“Eu sou uma candidata de oposição ao PSB”, diz Marília Arraes, em entrevista à Rádio Folha FM

Candidata a governadora de Pernambuco, Marília Arraes (Solidariedade) participou de sabatina na Rádio Folha FM 96,7, nesta segunda-feira (10).

Ancorada pelo radialista Jota Batista e com participação dos jornalistas Carol Brito e Edmar Lyra, a entrevista foi ao ar no programa Folha Política, entre 11h e 12h.

Sobre adiamento do guia eleitoral
A gente tem que explicar melhor o que está acontecendo. Não cabe aos candidatos ou candidatas fazer acordo. O programa eleitoral segue um calendário nacional. O que me foi perguntado foi se eu concordava com o adiamento. Eu disse que não seria possível. Consideramos que a população tem direito de nos ouvir. Não foi desrespeito ao luto. Desde o início me solidarizei. Não consegui ir a Caruaru por causa da correria. Não dependia de mim adiar. Não cabe politizar o sofrimento de uma família. Enfim, já foi superado. Quero deixar bem claro. Não dependia de mim. É um calendário nacional. Já estamos com funcionamento restabelecido

Salário dos secretários e da governadora
Quanto ao meu salário, eu não estou na política por causa de salário. Se não, teria que fazer outra coisa da minha vida. Aprendi com meu avô. Sobre ter salário atrativo para secretários, a gente precisa fazer um estudo sobre as questões administrativas. A partir de 31 de outubro, vamos fazer esse estudo, propondo enxugamento da máquina pública, inclusive para atrair pessoas da iniciativa privada

Apoio do PP
O PP ainda não dialogou comigo, mas vários de seus integrantes já declararam apoio a uma ou outra candidatura. O Estado está vivendo uma situação diferente no plano nacional. Aqui tudo está se encaminhando para ser da mesma maneira. Os bolsonaristas já declararam apoio a minha adversária.

Política e mágoa
Ao longo desses anos sempre fui perguntada sobre 2020, nunca fiz política com mágoa. Mas com a cabeça e pensando em quais são os nossos maiores objetivos. Pensando em o pobre voltar a ter dignidade. Desde que houve a possibilidade de reeleição, o que a gente viu foi nenhuma candidatura de situação. Essa etapa já foi exaurida. No dia 2 de outubro, Pernambuco escolheu duas forças: a mais conservadora, aliada a Bolsonaro e outra mais progressista, aliada a Lula. Foi se arrumando sem esforço. As forças mais conservadoras, ligadas a Bolsonaro, foram se aproximando da minha adversária. Ou é bolsonarista assumido ou enrustido. O projeto ligado a Lula é liderado por nós. Inclusive muito do que partidos como O PSOL vieram propor, já estava em nossas propostas. Não dá para dizer num momento desses que “tanto faz”. Não tem como dizer não sou contra nem a favor. Então, você não é a favor de Pernambuco. O embate que a gente precisa fazer é contra a opressão, o preconceito. Como dizia meu avô, unir Pernambuco.

Votação aquém do que as pesquisas apontavam
Não foi aquém do esperado por nós. Nunca chegamos a 38%. Nossas pesquisas internas apontavam até 30%. Eram muitas candidaturas, a estrutura de rua. Tanta coisa ocasionou. Quantos vereadores eu tinha comigo no Recife? Eu não tinha a prefeitura. Quando disputei a prefeitura (do Recife), em 2020, eu tinha dois vereadores. É melhor ter uma eleição apertada assim do que ter gente de salto alto. Não é bom pra ninguém. Eu quero ver todo mundo na rua. A lógica é totalmente diferente de 2020. A preocupação agora é a de eleger o presidente Lula. E vamos ganhar a eleição. É melhor começar pau a pau e crescer que repetir 2020, quando a gente cresceu e perdeu a eleição. Bom é ter a oportunidade de comunicar às pessoas o que queremos. A explicação é só uma: não tivemos voto para nos elegermos em 2020. Os sonhos que temos hoje são possíveis de realizar

Rigidez maior nas pesquisas
Hoje a gente vê a Justiça eleitoral muito prol pesquisa. Será que as metodologias são honestas? Claro que tem que se rever para termos institutos cada vez mais sério. Mas a gente está percebendo que oss institutos estão tendo cada vez mais dificuldade de fazer pesquisas. O próprio IBGE enfrenta dificuldade. Eu não sou estatística, não tenho condições de me aprofundar nessa análise.

Restrição de subir no palanque com o PSB
Subi no segundo turno de 2018 com Haddad. Qualquer divergência é menor do que a política de morte de Bolsonaro. Vamos juntar todos os que querem eleger o presidente Lula. Metade dos pernambucanos não tem o que comer ou vai comer muito mal. Se está todo mundo defendendo Lula, vamos trabalhar para ele ter mais votos aqui que no primeiro turno.

Um governo de Marília com Bolsonaro
Primeiro não trabalho com essa possibilidade. A gente tem enxergado uma vitória muito grande do presidente Lula. O projeto político e de governo é de diminuição das desigualdades, entre pessoas, entre pretos e brancos, homens e mulheres, Nordeste e Sudeste. Lula seria muito melhor para Pernambuco, porque ele pensa o país diferente de Bolsonaro. Mas eu dialogo com todas as pessoas. Dialogar é comigo mesmo, com todas as correntes partidárias. Vou correr atrás de todos os recursos necessários. Não espere de mim ficar reclamando. Problema existe pra gente resolver. Pode ter certeza.

