Tragédia na chuva: mais uma vez, Pernambuco tem mortes, desaparecidos e sonhos interrompidos em meio à falta de solução de problemas antigos

Este sábado, 28 de maio, é de dor, gritos, desespero, angústia e medo em diversas partes do Estado de Pernambuco, especialmente no Grande Recife, onde uma tragédia anunciada de fortes chuvas deixou pelo menos 34 mortos, além de várias pessoas feridas, outras desaparecidas e mais de 1,3 mil que precisam deixar suas casas para se afastar de riscos de novos alagamentos e deslizamentos. A Zona da Mata Norte também tem sido bastante afetada por um evento anualmente já conhecido e previsível para os governantes.

O balanço divulgado pelo governo estadual, no início desta noite, diz que foram registrados 34 óbitos desde a última quarta-feira (25): 4 mortes em Olinda, 21 no Recife, 7 em Camaragibe e 2 em Jaboatão dos Guararapes. Desse total, 29 foram confirmados apenas neste sábado, o que inclui as vítimas fatais da ocorrência mais grave: no Jardim Monte Verde (área limítrofe entre Recife e Jaboatão dos Guararapes), onde 19 pessoas faleceram por causa de um deslizamento de barreira.

Infelizmente há outras mortes, como as que foram relatadas por unidades de saúde e Corpo de Bombeiros, que (ainda) não aparecem oficialmente entre as vítimas fatais. Entre elas, duas crianças que, segundo a assessoria de comunicação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Curado, Zona Oeste do Recife, foram a óbito após deslizamento de barreira. Elas tinhas 1 ano e 2 anos de idade.

Além disso, o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco, que tem atendido as ocorrências referentes a deslizamento e desabamento no Grande Recife, confirmou que, na Rua dos Milagres, no bairro do Barro, na Zona Oeste da cidade, foram cinco vítimas fatais neste sábado. Na localidade, assim como em várias outras da capital, os bombeiros seguem nas buscas por pessoas desaparecidas.

O Grande Recife, em poucas horas, foi devastado por um temporal cujas consequências já são conhecidas de anos anteriores. Ruas inundadas, bairros alagados, casas derrubadas, vidas perdidas, comércio afetado, interdições em estradas, hospitais e serviços de saúde com atendimentos comprometidos formam o retrato de uma tragédia que se repete devido à falta de solução de problemas antigos, como a falta de planejamento urbano.

Não é fatalidade; as perdas não são fruto do acaso nem do imprevisível. Histórias são destruídas e sonhos passam a ser interrompidos com o cenário de catástrofe e de destruição que se repete anualmente, devido a uma combinação de inexistência de políticas públicas que possam garantir moradia segura, de ausência de investimento para evitar novas calamidades e da falta de ação diante de alertas feitos por especialistas.

Após as fortes chuvas deixarem perdas e dores, o governador Paulo Câmara anunciou a antecipação da nomeação de 92 novos soldados do Corpo de Bombeiros, que tomariam posse a partir de 6 de junho, para reforçar o trabalho de socorro às vítimas das chuvas. Os novos bombeiros começam a atuar a partir do domingo (29), à medida em que se apresentarem. O governador também solicitou o apoio do Comando Militar do Nordeste com efetivo, embarcações e aeronaves, para o serviço de busca e salvamento.

“Sobrevoamos as cidades da Região Metropolitana, inclusive a localidade de Jardim Monte Verde. Temos várias ocorrências em diferentes locais ao mesmo tempo, e nossas equipes estão todas empenhadas. Já chamamos todo mundo que estava de folga para o serviço, e o nosso efetivo está nas ruas. Vamos procurar intensificar isso com essas ajudas que estamos solicitando, desde as nomeações dos novos bombeiros, como também Forças Armadas e profissionais dos Estados vizinhos”, frisou Paulo Câmara.

O governador ressaltou, em entrevista ao NE2, da TV Globo, que é necessário se “precaver diante da gravidade das chuvas que ocorrem desde última quarta-feira (25) no Grande Recife e que é preciso realmente de um esforço conjunto de todos para que tragédias como as de hoje (sábado) não ocorram mais”.

A Região Metropolitana do Recife, a Zona da Mata e o Agreste de Pernambuco registraram das 6h da sexta (27) até 6h do sábado (28) precipitações acima de 100 milímetros. As cidades de Itapissuma e Itaquitinga tiveram mais chuva nesse período do que o total previsto para todo o mês de maio. Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes, São Lourenço da Mata, Igarassu e Abreu e Lima registraram precipitações acima de 200 milímetros em 24 horas.

No início desta noite, a Prefeitura do Recife declarou situação de emergência devido às fortes chuvas que atingem a cidade. “A gente sabe a dor desse momento, e nós não vamos parar um só minuto até garantir a segurança de todos e todas e restabelecer o funcionamento da nossa cidade”, afirmou o prefeito João Campos. Ele enfatizou que o município tem 3 mil profissionais atuando na linha de frente neste momento, sendo 400 desses da Defesa Civil.

Por causa do fenômeno Ondas de Leste, de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), as chuvas chegaram a 445,69 milímetros, nas últimas 96 horas, no Recife. A previsão da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) é que as chuvas intensas devem continuar neste domingo (29).

“Os avisos meteorológicos ainda indicam que pode haver chuvas de hoje para amanhã de intensidade moderada a forte. Quem está em local de risco deve procurar um abrigamento, que pode ser a casa de um parente ou amigo ou um de nossos abrigos. Nós já estamos com 30 abrigos que estão sendo utilizados em nossas escolas. Em todos eles nós vamos garantir alimentação, colchão, itens de higiene e lençol para poder garantir a saúde de todos e todas”, garantiu João Campos.

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