PEC da Transição e aliados pressionam Lula a antecipar nomeação de ministros

Depois do giro internacional por Egito e Portugal, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retorna nesta segunda-feira (21) aos trabalhos, no início da quarta semana da transição de governo, sob pressão para anunciar os primeiros nomes de seu futuro ministério.

A ideia inicial de Lula era repetir de alguma forma o calendário de nomeações da primeira vez que foi eleito, em 2022, quando só divulgou os indicados para a Esplanada a partir do dia 10 de dezembro, mas ele tem sido aconselhado a antecipar alguns escolhidos.

Aliados, como pessoas próximas ao vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), gostariam de que o titular da Fazenda fosse logo conhecido, para servir de porta-voz econômico e interlocutor com o mercado, depois de certo estresse nos indicadores a partir de declarações de Lula sobre responsabilidades fiscal e social.

Ainda são incipientes, contudo, os debates no grupo técnico da economia na transição sobre a linha a ser adotada no futuro governo e qual seria a âncora fiscal a substituir o teto de gastos, que o futuro governo pretende descartar.

A esse argumento somou-se outro no entorno de Lula. Negociadores políticos têm afirmado que a nomeação de ministros indicados por partidos aliados pode facilitar a aprovação da PEC da Transição, principal batalha que o futuro governo travará no Congresso ainda este ano.

O texto, destinado a elaborar uma regra que exclua do teto os gastos com os programas sociais, foi entregue ao parlamento na semana e passará por mudanças e debates na Câmara e no Senado. Segundo esses aliados, a confirmação de espaços no ministério para siglas com as quais o governo está negociando a formação de uma base mais ampla a partir do ano que vem pode garantir votos importantes já na aprovação da PEC.

Coordenador da transição, Alckmin minimizou a ansiedade geral pelo anúncio dos primeiros nomes. Em entrevista ao programa de Míriam Leitão, na GloboNews, adiantou que Lula fará os anúncios dos titulares da futura Esplanada aos poucos, em blocos.

“Posso falar por minha experiência, já fui quatro vezes governador. (Lula) Vai anunciar aos poucos. Não é uma coisa fácil.”

O futuro vice avaliou na entrevista que um fator dificultador do quebra-cabeça da montagem da equipe é a quantidade de partidos candidatos a ficar com ministérios, não só os que já compunham a coligação eleitoral, mas também os que aderiram no segundo turno e que negociam a formação da futura base no Congresso.

O Brasil é difícil. O presidente Lula quase ganhou no primeiro turno. O PT, que é o maior partido (da coligação vencedora), tem 14% da Câmara e 8% do Senado. É complexo, por isso defendo a reforma política. Tem que acelerar a cláusula de desempenho, ter menos partidos. Senão, dificulta a governabilidade. Não é fácil montar um governo, ter governabilidade. Mas o presidente Lula, agora voltando (da viagem), vai se debruçar na questão dos ministros e começar a anunciar.

Durante a viagem ao Egito, para a COP27, Lula confirmou a criação de um Ministério dos Povos Originários, que pode ser um dos primeiros a ter o titular anunciado.

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