2020, quando a maior parte dos casos atingia pessoas de 70 a 79 anos, no ano passado, a maioria dos idosos vitimados tinha entre 80 e 89.

No recorte de gênero, as mulheres também são as mais vulneráveis, sendo as vítimas de 934 denúncias, o que corresponde a 69% do total.

É preciso que as pessoas entendam que não só o poder público, mas toda a sociedade, a comunidade e os familiares, são responsáveis pelos cuidados desses idosos. E infelizmente, a esmagadora maioria dessas violências acontece dentro de casa”, diz o secretário-executivo Diego Barbosa.

“Nós planejamos para 2022 um reforço nas ações de fiscalização nas instituições de longa permanência e nos canais de denúncias para que esse processo de conscientização avance”.

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