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Conta de luz: Aneel vai rever reajustes tarifários aprovados até maio; índices chegaram a até 24%

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai rever os reajustes tarifários aprovados de fevereiro a maio para considerar no cálculo a devolução de tributos pagos a mais pelos consumidores de energia no passado. A tendência é que os reajustes, que em alguns casos chegaram a até 24% neste ano, sejam reduzidos.

A informação foi divulgada pela diretora-geral interina da Aneel, Camila Figueiredo Bomfim Lopes, durante reunião desta terça-feira (28) da diretoria da agência.

A devolução dos tributos pagos a mais pelos consumidores foi objeto de projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional neste mês, numa ofensiva do Congresso e do governo para atenuar os reajustes da conta de luz em ano eleitoral.

O projeto foi sancionado sem vetos pelo presidente Jair Bolsonaro na segunda-feira (27). A publicação consta no “Diário Oficial da União” desta terça-feira (28).

A mesma lei que autorizou a devolução dos valores obriga a Aneel a aplicar os descontos nos reajustes tarifários das distribuidoras de energia e a fazer uma revisão tarifária extraordinária no caso daquelas que já passaram pelo processo de reajuste.

Os termos dessa devolução, contudo, serão definidos pela Aneel. Ao todo, há um saldo de R$ 48 bilhões em créditos tributários para serem usados, frutos de impostos pagos a mais pelos consumidores na tarifa.

Durante anos, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS, imposto estadual) foi utilizado na base de cálculo dos tributos federais PIS e Cofins.

No entanto, em 2017, o Supremo Tribunal Federal entendeu que o ICMS não poderia compor a base do PIS e Cofins.

O imposto pago a mais foi devolvido às distrbuidoras na forma de crédito tributário, a ser abatido dos reajustes tarifários, em benefício do consumidor.

Ao todo, há R$ 60 bilhões, só que R$ 12 bilhões já foram utilizados em anos anteriores em que houve acordo da Aneel e da distribuidora, sobrando um saldo de R$ 48 bilhões para ser usado.

Brasil crescerá entre 3% e 4% nos próximos anos, diz ministro

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse hoje (28) que, em meio a um cenário global marcado por desaceleração e recessão, o Brasil vai pelo caminho oposto, com crescimento próximo de 2% em 2022, e de 3% a 4% nos anos seguintes. A afirmação foi feita durante a abertura do Painel Telebrasil Summit 2022, em Brasília.

Segundo o ministro, estão sendo planejadas medidas visando a reduções significativas de tributos que incidem nos setores industriais, o que deverá compensar a perda de poder aquisitivo dos cidadãos, além de favorecer um novo ciclo de investimentos no país.

No discurso, Guedes descreveu cenários extremamente pessimistas para o exterior e muito otimistas no âmbito interno. “A inflação começou a subir nos Estados Unidos e vamos ter de conviver com isso. Os Estados Unidos passaram por um longo ciclo de crescimento que chegou ao fim, enquanto nós, no Brasil, estamos saindo do centro de reabilitação, iniciando um ciclo de crescimento anual de 3% a 4 %, que será por vários anos, se continuarmos nesse ritmo”, disse.

“Agora, não se assustem com os problemas lá de fora. Teremos alta de inflação nos Estados Unidos e teremos recessão. O barulho será ensurdecedor. Mas não para a economia brasileira, que é uma das mais fechadas do mundo. Faremos agora a reindustrialização do Brasil”, acrescentou.

O Brasil, acrescentou o ministro, reagiu “fulminantemente” à crise. “Vamos crescer 1,7%, devendo quase chegar a 2% [em 2022]”. “Diziam que o mundo ia crescer 5% e reviram. Já estão falando que vai haver recessão. Eles estão só começando a enfrentar os problemas. Nós já conseguimos atravessar a onda e vamos crescer, com desemprego e inflação caindo”, completou.

Guedes lembrou que o Brasil tem grande quantidade de minério, que é exportado para a China, e que o país importa aço 40% mais barato do que o produzido em território nacional. Segundo eu ministro, o alto custo para a produção nacional deriva, entre outros fatores, do alto custo para o transporte de cabotagem, “com seis empresas explorando 200 milhões de pessoas”, e da alta tributação do setor industrial.

