Em Santos, intérprete de Libras participa pela 1ª vez do parto do filho de um casal surdo

Miguel é o segundo filho da zeladora Shirley França de Souza, 36 anos, e o primeiro do operador Gabriel Luiz dos Santos Silva, de 27 anos, ambos surdos que se comunicam preferencialmente na Língua Brasileira de Sinais. O menino veio à luz no último dia 6 julho no Hospital e Maternidade Dr. Silvério Fontes, na zona noroeste de Santos, litoral sul de SP, parto que teve, pela primeira vez na região, acompanhamento de uma intérprete da Central de Libras da Prefeitura.

Shirley e Gabriel são surdos oralizados, mas é difícil sustentar uma longa conversa com ouvintes, o que torna fundamental a fluência em Libras. No começo do pré-natal, a mãe não pediu intérprete e, em determinado momento, isso impediu uma comunicação segura com a médica.

“Seria muito difícil continuar porque ninguém da minha família sabe Libras. Poderiam me passar alguma informação errada. Foi muito importante ter junto comigo alguém fluente nas duas línguas (português e a língua de sinais)”, diz Shirley, que relembra as dificuldades no nascimento da primeira filha, Ysabella, atualmente com 5 anos. “Aquela comunicação foi toda por escrito, eu entendia, mas sempre com medo de haver alguma falha. Agora, com a intérprete aqui, foi um alívio”, comenta.

Roseane Cristina Rosa, a intérprete, estava com o casal no momento do ultrassom que registrou os batimentos do coraçãozinho do bebê e escutou o som que Shirley e Gabriel não puderam ouvir, mas apenas ver, com o forte movimento replicado no monitor.

A participação de Roseane no parto foi um pedido de Shirley. No começo da madrugada do dia em que Miguel veio à luz, ela fez uma chamada de vídeo para a intérprete, que manteve o atendimento à distância até 4h, quando elas se encontraram no hospital. Miguel nasceu às 8h17 e Roseane continuou acompanhando o casal durante a internação, oito horas por dia, até a alta, no dia 8.

“O atendimento da Central de Libras ao munícipe surdo é bem amplo, abrange todos os aspectos da saúde e, pela primeira vez, seguiu até uma cesárea, com respaldo técnico e humanizado, de maneira igualitária”, afirma Cristiane Zamari, coordenadora do setor de Defesa de Políticas para a Pessoa com Deficiência (Codep) de Santos.

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