Prefeitura estuda fazer o carnaval de rua de SP no mês de junho, durante o feriado de Corpus Christi

Com o arrefecimento dos números da Covid-19 e a cobrança dos blocos de Carnaval pela volta da festa ainda este ano, a Prefeitura de São Paulo quer organizar a folia nas ruas da capital em junho, segundo a secretária municipal da Cultura, Aline Torres. A nova data que deve ser discutida é a do feriado de Corpus Christi.

Na semana passada, seis entidades que representam a maioria dos blocos paulistanos divulgaram uma carta pública demonstrando o interesse de sair às ruas. Partes dos blocos quer desfilar no feriado de Tiradentes, entre os dias 21 e 24 de abril, quando ocorrem os desfiles das escolas de samba no Anhembi.

Na carta, o grupo afirma que “não há motivos” para que a gestão municipal proíba os cortejos, já que os eventos esportivos, os festivais de música e o Carnaval de Sambódromo foram liberados com a queda nas mortes e internações por Covid-19. O último boletim da Friocruz mostra que os casos de Covid chegaram ao menor valor percentual da pandemia no país.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) chegou a dizer que o Carnaval de rua poderia ocorrer durante o feriado de Tiradentes, desde que os blocos tivessem condições de bancar a infraestrutura e segurança do evento.

A ideia que foi rebatida por uma das representantes do coletivo ‘Arrastão dos Blocos’, Lira Alli, entidade signatária do manifesto. Para ela, os blocos não devem e nem têm condições de assumir o papel do Poder Público na organização do evento.

Por isso, a prefeitura marcou uma reunião na última sexta-feira (8) com os organizadores de blocos. Mas o encontro terminou com protestos contra a gestão de Nunes, insultos à secretária e a gestão municipal mantendo o argumento de que não tem tempo hábil para organizar a festa.

“Antes da prefeitura decidir cancelar o Carnaval de rua, os próprios blocos anunciaram que não iriam desfilar. Em pouco mais de dez dias, não conseguimos organizar um Carnaval. Mas vamos sentar com os organizadores e definir uma nova data, um feriado de junho, e ver quem quer desfilar e quais as condições”, afirmou Aline Torres à GloboNews neste sábado (9).

Em janeiro, quando houve o cancelamento, o país enfrentava um pico de casos de Covid por causa da variante ômicron e cerca de 250 blocos divulgaram um manifesto dizendo que não sairiam no Carnaval, independente do que a prefeitura decidisse. Já outras entidades defendiam um adiamento, com uma nova data estabelecida para a folia ainda este ano, o que não aconteceu. A cidade de São Paulo tem cerca de 800 blocos.

Agora, cerca de 60 blocos afirmam que pretendem desfilar com ou sem apoio da prefeitura no feriado de Tiradentes, decisão que preocupa a gestão municipal.

“Mesmo um bloco pequeno pode causar um impacto grande para a cidade e colocar as pessoas em risco. Imagina um carro atropelar alguém porque a via não foi bloqueada ou aquela rua ser o caminho de uma ambulância?”, afirma a secretária.

Já os integrantes dos coletivos reclamam da falta de diálogo com a prefeitura e de não ter havido antes uma proposta para um Carnaval atípico, menor.

“Acho que a gente tem que tomar cuidado pra não inverter o que é papel da sociedade e qual o papel do estado. A gente, como bloco de carnaval, pode garantir a produção da cultura popular. O que é papel do estado é garantir a estrutura. A gente não tá sendo irresponsável de dizer que vamos colocar blocos de centenas de milhares de pessoas nas ruas. Não é isso. A gente tá falando do nosso direito cultural”, afirmou Lira Alli.

Durante a semana, em nota, a Prefeitura de São Paulo havia informado que apresentaria às entidades carnavalescas de blocos de rua “as exigências e regras da legislação municipal que normatiza a realização do carnaval de rua, como a necessidades de apoio das forças policiais, estrutura de atendimento de saúde com diferentes níveis de complexidade (chegando até à viabilização de pequenas cirurgias nos próprios locais dos desfiles); plano de adequação de trânsito e linhas de ônibus, entre outros, e o prazo necessário para o atendimento de todas as providências necessárias.

“Em todos os desfiles, é proibida a utilização de cordas, correntes, grades e outros meios de segregação do público ou que constituam áreas privadas, tais como camarotes. Não são autorizadas em logradouros públicos manifestações carnavalescas com cobrança de ingresso”, disse a nota da gestão municipal, que ainda não publicou as tais regras.

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