“A solução para isso é abrir o mercado. Nossa ideia é, também, acabar com o IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados], porque o IPI desindustrializou o Brasil”, acrescentou, ao lembrar que o governo brasileiro já reduziu em 35% esse tributo. “Queremos baixar [a alíquota] para zero”, acrescentou.

Como estava em um evento de empresários das telecomunicações, Guedes usou exemplos do setor para mostrar os efeitos dessa alta carga tributária para investimentos e para o desenvolvimento de tecnologias.

“Hoje, quase 40% dos custos do setor de telecomunicações é de impostos. Isso, em um setor que mostra a importância da tecnologia porque a regra, no Brasil, é tributar o que é fácil, como combustíveis, eletricidade e telecomunicações. Isso destrói o equipamento produtivo do Brasil. Por isso, vamos acabar com os impostos [que incidem] sobre a indústria”, afirmou o ministro. Ele destacou que 100% do investimento para quem traz máquinas e equipamentos são dedutíveis.

Diante desse contexto, Guedes prevê que o Brasil vai iniciar “um longo ciclo de investimentos, ao contrário do mundo, que está encerrando um longo ciclo de investimento”. “Nossas conversas na Europa, nos Estados Unidos, com a OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico] e com o G-20 [grupo formado pelos ministros de Finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias mundiais mais a União Europeia] nos convenceram de que vem uma avalanche de investimentos para o Brasil, se continuarmos no caminho em que estamos. A Secretaria de Estado dos EUA tem dito que, daqui para a frente, uma exigência para investimentos nos países é a de ter logística próxima e ser amigo. É o chamado near shore e o friend shore”, disse.

Assim sendo, acrescentou o ministro, “não adianta fazer semicondutores em Taiwan”. “Com a ruptura de cadeias produtivas, ficou muito evidente a vulnerabilidade do sistema econômico, porque parou a produção, e as fontes estão muito longe. Tem de estar perto e ser amigo. E quem é essa economia, que está perto dos Estados Unidos e da Europa? É o Brasil.”

De acordo com o ministro, a situação é “incontornável”, com o Brasil destinado a se tornar a segurança energética da Europa e a segurança alimentar do mundo. “O mundo percebeu que o Brasil é uma potência energética, além de um enorme mercado consumidor.”

Petrolina tem o diesel mais caro de Pernambuco

Em Pernambuco, o diesel mais caro está em Petrolina. Na maior cidade do Sertão do Estado, é preciso desembolsar em média R$ 7,45 pelo litro do combustível. Por lá, no bairro Antonio Casimiro, o preço do litro do diesel S10 pode ser encontrado por R$ 8,30. Valor acima da média nacional.

Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) considerando o período de 19 a 25 de junho, o preço médio do diesel no Brasil atingiu a marca de R$ 7,56. Número que inclusive ultrapassou pela primeira vez, desde 2004, o preço médio da gasolina em todo território brasileiro, marcando atualmente R$ 7,39.

“O pior momento da inflação já passou”, diz presidente do BC

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou nesta segunda-feira (27) que o pior momento do processo inflacionário no Brasil já passou. A prévia da inflação de junho ficou em 12% no acumulado dos últimos 12 meses, de acordo com o IBGE.

Segundo Campos Neto, os últimos dois números da inflação vieram, pela primeira vez, dentro das expectativas. Ou seja, não houve surpresas de alta nos preços.

“A gente ainda tem no Brasil um componente de aceleração da inflação, mas os últimos dois números foram, pela primeira vez, dentro da expectativa. A gente acha que o pior momento da inflação no Brasil já passou”, disse o presidente do BC no Fórum Jurídico de Lisboa.

Em sua fala, o presidente do BC ressaltou que a discussão sobre inflação se inicia com o tema de energia, como combustíveis, e alimentos, mas que a alta nos preços já está disseminada entre outros produtos, inclusive no Brasil.

Com isso, governos ao redor do mundo e no Brasil tem feito medidas para atenuar essas altas para o consumidor. No caso brasileiro, Campos Neto ressaltou que o governo está estudando algumas medidas e o BC precisa aguardar e entender qual será o efeito delas no processo inflacionário.

