Líderes ocidentais pedem inspeção e alertam contra operações militares perto de usina nuclear ucraniana

Os presidentes Joe Biden (EUA) e Emmanuel Macron (França), o chanceler Olaf Scholz (Alemanha) e o primeiro-ministro Boris Johnson (Reino Unido) pediram, em uma conversa telefônica entre eles, o envio rápido de uma missão de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) à Usina Nuclear de Zaporizhzhia. O teor da conversa foi divulgado em comunicado pela Casa Branca neste domingo (21).

O intuito da missão, cuja operação não foi detalhada, é realizar atividades de segurança e proteção no local. O comunicado também reafirma a necessidade de evitar operações militares em locais próximos da usina.

“Os líderes afirmaram seu apoio contínuo aos esforços da Ucrânia para se defender contra a agressão russa. Eles também discutiram a situação na Usina Nuclear de Zaporizhzhya, incluindo a necessidade de evitar operações militares perto da usina e a importância de uma visita da AIEA o mais rápido possível para verificar o estado dos sistemas de segurança”, diz o comunicado.

A usina, a maior da Europa, foi ocupada em março por tropas russas. Mas, nas últimas semanas, o local começou a sofrer bombardeios, o que elevou o risco de um acidente nuclear. A IAEA já havia apontado, na semana passada, que o risco de um acidente nuclear na usina é muito alto, o que gerou fortes preocupações entre a comunidade internacional.

O aumento dos combates ao redor da usina nuclear no sul da Ucrânia levantou o espectro de uma catástrofe pior que Chernobyl. Rússia e Ucrânia se acusam mutuamente pela responsabilidade dos ataques.

Na sexta-feira (19), Macron afirmou que o chefe de Estado russo, Vladimir Putin, havia aceitado que os inspetores da AIEA visitassem a fábrica.

Durante as conversas por telefone neste domingo, os quatro líderes ocidentais também “concordaram que o apoio à Ucrânia será mantido, em defesa contra a agressão russa”.

Situação e ameaças contra a usina

A usina nuclear de Zaporizhzhia é a maior da Europa e está sob domínio das forças russas desde março.

O complexo foi bombardeado no começo do mês. Ucrânia e Rússia se acusam mutuamente pela autoria do ataque. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), essa é a primeira vez que há uma guerra em um país que tem uma rede de energia nuclear grande e estabelecida. O órgão já alertou que “há um risco muito real de desastre nuclear”.

Na pior das hipóteses, um possível acidente nuclear seria equivalente a 10 vezes o do desastre de Chernobyl, embora Zaporizhzhia seja mais segura.

Em 26 de abril de 1986, a área de Chernobyl foi palco do maior acidente nuclear da história, quando um reator explodiu durante um teste de segurança na usina, liberando 200 toneladas de material radioativo na atmosfera.

“A Rússia poderia negar esse ataque [à usina de Zaporizhzhia] e ficaria um jogo de versões”, explica Vitelio Brustolin, pesquisados das faculdades de Direito e História da Ciência de Harvard. “Ninguém saberia ao certo quem atacou de fato.”

O funcionamento da usina de Zaporizhzhia tem sido mantido por ucranianos rendidos por soldados russos.

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