Pernambuco terá eleição com 5 candidatos fortes ligados a clãs familiares

Com cinco palanques competitivos na disputa sucessória pelo governo estadual, a eleição em Pernambuco será inédita, centrada em candidatos com raízes familiares na política e com o PSB enfrentando ex-aliados.

A fragmentação aumenta a possibilidade de um segundo turno na disputa pela sucessão de Paulo Câmara (PSB), algo que não acontece desde 2006, quando Eduardo Campos (1965-2014) venceu a eleição, abrindo caminho para 16 anos de hegemonia da legenda.

Marília Arraes (Solidariedade), Raquel Lyra (PSDB), Miguel Coelho (União Brasil), Anderson Ferreira (PL) e Danilo Cabral (PSB) são os cinco primeiros colocados nas pesquisas. A ordem se alterna a depender dos institutos, com apenas a primeira colocada nítida nos levantamentos.

Líder nas pesquisas, Marília trava uma batalha pelos votos lulistas com Danilo Cabral. Apesar de o candidato do PSB ser apoiado oficialmente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a neta do ex-governador Miguel Arraes (1916-2005) usa a imagem do ex-presidente nos palanques e lembra os vínculos com o PT, partido ao qual foi filiada por seis anos.

Depois de rejeitar a proposta do PT de disputar o Senado aliada ao PSB, Marília lançou sua candidatura a governadora em março, após migrar para o Solidariedade, que integra a coligação de Lula. Atraiu, desde então, Avante e PSD, que estavam na base do governo Paulo Câmara.

No campo governista, o PSB prepara uma ofensiva contra Marília a partir do início da propaganda de rádio e TV, no dia 26. A sigla questionará a atuação parlamentar de Marília e suas alianças políticas, além de colocar em xeque a lealdade da candidata à história do avô.

Prevendo o embate que está por vir, Marília tem feito acenos a eleitores conservadores na tentativa de consolidar a liderança mesmo com eventuais perdas de votos após o início dos ataques do PSB, seu antigo partido, ao qual faz oposição desde 2014. Recentemente, ela se posicionou contra o aborto e criticou a linguagem neutra.

Após fazer uma campanha baseada no antipetismo contra Marília no segundo turno da disputa pela Prefeitura do Recife em 2020, o PSB deu uma guinada. Agora, a principal estratégia para alavancar a campanha de Danilo Cabral é associá-lo a Lula, inclusive com a música principal da campanha sendo batizada de “Danilula”.

Mesmo sendo apoiado por Lula, Danilo é questionado por militantes do PT. Em ato com o ex-presidente em julho, parte dos apoiadores do petista fez coro por Marília, causando desconforto no PSB.

Uma vitória de Danilo é tida como essencial nos bastidores para os planos do PSB em 2026. Com apoio da máquina do governo, o partido acredita que o caminho será mais fácil para João Campos ser eleito governador.

Uma ala do partido defende que, mesmo se Danilo vencer, não seja candidato à reeleição, abrindo espaço para um dos filhos do ex-governador Eduardo Campos, que não podia ser candidato neste ano por não ter 30 anos, a idade mínima para chefiar Executivos estaduais.

Danilo é filho do ex-deputado estadual Adalberto Cabral e é de confiança da família Campos, influente no PSB.

Aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL), Anderson Ferreira (PL) busca se vincular ao presidente para se consolidar com uma das vagas ao segundo turno. O candidato bolsonarista é integrante de uma família de políticos ligada ao segmento evangélico.

Anderson foi prefeito de Jaboatão dos Guararapes, segunda maior cidade de Pernambuco, de 2017 a março de 2022. Nos últimos anos, esteve na oposição ao PSB no estado. No governo de Eduardo Campos, foi aliado do partido.

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