Pesquisa aponta que 30% dos brasileiros acham aceitável espionar o smartphone do parceiro

Pesquisa realizada pela empresa de cibersegurança Kaspersky apontou que um em cada 10 brasileiros recebeu um pedido do parceiro para instalar um programa de monitoramento no celular. O estudo evidenciou que 30% dos entrevistados acredita ser justificável realizar o monitoramento sem o consentimento da pessoa “amada”.

O dado é alarmante, principalmente porque espionar alguém sem permissão configura uma grave violação da privacidade, além de ser crime previsto na Lei 9.296/1996. Ainda assim, 14% dos brasileiros acham normal fazer o rastreamento, enquanto 16% acreditam que ele é justificado apenas em certas circunstâncias. Entre as motivações usadas para justificar a atitude está uma possível infidelidade (67%), questões de segurança (54%) e uma suspeita de atividade criminosa do parceiro.

Espionar o celular de outra pessoa pode ser sintoma de relação abusiva

Milena Lima, delegada de polícia com atuação especializada em crimes digitais e violência contra mulheres, diz, ainda, que é muito comum a pessoa abusadora disfarçar sua verdadeira intenção explicando a necessidade do monitoramento por questões de segurança ou prova de confiança.

“Essa falsa justificativa é usada para persuadir vítimas do crime de stalking, sendo preocupante o número de pessoas que acabam se sujeitando ao controle por desconhecer seus direitos e até mesmo por não se enxergarem como vítima de abuso”, diz a especialista.

Cyberstalking
Cyberstalking é a vigilância frequente e indesejada da vida de alguém. O stalkerware, termo usado para descrever programas de vigilância que monitoram secretamente aparelhos de terceiros, pode rastrear os movimentos de qualquer pessoa usando o GPS para monitorizar redes sociais, ligações, mensagens, fotos e tudo o que é feito no celular. Estes programas funcionam em segundo plano, ocultos, e a vítima não sabe de sua presença. 

Durante as entrevistas, a pesquisa da Kaspersky também mostrou que cerca de 23% das pessoas no Brasil aceitariam o monitoramento em determinadas condições: 11% para segurança e 12% caso ele fosse mútuo.

No Brasil, 26% suspeitam que seus parceiros os espionam com um programa instalado no celular.

O estudo “Stalking online em relacionamentos” foi realizado a pedido da Kaspersky pela empresa de pesquisa Sapio de forma online em setembro de 2021 e abrangeu um universo de 21 mil participantes de 21 países, incluindo o Brasil. 

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