Sucessão de Charles desperta pedidos caribenhos por reparações e remoção do monarca como chefe de Estado

A ascensão do rei Charles III ao trono britânico provocou novos apelos de políticos e ativistas de ex-colônias inglesas no Caribe para remover o monarca chefe de Estado de seus países e para que a Grã-Bretanha pague reparações por escravidão.

Charles sucede sua mãe, a rainha Elizabeth II, que governou por 70 anos e morreu na tarde de quinta-feira (8) no Palácio de Balmoral, na Escócia.

O primeiro-ministro da Jamaica disse que seu país lamentaria por Elizabeth, e seu colega em Antígua e Barbuda ordenou que as bandeiras ficassem a meio mastro até o dia de seu enterro. Mas, extraoficialmente, há dúvidas sobre o papel que um monarca distante deve desempenhar no século XXI.

No início deste ano, alguns líderes da Commonwealth expressaram desconforto em uma cúpula em Kigali, na Ruanda, sobre a passagem da liderança do clube de 56 nações de Elizabeth para Charles.

Pouco depois, uma viagem dos agora príncipes de Gales William e Kate para a Jamaica e Bahamas foi marcada por pedidos de pagamento de reparações e um pedido de desculpas pela escravidão.
“À medida que o papel da monarquia muda, esperamos que esta seja uma oportunidade para avançar nas discussões sobre reparações para nossa região”, disse Niambi Hall-Campbell, acadêmica que preside o Comitê Nacional de Reparações das Bahamas, na quinta-feira (8).

Hall-Campbell enviou condolências à família da rainha e notou o reconhecimento de Charles da “atroz atrocidade da escravidão” em uma cerimônia no ano passado marcando o fim do domínio britânico em Barbados. O país se tornou uma república.

Ela disse esperar que Charles lidere de uma maneira que reflita a “justiça exigida dos tempos. E essa justiça é justiça reparatória”.

Mais de dez milhões de africanos foram algemados e levados ao tráfico de escravos no Atlântico por nações europeias entre os séculos XV e XIX. Aqueles que sobreviveram à viagem brutal foram forçados a trabalhar em plantações no Caribe e nas Américas.

A defensora jamaicana de reparações, Rosalea Hamilton, disse que os comentários que Charles em um discurso transmitido na conferência de Kigali sobre sua tristeza pessoal pela escravidão ofereceram “algum grau de esperança de que ele aprenderá com a história, entenderá o impacto doloroso que muitas nações sofreram até hoje” e abordará a necessidade para reparações.

O novo rei não mencionou reparações no discurso.

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