Bolsonaristas tratam protesto em escola de Joinville após demissão de professora como ‘invasão a igreja’

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) associam vídeo de protesto de estudantes universitários de Joinville (SC) contra a demissão de uma professora a suposta “invasão a igreja”. No material divulgado nas redes sociais nesta quarta-feira, manifestantes aparecem entrando em prédio com bandeiras e gritos de ordem de “ocupar e resistir”, que internautas bolsonaristas associaram a uma ocupação de igreja.

A manifestação ocorreu às 19h desta terça-feira, em que alunos e integrantes de movimentos ligado a partidos políticos à esquerda entraram no prédio da Faculdade Ielusc, localizada ao lado da Igreja da Paz, que faz parte da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Joinville. Uma suposta invasão da igreja por integrantes do ato foi desmentida em nota oficial da congregação. Ao GLOBO, o pastor Cleo Martin informou que o culto iniciou normalmente às 18h45 e não foi interrompido.

— Não entraram na Igreja. Apenas ficaram do lado de fora durante o culto com megafone, apitos, algazarra… Apenas obstruíram a saída das pessoas que estavam no culto no portão principal e integrantes do coral não puderam entrar no estacionamento — explicou o pastor.

Os participantes protestavam contra a demissão da professora de Antropologia Maria Elisa Máximo, mais cedo na terça-feira. O desligamento da docente teria ligação com motivações políticas. No dia 1º de outubro, um dia antes do primeiro turno das eleições, ela usou as redes sociais para questionar a motociada realizada por Bolsonaro na cidade em seu último ato de campanha. A publicação viralizou nas redes sociais e, segundo ela, parlamentares bolsonaristas da Câmara Municipal de Joinville passaram a associar Maria Elisa ao posto de professora na Faculdade Ielusc e a pressionar a instituição a demiti-la em função da postagem.

A docente foi afastada das funções no último dia 3, com atestado médico, mas a demissão foi oficializada nesta terça-feira, segundo ela, sem justa causa. Procurada pelo GLOBO, a Faculdade Ielusc não quis se pronunciar sobre o caso. Logo após o afastamento da professora, a instituição divulgou nota informando que, em virtude de comunicado divulgado em agosto, os funcionários deveriam “evitar que posicionamentos pessoais possam ser vinculados como sendo de nossa instituição educacional, sobretudo na sala de aula ou em mídias e grupos acessados por estudantes e/ou pais; e evitar deixar-se influenciar pelas emoções ingressando em debates improdutivos, em especial quando você ou seu interlocutor utilizam achismos e generalizações como argumentos”.

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