De acordo com o presidente do BC, muitos países estão fazendo políticas descoordenadas nesse sentido e isso pode gerar uma queda de investimentos nesses setores.

“Essa falta de coordenação está gerando uma queda em investimento tanto em energia quanto em alimentos. A gente precisa entender que quem produz alimentos e energia não é o governo, é o setor privado e o governo tem que funcionar, tem que endereçar o problema das classes sociais mais baixas, mas a gente não pode se desviar da prática de mercado, porque afinal das contas é o mercado que produz alimentos e energia”, disse Campos Neto.

O governo brasileiro tem pensado em várias medidas para atenuar os preços dos combustíveis. O presidente Jair Bolsonaro sancionou o projeto que impõe um teto na cobrança do ICMS e o governo estuda uma PEC para criação do “Pix caminhoneiro”, ampliação do Auxílio Brasil e do vale-gás.

Além disso, Bolsonaro tem trocado constantemente o comando da Petrobras reclamando dos reajustes nos preços de combustíveis. No domingo, o presidente disse que o novo presidente da empresa, Caio Paes de Andrade, chega alinhado ao governo e fará “radiografia” da estatal.

Petrobras reinicia processos de venda de três refinarias

A Petrobras informou nesta segunda-feira (27) que vai reiniciar os processos de venda das refinarias Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul.

O anúncio de venda das refinarias ocorre no mesmo dia em que o Conselho de Administração da Petrobras elegeu Caio Paes de Andrade como o novo presidente da empresa.

No passado, não houve interessado pelas três refinarias que foram colocadas novamente para a venda. Em agosto, por exemplo, a companhia encerrou o processo de venda da refinaria Abreu e Lima.

Além da venda das três refinarias, o plano de desinvestimento em refino da Petrobras inclui:

Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), no Paraná;
Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia;
Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais;
Refinaria Isaac Sabbá (Reman), no Amazonas e;
Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor), no Ceará.

De acordo com a Petrobras, a venda da Rlam foi concluída em novembro do ano passado, as refinarias Reman, Lubnor e SIX já tiveram seus contratos de compra e venda celebrados. Por fim, a Regap ainda está na fase vinculante.

O plano de desinvestimento da companhia representa, aproximadamente, 50% da capacidade de refino nacional, totalizando 1,1 milhão de barris por dia de petróleo processado, considerando a venda integral de oito refinarias.

Empresas reduzem embalagens e qualidade para repassar custos

Cada vez mais empresas estão recorrendo à redução do tamanho das embalagens e à mudança na composição dos produtos para repassar o aumento de custos ao consumidor final, observa o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

Segundo a coordenadora do Programa de Serviços Financeiros da organização não governamental, Ione Amorim, no passado casos do tipo já eram registrados, no entanto, a alta da inflação no Brasil nos últimos dois anos têm levado a cada vez mais empresas, de diversos setores, a adotar esse tipo de prática. “Hoje, a forma como isso vem sendo feita ganhou uma dimensão muito maior”, enfatizou.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumulava, em maio, taxa de 11,73% em 12 meses. De maio de 2020 a maio deste ano, a inflação medida pelo índice chega a 20,27%.

O amplo uso da redução de embalagens e diminuição das quantidades normalmente vendidas levou ao uso do termo reduflação para se referir à prática. A quantidade ou qualidade de produto é menor, mas o preço não é reduzido ou não é reduzido na mesma proporção da diminuição da embalagem. Assim, a empresa tenta evitar o desgaste do aumento direto de preços.

Ione lembra que uma portaria da Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor regulamenta alterações no tamanho e quantidade de produtos vendidos nas embalagens, definindo que as mudanças devem ser informadas em destaque nos rótulos por 180 dias.

Porém, segundo a economista, as empresas têm usado estratégias que apostam na desatenção do consumidor. “Para driblar o cumprimento dessa portaria, as empresas estão lançando embalagens paralelas”, denuncia.

Ou seja, o mesmo produto é vendido em duas embalagens muito parecidas, mas, em uma delas, com menos quantidade do que o original. “Embalagens de azeite que, tradicionalmente, são engarrafados em vidros de 500 ml [mililitros], hoje você já vê alguns de 400 ml. Então, tem que ficar atento na hora de pegar a embalagem, porque elas são muito parecidas”, alerta.

