Número de mulheres candidatas nas eleições é recorde, mas crescimento desacelera

Com 9.415 pedidos de registro de candidaturas, o que representa 33% dos concorrentes a uma vaga nas eleições de 2022, as mulheres terão participação recorde nas urnas neste ano. O crescimento feminino na política, porém, vem desacelerando no país.

Enquanto o aumento foi de 60,6% de 2010 a 2014, e de 13,3% de 2014 a 2018, neste ano o crescimento ficou em 2,2% em comparação com as eleições gerais anteriores. Os dados parciais são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base nos registros informados na plataforma Divulgacand na terça-feira (16).

De acordo com a cientista política Maiane Bittencourt, que estuda a participação de mulheres na política e é pesquisadora do Observatório do Legislativo Brasileiro, ligado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a desaceleração do crescimento é uma tendência e o principal motivo é a falta de financiamento.

Os homens, segundo ela, teriam mais recursos próprios e mais facilidade de obter capital. “A prioridade nos partidos vai para os candidatos que eles acreditam serem mais competitivos, terem mais chances de ganhar e, infelizmente, as mulheres não são maioria nessa lista”, aponta Maiane.

Um caso que ilustra esse cenário é o da disputa eleitoral no Ceará. A atual governadora, Izolda Cela, mesmo estando no controle do Executivo, não foi a escolhida pelo seu partido, o PDT, para concorrer às eleições de 2022, sendo preterida pelo ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, apoiado por Ciro Gomes.

O caso contrariou o PT, que apoiava a reeleição da governadora, e a presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, disse que a troca teve teor machista. Após o episódio, Izolda deixou o PDT.

As mulheres são maioria no país. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados em julho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 51,1% da população brasileira em 2021 era do sexo feminino. O dado representa 4,8 milhões de mulheres a mais que homens no Brasil.

Apesar disso, o número de candidatas mulheres ainda está longe de espelhar a sociedade. O estado, por exemplo, com a maior proporção de candidatas é o Rio Grande do Norte, com 194 mulheres (35,54% do total). Já a unidade da federação com menos candidatas é o Rio de Janeiro, com 868 mulheres (31,89%).

Entre as legendas, o PL do presidente Jair Bolsonaro lidera o ranking de partidos com mais candidatas, tendo 501 mulheres. O número ainda é a metade das candidaturas dos homens: 1.077. O PCB, apesar de ter lançado Sofia Manzano à Presidência da República, fica na base do ranking, com 30 mulheres – e 53 homens. Eles também são os partidos em primeiro e em penúltimo lugar em número de candidaturas, respectivamente.

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