Bolsonaro é 1º presidente a perder reeleição e deixará cargo em 31 de dezembro

A vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marca algo inédito desde a redemocratização: Jair Bolsonaro (PL) é o primeiro presidente a perder a disputa à reeleição. O próximo dia 31 de dezembro, data em que se encerra oficialmente o mandato, marcará sua saída do cargo, mas não da cena política.

Bolsonaro permaneceu atrás do rival nas pesquisas de intenção de voto ao longo de toda a corrida, mas demonstrou força no primeiro turno, ficando a uma diferença de apenas cinco pontos percentuais do petista em votos válidos (48,4% a 43,2%). Depois de uma campanha de segundo turno acirrada e sem grandes oscilações no humor do eleitorado, o presidente de direita não conseguiu uma virada.

Assim, Bolsonaro, um político de perfil popular e avesso às formalidades e à institucionalidade do cargo, terminará o mandato sem igualar o feito de todos os presidentes que concorreram à reeleição desde a abertura dessa possibilidade, em 1997, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Além do próprio FHC, que foi reconduzido pelos eleitores em 1998, conquistaram um segundo mandato consecutivo: Lula, em 2006, e Dilma Rousseff (PT), em 2014.

A disputa de 2022 opôs dois líderes de altíssima popularidade, que polarizaram a eleição com um enfrentamento baseado em acusações mútuas, ataques pessoais e disseminação de notícias falsas, numa guerra para além da oposição tradicional entre ideários de esquerda e direita. O clima hostil se estendeu à população, com casos de violência envolvendo apoiadores de ambos os lados.

A derrota de Bolsonaro do ponto de vista eleitoral não significa, contudo, seu fracasso em termos políticos. O presidente sai fortalecido e já é automaticamente considerado pré-candidato à sucessão de Lula, em 2026, dada a solidificação do bolsonarismo, corrente por ele iniciada.

O movimento, que combina conservadorismo nos costumes, traços nacionalistas e, ao menos no discurso, liberalismo econômico, assegurou nas eleições deste ano amplo espaço no Congresso e nas Assembleias Legislativas, além de presença em governos estaduais.

A onda de uma direita radical foi iniciada em 2018 justamente com a eleição de Bolsonaro, que inaugurou um novo ciclo no poder brasileiro. Sua ascensão se deu no momento em que líderes autoritários e populistas também despontavam em outros países com agendas de tom reacionário e nacionalista.

Mesmo fora da Presidência, Bolsonaro manterá influência sobre uma base de eleitores insuflada por ele ao longo dos últimos anos na direção de uma adoração fanatizada, impermeável a críticas e por vezes sectária. O apelo é reforçado por políticos aliados que ganharam assentos no Executivo e no Legislativo, com capilaridade territorial espalhada por estados e municípios. Além disso, os três filhos do presidente com mandato eletivo, moldados como seus legítimos representantes, dão suporte ao discurso paterno.

Dois dos herdeiros têm cadeira no Congresso: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) ocupa vaga na Câmara Municipal do Rio de Janeiro enquanto dá as ordens na comunicação digital do pai. As redes sociais, usadas para disseminar narrativas favoráveis e desconstruir adversários, são parte do núcleo central bolsonarista.

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