Professor acusado por alunas de assédio em colégio da Aeronáutica é denunciado por ex-estagiárias

A Comissão de Direitos Humanos da OAB segue recebendo denúncias de possíveis práticas de assédio sexual contra professores do Colégio Brigadeiro Newton Braga, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio. Dessa vez, as acusações partiram de duas ex-estagiárias que trabalharam na unidade de ensino subordinada à Força Aérea Brasileira (FAB).

As duas mulheres que não quiseram ter suas identidades reveladas denunciaram ter sofrido assédio do professor Álvaro Luiz Pereira Barros, responsável pelas aulas de Educação Física do colégio. O assédio se daria por conta de mensagens consideradas inadequadas e até um toque na coxa de uma das estagiárias.

Elas entregaram aos advogados da comissão da OAB alguns prints que mostram trocas de mensagens de Álvaro. As duas estagiaram no Colégio Brigadeiro Newton Braga no ano de 2016 e decidiram deixar o estágio na instituição depois que perceberam as intenções do professor.

Uma das denunciantes revelou ao g1 que não aguentou nem dois meses de estágio por conta dos assédios de Álvaro Barros. Segundo ela, logo nos primeiros dias, o professor disse que tinha sonhado com ela.

“Logo de cara ele fez um comentário que eu achei estranho. Era um período que a gente só observava a aula e tirava dúvidas com ele. A gente estava na aula, na beira da quadra conversando, trocando ideia e ele falou que sonhou comigo. Tinha mais duas meninas que faziam estágio no mesmo horário. Eu já fiquei meio em choque”, contou a ex-estagiária.

Segundo ela, o professor adicionou as três estagiárias no Facebook logo nos primeiros dias de contato. E foi através da rede social que Álvaro começou a mandar mensagens.

Em uma das mensagens atribuídas ao professor, uma das estagiárias é abordada à noite. Álvaro chama a jovem e já avisa que a conversa não tem “nada a ver com o estágio”.

“Oi (nome em sigilo), tenho que dizer uma coisa… Nada a ver com estágio. Mas fiquei com isso na cabeça até agora! Nooooooossssa. Você estava bonita demais hoje! kkkkk. Desculpe, nada a ver dizer isso…”, comenta o professor.

“Você estava mesmo, estava transpirando alguma coisa! Você ta transmitindo uma sensação boa, só de olhar pra você! Estranho isso né? Precisava dizer… rs”, completa Álvaro.

O g1 também teve acesso a mensagens que seriam de Álvaro para uma outra estagiária do grupo.

Segundo a denúncia, dessa vez, o contato por um aplicativo de mensagens aconteceu às 9h46 da manhã, do dia 27 de maio. Nessa conversa, Álvaro diz que tem vontade de “dar beijos molhados” e vontade de se “lambuzar”.

“É sério… Vontade de dar beijos molhados. Vontade de me lambuzar… Eu fiquei cheio de vontade de contar o sonho, mas você teve que dormir… Depois tive outro sonho mais doido. rs”, escreveu o professor. Conhecido pelos alunos do Colégio Brigadeiro Newton Braga como sonhador, por conta do modo repetitivo e inconveniente de abordar alunas menores de idade através das redes sociais, Álvaro parece, de acordo com as novas denúncias, utilizar a mesma tática para se aproximar de outras mulheres.

“Confesso que eu pensei que fosse comentar do sonho na terça… Mas fiquei meio sem jeito… kkk”, comentou Álvaro.

Mesmo após ficar sem respostas por três dias, o professor tentou retomar a conversa com a estagiária nos dias 30 de maio e 1 de junho.

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