Chefe da Defesa Civil do Recife é réu na Justiça Federal por desvio de verbas para cidades atingidas por cheia há mais de 12 anos

O chefe da Defesa Civil do Recife, Cássio Sinomar Santana, que comanda as ações em áreas de risco em meio às chuvas que já mataram mais de 120 pessoas em Pernambuco nos últimos dias, é réu na Justiça Federal por fraudes em ações de auxílio em cidades pernambucanas atingidas por cheias há mais de 12 anos.

Em 2010, Sinomar, que é coronel do Corpo de Bombeiros, era coordenador da Defesa Civil do estado e atuava na Casa Militar. Investigação do Ministério Público Federal e Polícia Federal apontou a atuação de um grupo criminoso que praticou fraudes na execução de ações de auxílio à população afetada pelas chuvas naquele ano.

O atual chefe da Defesa Civil do Recife se tornou alvo de duas ações penais que ainda estão em andamento. De acordo com o MPF, as irregularidades incluíram fraudes em licitações, prática de sobrepreço, celebração de aditivos irregulares, pagamento por mercadorias não recebidas e serviços não prestados, entre outras irregularidades. Ainda não houve condenação no caso.

As empresas ligadas ao esquema, segundo as investigações, foram contratadas várias vezes para fornecimento de produtos e serviços em auxílio às vítimas das chuvas, como filtros de água, colchões, cobertores e água mineral.

Os agentes públicos envolvidos desviaram parte dos recursos repassados pela União, segundo as investigações da Operação Torrentes. A Justiça Federal informou que as duas ações penais seguem em andamento, na fase de produção de provas periciais, e ainda não houve condenação.

O g1 entrou em contato com a Defesa Civil, para saber o posicionamento do coronel Cássio, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O g1 também procurou a prefeitura do Recife para comentar sobre o caso.

A assessoria da prefeitura informou que a carreira pública de 25 anos de Cássio Sinomar “é pautada pelo compromisso com a população e amparada pela seriedade em sua atuação ética”.

Ainda segundo a administração municipal, “a devida apuração dos fatos concluirá, respeitado o direito de ampla defesa, que seus atos foram praticados de acordo com a lei”.

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