No mundo de 8 bilhões, este americano defende que pessoas parem de ter filhos

Para alguém que gostaria de ver sua própria espécie extinta, Les Knight é surpreendentemente despreocupado.

Ele já promoveu várias festas com queima de fogos de artifício para celebrar chuvas de meteoros. Organizou uma partida de críquete nudista em seu quintal –que, vale mencionar, é protegido por uma cerca-viva de loureiros de seis metros de altura.

Nem mesmo Tucker Carlson foi páreo para a alegria de Knight. Em 2005, quando o entrevistou na MSNBC, Carlson o criticou por defender as ideias “mais doentias possíveis”, mas acrescentou: “Você é um dos convidados mais bem-humorados que já recebemos neste programa”.

Knight, 75, fundou o Voluntary Human Extinction (extinção humana voluntária), um grupo de pessoas que creem que a melhor coisa que os humanos podem fazer para ajudar a Terra é parar de ter filhos.

Ele incluiu a palavra “voluntária” ao nome do movimento décadas atrás para deixar claro que seus seguidores não defendem o homicídio em massa ou o controle de natalidade forçado. Tampouco incentivam o suicídio. Seu “ethos” é refletido no lema “vida longa e extinção”, além de outro de seus slogans, que Knight costuma expor em convenções e feiras de rua: “Obrigado por não se reproduzirem”.

Em 15 de novembro, a população da Terra chegou a um número recorde: 8 bilhões de seres humanos. Apesar das taxas de natalidade em queda, esse número está previsto para alcançar o pico de 10,4 bilhões nas próximas décadas, devido em grande medida ao aumento da expectativa de vida e à queda na mortalidade infantil.

Knight está entre aqueles para os quais a superpopulação é um dos principais responsáveis pela crise climática, mas essa ideia pode ser polêmica. Países pobres e densamente povoados, como a Índia, contribuem relativamente pouco per capita para as emissões de gases estufa que estão aquecendo o planeta. Países ricos com populações relativamente menores, como os Estados Unidos, geram a maior parte da poluição que provoca o aquecimento global.

“O problema que está saindo de controle é o consumo”, afirma John Wilmoth, diretor da divisão de população da ONU. Para ele, encarar a limitação da população como uma solução possível para o problema climático desvia as atenções da necessidade urgente de todos abandonarem os combustíveis fósseis e fazerem uma utilização mais eficiente dos recursos naturais. “Precisamos transformar os incentivos econômicos que tornam possível lucrar com a poluição do ambiente.”

A ideia de que a população precisa ser controlada já levou a esterilizações forçadas e medidas que mostraram-se desumanas ou foram vinculadas a teorias racistas como a eugenia.

Mas Stephanie Feldstein, diretora de população e sustentabilidade da ONG Center for Biological Diversity, diz que, embora a saúde e a longevidade humana maiores sejam coisas boas, elas encerram um custo para outros seres vivos do planeta.

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