‘A ciência deve ser vista como contribuição social para tornar o país melhor’, diz primeira presidente mulher da Academia Brasileira de Ciências

Quando Helena Nader entrou na segunda turma de ciências biomédicas da Unifesp em 1967, seu sonho era se tornar uma cientista que contribuísse para o crescimento do Brasil. Foi essa vontade que permeou toda sua carreira até que ela se tornasse a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Ciências (ABC) em 105 anos, cargo que assumirá oficialmente entre 3 e 5 de maio.

“Na época que comecei a estudar, nunca imaginei que um dia seria a presidente da Academia, mas já tinha essa vontade de mudar o país para melhor. Era um curso totalmente novo, foi pensado e organizado na Escola Paulista de Medicina, com a ideia de formar pesquisadores para essa área que inclui tantos caminhos diferentes”, lembra.

Foram os aprendizados da faculdade que motivaram Helena a enxergar a ciência além de valiosas contribuições específicas, mas como um instrumento que está presente em todas as esferas da sociedade.

“A biomedicina me deu uma base sólida e mostrou o valor da ciência. Quando eu olho os formados da minha turma, vejo que esse impacto também surtiu neles, todos têm grande sucesso profissional.”

“A instituição congrega diferentes áreas do conhecimento, que vão das ciências humanas e sociais, áreas médicas, engenharia, química, física, agronomia, veterinária… Para ser membro, é uma votação entre pares, começando com a seleção inicial dos que vão concorrer”, explica a presidente.

O objetivo da ABC é que essas pessoas eleitas sejam pesquisadores com grande contribuição científica de trabalhos com temas que a Academia considera relevantes e capazes de contribuir para o desenvolvimento do país, como educação, meio ambiente, mudanças climáticas e na área da saúde.

“Estamos sempre em diálogo com governadores, prefeitos e quem faz as legislações – deputados, senadores e vereadores. Também temos o contato bastante intenso com o nível federal. Às vezes a gente consegue mostrar para o parlamentar ou governante daquele momento a importância da ciência e da educação. Outras vezes, infelizmente, não”, afirma a Helena.

Na opinião da pesquisadora, apesar de falta de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento científico e declarações negacionistas de governantes e influenciadores, a pandemia mostrou que a maioria do povo brasileiro acreditou na ciência.

“Poderíamos ter uma vacina brasileira muito antes do que foi feito, mas sem investimento contínuo não dá. E o investimento para a ciência caiu vertiginosamente nos últimos anos, não só durante o governo Bolsonaro”, diz.

Entre as atividades dos membros da ABC estão, além da condução de pesquisas e contribuições para políticas públicas, reuniões, congressos, debates e ensinamentos de governança na ciência a outros profissionais e colaborações com cientistas brasileiros que moram em outros países.

“Ultimamente demos muitos passos para trás, mas é gratificante quando conseguimos dar um para frente. É o que queremos continuar fazendo”, diz Helena.

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