Em Pernambuco, 29 policiais foram denunciados por tortura em 2021. Nenhuma investigação foi concluída

Somente em 2021, a Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) instaurou dez procedimentos disciplinares para investigar as condutas de 29 policiais militares denunciados por tortura em Pernambuco. Mas, até hoje, todas as investigações seguem em andamento, sem previsão de conclusão.

O levantamento exclusivo foi obtido pela coluna Ronda JC por meio da Lei de Acesso à Informação. E mostra mais: quatro procedimentos disciplinares, também por tortura, foram instaurados entre 1º de janeiro e 15 de julho de 2022 no Estado. Ao todo, há 19 policiais militares sob investigação. Nenhum caso foi encerrado ainda.

O episódio mais recente de violência policial ocorreu no último dia 19 de julho, e ainda não entrou nessas estatísticas. Um adolescente de 13 anos contou ter sido agredido, roubado e mantido por mais de quatro horas numa viatura policial em Porto de Galinhas, Litoral Sul de Pernambuco.

Denúncia formalizada pela família da vítima, na Corregedoria da SDS, detalhou que o garoto voltava para casa, após jogar videogame, quando foi abordado por três policiais militares.

“Começaram a jogar spray e me dar chutes. Botaram a faca no meu pescoço e furaram minha mão. Diziam para entregar os ‘caras’, senão iam me enterrar, que não tinham medo de matar criança, não”, relatou a vítima, em entrevista à TV Jornal.

Após mais de quatro horas, o adolescente teria sido retirado da viatura e abandonado.Bastante machucado, foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Porto de Galinhas. Ao relatar o caso, a equipe médica chamou o Conselho Tutelar, que acionou a Corregedoria da SDS. O caso está sob investigação.

Vice-presidente da Comissão Especial de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Pernambuco (OAB-PE), a advogada Carina Acioly vê com preocupação o lento andamento das investigações de policiais na SDS.

“O trabalho da Corregedoria é fiscalizar os seus pares. Mas qual o problema, na minha visão? É o corporativismo. A impressão, nesses processos, é que há pouca punição. As investigações são lentas, muitas são engavetadas e acabam prescrevendo. Além disso, também há muitos casos subnotificados”, afirmou.

Um episódio de violência policial que teve repercussão nacional ocorreu em 29 de maio de 2021. Policiais militares avançaram contra manifestantes que realizavam um ato pacífico com críticas ao governo Bolsonaro, na área central do Recife.

Na ocasião, dois trabalhadores que não participaram da manifestação, foram atingidos nos olhos com tiros de elastômero (bala de borracha) disparados por policiais militares.

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