Com a alta no preço, brasileiros buscam alternativas para o uso do gás de cozinha

Por causa da alta do preço do botijão, brasileiros estão tentando sobreviver sem o gás de cozinha.

Café na casa de Telma Dias do Vale é ganha-pão. Ela prepara a bebida para vender na porta da estação de trem. O bolo compra pronto. É que o caseiro virou um luxo.

“No fogão a gás, não tem como fazer, porque não tem condição de assar. Se eu for usar o forno, meu gás vai durar o quê? Quinze dias, dez dias? O que eu ganho na rua não dá para isso” diz.

O preço do gás é uma preocupação coletiva na ocupação onde Telma mora, em São Paulo. Em um terreno, vivem 12 famílias. É praticamente porta com porta e, nos últimos meses, ficou cada vez mais comum bater na casa do vizinho com a panela nas mãos para pedir ajuda. É que o gás acaba e falta dinheiro para comprar um novo botijão.

“Aqui no quintal, é como se fosse uma grande família. Sai correndo com a panela, sai correndo com o leite e a panela para fazer o leite da criança, ou para terminar de secar o arroz, cozinhar um feijão”, conta Telma.
Dados da Agência Nacional do Petróleo mostram que o preço médio do botijão de gás no país está em R$ 113, o que representa quase 10% do salário mínimo, de R$ 1.212, que é o que ganham 35% dos brasileiros ocupados, segundo a Pnad.

Em São Paulo, a maior cidade do país, um levantamento do Instituto Pólis mostra que o preço do gás compromete uma parcela ainda maior da renda das famílias mais pobres. Pode chegar a 25%.

“O que a gente conclui é que as pessoas, muitas vezes, deixam de comprar ou ter algum bem, um alimento, uma coisa para comprar o seu GLP para pagar sua energia. Isso tem impactado de forma mais grave as pessoas negras, também mulheres chefes de família, porque essas pessoas, geralmente dentro dessa classe, também de renda, são as que mais sofrem. Consequentemente, quando o GLP, que também é esse bem essencial para essas pessoas, acaba impactando diretamente a vida delas também”, explica Clauber Barão Leite, coordenador de projeto do instituto.

Já faz quatro dias que acabou o gás no fogão da funcionária de serviços gerais Ilda Aparecida Ferreira. Ela tomba o botijão para conseguir os últimos minutinhos de chama. O salário dela, mínimo, é a única renda da casa, onde moram três pessoas.

“Estou esperando receber para encher o bujão de novo”, conta ela.

Mas como será que a auxiliar de serviço gerais está se virando?

“Eu tenho a panela elétrica, chaleira elétrica, eu fervo água, faço arroz, faço tudo na panela elétrica. O que fazer? Vai se virando como pode. Não tem outro jeito”, afirma.

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