MPF diz que investigações no Marajó não contêm ‘nada semelhante’ a torturas citadas por Damares

O Ministério Público Federal (MPF) afirmou que atuou em quatro instaurados para investigar denúncias sobre tráfico internacional de crianças que teriam ocorrido desde 1992 no arquipélago do Marajó, no Pará, mas que nenhuma delas mencionou nada semelhante às torturas citadas pela ex-ministra Damares Alves.

Recém-eleita senadora pelo Republicanos do Distrito Federal, Damares afirmou que crianças da Ilha de Marajó são traficadas e têm seus dentes “arrancados pra elas não morderem na hora do sexo oral”. Também disse que só se alimentam de “comida pastosa para o intestino ficar livre para a hora do sexo anal”.

De acordo com o comunicado, a unidade do MPF no Pará segue aguardando informações da secretária executiva do Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), Tatiana Barbosa de Alvarenga, sobre os supostos crimes citados pela ex-titular da pasta. Até o início da tarde desta quinta-feira o ministério não havia apresentado resposta.

Na terça-feira, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do MPF para a defesa dos direitos humanos, e o MPPA também solicitaram essas informações ao MMFDH.

“Membros do MPF no Pará, membros do MPPA e a PFDC pedem ao MMFDH que apresente os supostos casos descobertos pelo ministério, indicando todos os detalhes que a pasta possua, para que sejam tomadas as providências cabíveis”, diz o texto.

Ainda segundo a nota, “procuradores e procuradoras da República no Pará também pedem que a Secretaria Executiva do MMFDH informe quais providências tomou ao descobrir os casos e se houve representação (denúncia) ao Ministério Público ou à Polícia”.

Também de acordo com o texto divulgado pelo MPF, em relação a denúncias recebidas pelo MPF que não tratavam de tráfico internacional de crianças ou de outro crime que deve ser julgado pela Justiça Federal, as denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). Nesta quarta-feira, o MPPA divulgou nota informando que até agora também não recebeu denúncia formal ou prova do que a ex-ministra relatou.

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