Lula se reúne com católicos e diz que padres estão sendo ‘atacados’ por falar de fome e democracia

O candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, participou nesta segunda-feira (17) de encontro com lideranças católicas em São Paulo. De acordo com a campanha petista, 200 religiosos participaram do evento.

O ex-presidente estava acompanhado do candidato a vice na chapa, Geraldo Alckmin (PSB), e do candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad. No próximo dia 30, os eleitores brasileiros vão às urnas escolher quem governará o país pelos próximos quatro anos: Lula ou o atual presidente Jair Bolsonaro (PL).

No encontro com católicos, o candidato do PT ao Palácio do Planalto afirmou que padres e religiosos têm sido atacados no Brasil porque estão “falando da fome, da pobreza, da democracia”.

No último dia 12, durante missa do Dia da Padroeira do Brasil no Santuário Nacional de Aparecida, o arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, foi vaiado ao dizer que o Brasil precisa vencer muitos “dragões”, como o do ódio, o da fome e o do desemprego.

“Esse país sempre foi reconhecido como um país alegre, que gostava de festa, de futebol, de dançar, de Carnaval. Eu nunca tinha visto o Brasil tomado pelo ódio como uma parte da sociedade brasileira está hoje. Tenho lido notícias de padres que são atacados durante a missa porque estão falando da fome, da pobreza, da democracia. Eles são atacados por pessoas que sempre conviveram com a gente e que a gente não sabia que essa pessoa tinha tanto ódio dentro dela. Esse ódio é como se fosse um casulo que foi aberto”, afirmou Lula.

O presidenciável do PT afirmou que uma “direita raivosa” tem ganhado espaço em “muitos lugares” do mundo e que, na avaliação de Lula, são pessoas “que não conhecem” as palavras democracia e respeito.

“Você todo dia vê uma briga. Hoje já tá acontecendo morte. Quando, na verdade, nós queremos é paz, é democracia”, acrescentou Lula.

Na abertura do evento, o padre Paulo Adolfo Simões, secretário-executivo do Centro Nacional Fé e Política (Cefep), afirmou que a eleição de Lula na votação do segundo turno, no próximo dia 30, será a “vitória da democracia, dos pobres” do Brasil.

“Queremos dizer que estamos na luta pela sua vitória no dia 30 de outubro porque entendemos que esta será a vitória do povo brasileiro, da democracia, dos pobres deste país. Aqui somos muitos, mas também muitos padres e religiosas de todo o Brasil estão espalhados por aí e gostariam de estar aqui hoje e nós os representamos”, disse Simões, que é da Diocese de Pouso Alegre (MG).

Simões é um dos representantes dos movimentos Padres da Caminhada e Padres contra o Fascismo que participaram do encontro com Lula. Na última semana, os grupos divulgaram carta assinada por mais de 400 lideranças católicas na qual condenam a presença de Jair Bolsonaro no Santuário de Nossa Senhora de Aparecida, no último dia 12.

“O senhor Jair Bolsonaro profana a fé no Deus da vida fazendo uso dela para meros fins politiqueiros e vilipendia o Evangelho de Jesus de Nazaré que veio para que todos ‘tenham vida e a tenham em abundância'”, afirmam no documento.

Pedidos dos católicos
No encontro com as lideranças católicas, Lula recebeu apelos de religiosos para que assegure a democracia e estabeleça um “novo pacto econômico com renda básica de cidadania”; crie bancos de desenvolvimento comunitário; dê estímulo à economia solidária, ao agronegócio e ao orçamento participativo.

Padre Márcio Fabri dos Anjos pediu ainda ao ex-presidente que, em um eventual governo, defenda menores de idade grávidas de estupros e a diversidade de gênero.

Padre Rodrigo Schüler de Souza, outro integrante dos movimentos católicos, leu carta em que os grupos declaram apoio a Lula na disputa ao Planalto. “Desde 2018 lutamos contra este governo que ameaça constantemente a democracia. Queremos estar, neste momento da história, ao seu lado e dos que o apoiam”, disse.

“Na iminência do segundo turno das eleições, vemos com clareza que estamos diante de dois projetos absolutamente diversos: o seu e o do atual presidente da República. Ele [Jair Bolsonaro] está jogando com as mesmas armas que jogou em 2018, tendo, no entanto, o reforço do ‘orçamento secreto’ e de todos os dispositivos que a máquina pública lhe pode conceder. A proposta é de um governo autoritário, com o desmonte das instituições republicanos e chegando a ser um perigo real para o regime democrático”, completou Schüler de Souza.

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