Serviço secreto da Venezuela comete crimes contra humanidade para reprimir oposição, afirma relatório da ONU

Os serviços de inteligência da Venezuela cometem crimes contra a humanidade sob ordens das esferas mais elevadas do governo para reprimir a oposição, afirma um relatório da ONU divulgado nesta terça-feira (20).

“Esse plano foi orquestrado no nível político mais alto, liderado pelo presidente Nicolás Maduro“, ressaltou em entrevista coletiva Marta Valiñas, presidente da Missão Internacional Independente da ONU sobre a Venezuela.

“Nossas investigações e análises mostram que o Estado venezuelano usa os serviços de inteligência e seus agentes para reprimir a dissidência no país. Isso leva à prática de crimes graves e violações de direitos humanos, incluindo atos de tortura e violência sexual”, denunciou Marta.

As conclusões do relatório mostram o papel do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) e da Direção de Contra-Inteligência Militar (DGCIM) na realização dos atos, “na execução de um plano orquestrado pelo presidente Nicolás Maduro e outras autoridades de alto nível para reprimir a oposição ao governo, inclusive cometendo torturas extremamente graves, o que constitui crimes contra a humanidade”, assinalou a missão.

A missão documentou 122 casos de vítimas que foram “submetidas a tortura, violência sexual e/ou outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes” perpetrados por agentes da DGCIM de 2014 até hoje.

Entre os métodos de tortura usados estão “espancamentos com objetos, choques elétricos, asfixia com sacos plásticos e posições de estresse, além de formas de tortura psicológica, como a ‘tortura branca'”, detalha o texto. Esses eventos ocorreram em sua sede em Boleíta, Caracas, e em uma rede de centros de detenção clandestinos em todo o país.

Em Caracas, a Provea, uma das ONGs mais atuantes em apontar violações dos direitos humanos no país, denunciou que dois funcionários do Sebin tentaram entrar em sua sede para intimidar parentes de trabalhadores detidos que concediam uma entrevista coletiva para exigir a libertação dos mesmos: “Parece muito preocupante, pois acreditamos que faça parte de uma escalada superior contra as organizações de defesa dos direitos humanos e contra aqueles que hoje denunciam a política repressiva do presidente Nicolás Maduro.”

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