Reunião de empresários para convencer empregados a votar em Bolsonaro é investigada em SC

O Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina (MPT-SC) informou que investiga o teor de áudios registrados em uma reunião na Associação Empresarial de Caçador (Acic), no Oeste catarinense, onde empresários discutem formas de convencer trabalhadores do município a votarem no candidato à reeleição para a presidência da República, Jair Bolsonaro (PL).

O MPT confirmou que o caso é investigado pela Procuradoria do Município de Joaçaba como suposto assédio eleitoral cometido por entidades empresariais.

A gravação ganhou repercussão após reportagem da Revista Fórum, publicada em 13 de outubro, da qual o g1 SC teve acesso nesta sexta-feira (14). O áudio foi confirmado à reportagem pelo MPT-SC.

A prática de assédio eleitoral é considerada crime e ocorre quando um empregador age para coagir, ameaçar ou promete benefícios para que alguém vote em determinado candidato.

O encontro na Acic teria acontecido nesta semana, segundo o MPT-SC. Os áudios analisados revelam a introdução ao encontro pelo atual presidente, Jovelci Gomes, que afirmou em discurso que, caso o candidato adversário à presidência vença a eleição, o “direito de ir e vir vai acabar” e o “direito de propriedade vai acabar”.

“Temos uma segunda chance que é agora, dia 30, de ganhar. E, para ganhar, nós temos que trabalhar, porque o outro lado é organizado”, comentou.

Questionada pela g1 SC, a Acic disse que desconhece os áudios e que não irá se pronunciar no momento.

Em Caçador, Jair Bolsonaro (PL), teve 51,76% dos votos para a Presidência (20.720 votos), enquanto Lula foi a escolha de 40,01% dos eleitores (16.019 votos).

Um dos focos dos empresários, conforme o áudio, é alcançar os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno do pleito. A eleição em Caçador (SC) teve 22,34% de abstenção.

Discurso
No discurso, o presidente da entidade também sugeriu aos presentes que as urnas não são confiáveis. “Quando bati 22 [na urna], o presidente Bolsonaro não apareceu. Tive que bater mais uma vez para vir o presidente. Muitas pessoas bateram assim e foram embora”, afirmou.

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), não existem registros de problemas relacionados a fotos de candidatos que não apareceram após digitar o voto.

Ao g1 SC, o órgão também afirmou que, em 2018, 600 manifestações de eleitores foram investigadas e nenhuma inconsistência foi encontrada.

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