Marcelo Rebelo de Sousa é novamente alvo de constrangimento por parte de Bolsonaro

É de se estranhar que o experiente Marcelo Rebelo de Sousa, no segundo mandato como presidente de Portugal, não tenha previsto que seria novamente alvo de constrangimento por parte de seu homólogo brasileiro, Jair Bolsonaro. Coube ao espalhafatoso empresário Luciano Hang o lugar de destaque na tribuna de honra em Brasília, posicionado entre os dois presidentes, durante parte da cerimônia.

Deslocado, Rebelo de Sousa atuou como figurante no palanque em Brasília, pretensamente criado para comemorar o bicentenário da Independência e, desde sempre, transformado em comício eleitoral pelo presidente que busca a reeleição. Do alto, além de um discurso de campanha, Rebelo de Sousa ouviu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser xingado de ladrão e o atual mandatário ser enaltecido pela suposta virilidade.

Nas fotos, ele aparece com Bolsonaro atrás de uma bandeira nacional, com o desenho de um feto, em que o lema Ordem e Progresso foi substituído por “Brasil sem aborto” e “Brasil sem drogas”. Portugal já superou os dois temas: legalizou o aborto voluntário em 2007 e há 22 anos tornou-se referência mundial na regulação das drogas, descriminalizando o uso de entorpecentes.

Puxado por Bolsonaro, Hang, o dono da Havan e cabo eleitoral, é um dos oitos empresários investigados pela PF por suspeita de defenderem, num grupo de WhatsApp, um golpe de Estado caso Lula vença as eleições.

Resta saber por que Rebelo de Sousa, chamado de “Professor” pelos portugueses”, se prestou ao embaraço de ser esnobado de novo por Bolsonaro. Há dois meses, foi desconvidado para um almoço pelo presidente brasileiro, irritado depois que soube que ele se encontraria também com o ex-presidente Lula na viagem ao Brasil. Na ocasião, Rebelo de Sousa desdenhou a descortesia e reagiu com indiferença.

Neste 7 de Setembro, o presidente português justificou a sua presença no palanque, ao assegurar que não ficou desconfortável, embora o semblante sério revelasse o contrário. Preferiu alegar que a História mostrará que Portugal estava representado na comemoração dos 200 anos da independência do Brasil.

De onde estava, disse ainda, não ouvia as palavras de ordem gritadas pela multidão em apoio a Bolsonaro e contra Lula, nem percebeu que posou com a bandeira adulterada. No mínimo, faltou um assessor ao seu lado para alertá-lo.

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