PT aliado agora teria errado no primeiro turno?
Quem sou eu pra dizer se o PT errou ou não. Não vou dizer de maneira alguma o que eles devem fazer. Nosso diálogo vai ser com a instância partidária. Todas as decisões tomadas serão respeitadas. Fui agredida de todos os lados. Recebi tiros de seis candidatos. Passou. Agora a gente está aglutinando. Fiquei muito feliz com a unidade do PT e de ser novamente a candidata do presidente Lula, no Estado dele. Vamos olhar para frente. Fazer as resistências que precisam ser feitas

Debates
A maioria que está me ouvindo agora sabe que em 2018 fui a todos os debates. Acho que cometi um erro agora. Claro que teve a ver com a gravidez. Enfrentei muito preconceito por isso. De um machismo, de muita violência. O machismo é estrutural. Eu iria estar ali duas, três horas em pé. Foi um fator importante decidir não ir. Agora é diferente. É de uma para uma. Qual a estratégia que eu teria no primeiro turno? Levar tiro de todo mundo e disparar contra todo mundo? Ia ser uma carnificina. Estou muito feliz porque Pernambuco agora vai escolher uma mulher. E se depender de mim, o debate será de alto nível. Quero aproveitar para pedir a compreensão de nossos apoiadores. Não poderei estar presente em todos os lugares. Houve dias em que fui para sete municípios. Tem homem jovem, atleta, que não consegue. O erro foi não ter exposto que a gravidez foi uma das razões (para não ir aos debates). Também não sei se foi erro. Eu não paro não e consigo conciliar a maternidade com tudo que eu faço.

Vereadores do PSB Recife
2024 a gente vai ter que debater 2024. Pernambuco escolheu. Não fui eu, não foi você nem o PSB. As urnas escolheram duas candidaturas de oposição. Sempre tive uma relação excelente na Câmara. É natural que os vereadores se posicionem a meu favor. E será essencial pra minha candidatura.

Nota do PSB
Críticas administrativas à gestão que eu fiz foram pertinentes. Eu sou uma candidata de oposição ao PSB. A nota, que nem citou meu nome, foi um posicionamento político. Agora a gente está vivendo um momento de definição. Ou é de um lado ou é de outro lado. Quem defende Lula, quer que o pobre seja prioridade. O PSB, que já defendia isso, se juntou, inclusive por orientação do presidente Lula. É muito diferente apoiar e ser apoiado. Essa lógica é muito boa. Para o Brasil e para Pernambuco também

Nacionalização e os problemas de Pernambuco
Tem que ter esse debate. Nossa campanha no primeiro turno foi extremamente propositiva, diferente da dos outros candidatos. Discutimos a questão da saúde, a malha rodoviária, a educação, a falta d’água. Vamos para esse embate de ideias, de prioridade. Mas não podemos esquecer que Pernambuco fica no Brasil. E eu conheço Pernambuco inteiro. Não tem nenhuma cidade do Estado a qual eu já não tenha ido duas ou três vezes. Conheço a realidade, a lista de prioridades de estar lá. Ninguém é mágico pra resolver da noite pro dia. E a gente vai fazer. Pernambuco não se desenvolve se o Brasil não estiver bem

Raquel Lyra e a ligação da família com forças democráticas
Não estou antecipando nada. Estou dizendo que eu tenho posição. Vinte anos atrás votei em Lula. Meu lado é o de Lula. Quem não está com ele neste momento é a favor de Bolsonaro. Vinte anos atrás a gente não tinha um fascista contra um progressista. Neste momento para evitar um retrocesso maior é necessário e se posicionar para que Lula ganhe a eleição. Todas as forças bolsonaristas estão ao lado da outra candidatura. Contra fato não há argumentos.

Campanha
Todo mundo vai trabalhar junto, em organização, para integrar não só o PT, mas os outros partidos que vieram conosco.

Paulo Câmara
Não conversei sobre isso. Sou uma candidata de oposição. Não discutimos sobre isso. Está bem claro que eu sou oposição. O PSB sabe disso, o PT sabe também

André de Paula
A campanha do primeiro turno acabou. É hora de desarmar tudo o que foi armado. Sempre tive muito respeito a Teresa Leitão (petista eleita senadora). Estivemos em palanques diferentes nessa eleição. Ela está se recuperando e com certeza vai se engajar na campanha. Andrés está agora nos bastidores, nas articulações

João Campos
Ainda não, mas não há qualquer problema em dialogar com ele. Para evitar que forças ultrapassadas se reelejam.

Interlocutor do PSB
As conversas têm sido muito amplas. Líderes do PSB de várias reiões. Diálogo para todos os lados. Diálogo sempre. Inclusive escutando iniciativa privada. É essencial para fazer uma boa gestão. Ser governadora não é sentar numa cadeira e dar ordens

Relação com a Alepe
Vou cuidar primeiro da minha eleição aqui, vou focar nisso. Sobre a relação com a Assembleia, quem me conhece sabe. De todos os desafios que Pernambuco tem esse vai ser o mais fácil. Vamos conciliar deputados e deputadas. Quem ficar na oposição vai ter um respeito muito grande pelo nosso governo. Poder ter certeza, a relação com a Alepe vai ser tranquila

Papel de André de Paula e de Sebastião
Não discuti com eles nem com ninguém. A gente não faz política dessa maneira. A gente está preocupado em ganhar a eleição. André tem chance de ser ministro. Mas é cedo para discutir composição de governo. Mas terá paridade de gênero, negors e negras. Queremos a sociedade pernambucana representada no secretariado, nas autarquias

Agenda de Lula
Hoje e amanhã reunião de articulação da campanha do presidente Lula (para definir agenda do presidenciável). Achei melhor não termos encontro no fim de semana

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