Pescadores ilegais ameaçam ‘exterminar’ lideranças indígenas do Vale do Javari, no AM

Após mais de cinco meses do brutal assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, lideranças indígenas que atuam no Vale do Javari, no interior do Amazonas, continuam vivendo sob constantes ameaças de pescadores ilegais.

Até mesmo um aviso de “extermínio” dos protetores da região foi feito pelos criminosos. É o que aponta uma carta aberta da Associação dos Kanamari, divulgada nesta sexta-feira (18), após um grupo de 30 indígenas da etnia ter sido atacado.

Conforme o documento, os pescadores chegaram a apontar uma arma para o peito de uma indígena, que é uma das líderes dos Kanamari, e disseram que “as mortes no Vale do Javari não vão acabar até que as principais lideranças do local sejam assassinadas”. Os homens disseram ainda que mulher está na lista dos alvos dos criminosos.

“Vou tirar a máscara para você ver meu rosto e te avisar que por conta de atitudes assim que Bruno e Dom foram mortos pela nossa equipe e você será a próxima. Só não te matarei agora porque estamos na presença de muitas crianças”, disse um dos pescadores à mulher, segundo os indígenas.

Após ameaçar a liderança, os pescadores teriam cortado a fiação de uma das canoas dos indígenas. Os pescadores, então, saíram pelo rio empunhando armas e atirando em direção às embarcações. De acordo com a Associação, os tiros perfuraram os tambores de gasolina que estavam em uma das embarcações.

Segundo a Associação, o caso aconteceu após uma atividade de preparação para o Encontro de Lideranças da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) na comunidade Massapê, no rio Itacoaí – onde Bruno e Dom foram mortos.

Ao retornar para cidade, o grupo de indígenas foi surpreendido pelos pescadores ilegais, que estavam realizando pesca predatória dentro do território, o que é proibido.

Ainda de acordo com a Associação, embarcações dos pescadores ilegais estavam lotadas de quelônios e peixes e os suspeitos tentaram convencer um indígena a não denunciar o caso, oferecendo tracajás como pagamento pelo silêncio. Ao ver a situação, a líder questionou os pescadores e foi ameaçada.

Na carta, os indígenas contam que viver sob a mira de armas virou rotina na terra indígena:

“A vida nunca mais foi a mesma. Não há segurança alguma para viver dentro do nosso território, temos medo por nós e pelos nossos parentes isolados. Essa situação foi mais uma que aconteceu aqui, mesmo após os terríveis assassinatos de nossos irmãos e parceiros, Bruno e Dom, nada mudou e nos perguntamos: ‘Quantos dos nossos iremos perder nesta guerra?'”.

A Associação termina a carta pedindo ajuda: “Queremos ajuda, pois queremos viver. Toda a vida que habita a floresta é importante e defenderemos nossos irmãos e irmãs sempre. Seguiremos fortes até o fim”, finalizou o grupo.

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