Fachin reage a pressão do governo e abre processo no TSE sobre fiscalização da eleição

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luiz Edson Fachin, determinou nesta terça-feira (21) a instauração de um processo administrativo a fim de acompanhar os procedimentos de fiscalização e auditoria do sistema eletrônico de votação durante as eleições deste ano.

A instauração do processo foi uma reação a dois ofícios enviados na véspera a Fachin pelos ministros da Defesa e da Justiça, Paulo Sérgio Nogueira e Anderson Torres, respectivamente.

Torres informou ao presidente do TSE que a Polícia Federal vai participar da fiscalização das urnas eletrônicas e poderá usar programas próprios para isso. Nogueira pediu reunião exclusiva entre técnicos das Forças Armadas e do TSE para tratar da parte operacional das eleições, a fim de “dirimir eventuais divergências técnicas” e “discutir as propostas apresentadas pelas Forças Armadas”.

As iniciativas dos dois ministros do governo foram adotadas no contexto das suspeitas — sem provas — que o presidente Jair Bolsonaro costuma lançar sobre o sistema eleitoral e as urnas eletrônicas.

Pré-candidato à reeleição, mas atrás do petista Luiz Inácio Lula da Silva em todas as pesquisas de intenção de voto, Bolsonaro chegou a sugerir uma apuração paralela das eleições pelas Forças Armadas.

Especialistas e autoridades, inclusive peritos da PF, sempre destacam que a urna eletrônica é segura, os votos são auditáveis e diversos órgãos do Estado brasileiro participam de todas as etapas do processo de fiscalização, como a própria PF e o Congresso Nacional.

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