Ofensiva religiosa de Bolsonaro faz Lula reagir, mas QG petista quer foco em economia

O QG de campanha de Lula vê com preocupação a reação do petista à ofensiva religiosa de Jair Bolsonaro (PL) para desgastar o adversário junto ao eleitorado evangélico.

Segundo o Datafolha, a intenção de voto em Bolsonaro no primeiro turno subiu de 43% em julho para 49% na pesquisa feita entre 16 e 18 de agosto. Lula variou de 33% para 32% (a margem de erro no segmento é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos).

O avanço ocorre em meio a acenos explícitos de Bolsonaro– como a participação ativa da primeira-dama, Michelle, que é evangélica – e dos ataques de pastores e religiosos bolsonaristas ao candidato petista.

A equipe de campanha do petista vem adotando estratégias para contrapor esse avanço e, no fim de semana, Lula voltou a falar de religião, tema que tem sido dominante em seus atos de campanha.

Num comício em São Paulo, no sábado (20), o presidente disse que “igreja não é palanque político”. No domingo (21), voltou ao tema num vídeo postado em sua conta oficial no Twitter, no qual defendeu o tratamento dado pelo governo dele aos evangélicos.

Esse protagonismo do ex-presidente na reação, entretanto, preocupa a equipe de campanha. Parte dos auxiliares é contra, pois avalia que Lula pode estar sendo levado a jogar no campo do adversário, abandonando a pauta da economia – que é justamente o que Bolsonaro quer, segundo esses assessores.

Além disso, assessores do petista avaliam que ao falar em público, de improviso – como é de seu feitio e que foi uma estratégia vencedora em eleições passadas –, Lula fica vulnerável à divulgação, em redes sociais, de trechos de discursos do ex-presidente com interpretações diferentes das pretendidas por ele.

O QG do petista espera que as manifestações dele sobre religião durante o fim de semana sejam as últimas, e que o ex-presidente volte a falar de economia. Se houver interesse em falar aos evangélicos, isso não pode ser feito de improviso e deve focar em pontos que, na visão dos assessores petistas, podem desgastar Bolsonaro com esse eleitorado, como a ampliação do acesso às armas.

Até aqui, o plano é que o primeiro programa de TV do petista que vai ao ar no sábado (27) passe longe disso e foque em mostrar a escolha entre Lula e Bolsonaro como a escolha entre a democracia e a barbárie. A equipe de campanha quer apresentar um eventual novo governo do ex-presidente como um projeto de transição de apenas 4 anos, sem reeleição.

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