Marcelo Rebelo de Sousa desdenha a descortesia de Bolsonaro

“Ninguém morre.” Simples assim foi a reação do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, ao ser desconvidado para almoçar com o seu homólogo brasileiro. Mordido pela informação de que o português se reuniria também com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jair Bolsonaro cancelou o encontro, sem maiores explicações.

Marcelo, como ele prefere ser chamado pelos portugueses, mostrou que a indiferença também pode ser um prato que se come frio. Desdenhou a desfeita do atual mandatário e manteve a agenda no país, que abrange ainda os encontros com os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer.

O presidente português deixou claro que a relação entre Portugal e Brasil ultrapassa um aperto de mão protocolar em Brasília e que o fundamental é “olhar para os povos”: a forte presença brasileira em Portugal e vice-versa.

Esta é a sexta vez que o presidente de centro-direita, filiado ao Partido Social-Democrata, visita o Brasil desde que assumiu o cargo, em 2016. Esteve três vezes com Bolsonaro e, no ano passado, também se encontrou com os três ex-presidentes brasileiros.

Aos 73 anos, Marcelo, ou simplesmente “Professor”, tem a seu favor a popularidade, o traquejo e a experiência política. Não se deixa levar facilmente pelas armadilhas diplomáticas que lhe jogam.

Reeleito presidente em 2021, já no primeiro turno com 60,7% dos votos, ele mantém o prestígio em alta. Os portugueses se acostumaram a vê-lo, sempre discreto, aguardando a vez na fila do supermercado ou consolando vítimas de alguma tragédia. O presidente abraça de verdade, sem pieguice ou à caça de votos.

Nas pesquisas, os portugueses corroboram a sensação de confiança no chefe de Estado. Prova disso é a sondagem realizada mês passado pela Intercampus para o “Jornal de Negócios”: Marcelo foi considerado o melhor presidente entre cinco da História recente do país, seguido, na ordem de preferência, por Ramalho Eanes, Jorge Sampaio, Mário Soares e Aníbal Cavaco Silva.

À vontade em solo brasileiro, Marcelo Rebelo de Sousa reforça a imagem de estadista, demonstrando que não será ele a contribuir para isolar ainda mais o Brasil no cenário internacional.

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