Para ajudar os consumidores a compararem os preços, a economista recomenda consultar o preço por unidade de medida: litro, quilo ou metro. “O Código de Defesa do Consumidor, no artigo 6º, exige que o preço por unidade de medida quilo, litro ou metro seja colocado nas prateleiras para que o consumidor consiga fazer a relação entre as diversas embalagens do produto que é oferecida”, explica.

Ione alerta que há empresas que estão mudando a composição dos produtos. De acordo com a economista, a medida vem sendo adotada por diversos fabricantes que reduzem o percentual de matérias-primas, trocando por compostos ultra processados. Segundo Ione, alterações do tipo já foram feitas por marcas de suco, que deixam de ter o percentual mínimo de fruta para virar néctar, chocolate, que reduzem a quantidade necessária de cacau, e de leite condensado, que deixam de ter leite na composição. “Esse produto, além de ter alteração na sua composição, também passa por essa redução de custo, porque o produto foi piorado e manteve o preço”, destaca a economista.

Interferência do governo na Petrobras para frear aumento de diesel e gasolina deixa estatal à deriva

A reunião do Conselho de Administração da Petrobras do último dia 8 tinha como foco o plano de negócios para os próximos cinco anos. Não funcionou. O encontro foi dominado pelo debate sobre a então possível saída de José Mauro Coelho da presidência da estatal e as pressões para evitar novos aumentos nos preços dos combustíveis.

É um exemplo de como a indefinição e as incertezas no comando ao longo do último ano e meio vêm impactando a petroleira. O estopim veio em fevereiro de 2021, quando a cotação do petróleo começava a subir em meio à retomada da economia global no pós-pandemia, juntamente com o aumento da inflação.

Como a Petrobras segue a paridade de preços do petróleo no mercado internacional, os reajustes de gasolina e diesel desagradaram ao governo, resultando na demissão de três presidentes da empresa até aqui.

Enquanto o Conselho se prepara para novo encontro para avaliar a chegada de mais um presidente, agora Caio Paes de Andrade, secretário de Desburocratização do Ministério da Economia, decisões estratégicas, sobretudo as de médio e longo prazo, vão sendo adiadas pela Petrobras.

É visível o freio em venda de ativos, investimentos e aprovação de ações estratégicas. “A liderança está consumida pela discussão dos preços dos combustíveis”, diz um executivo.

Bolsonaro sanciona com vetos projeto que limita ICMS sobre combustíveis

O presidente Jair Bolsonaro sancionou, com vetos, o projeto que limita o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre itens como diesel, gasolina, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo. A sanção foi publicada nesta quinta-feira (23) em edição extra do “Diário Oficial da União (DOU)”.

Pelo texto aprovado pelo Congresso, esses itens passam a ser classificados como essenciais e indispensáveis, o que impede que os estados cobrem taxa superior à alíquota geral de ICMS, que varia de 17% a 18%, dependendo da localidade.

Até então, os combustíveis e outros bens que o projeto beneficia eram considerados supérfluos e pagavam, em alguns estados, até 30% de ICMS.

A lei sancionada é uma das apostas do governo federal para tentar conter a disparada da inflação, principalmente nos combustíveis, neste ano eleitoral.

O ICMS é um imposto estadual, compõe o preço da maioria dos produtos vendidos no país e é responsável pela maior parte dos tributos arrecadados pelos estados. Governadores estimaram perda de cerca de R$ 100 bilhões com a medida.

Vetos
A proposta recebeu críticas de estados e municípios, que estimam uma perda de arrecadação de até R$ 83 bilhões. Na tentativa de mitigar a resistência dos governadores, o Congresso aprovou alguns dispositivos que previam mecanismos parciais de compensação da União aos estados, no entanto, alguns deles foram vetados pelo presidente.

Entre as normas vetadas, está a que previa que, em caso de perda de arrecadação provocadas pelo teto do ICMS, a União deveria compensar os estados e municípios para que os pisos constitucionais da saúde, da educação e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) tivessem os mesmos níveis de recursos que tinham antes da entrada em vigor da lei resultante do projeto.

Também foi vetado o trecho que determinava que estados que não possuem dívidas com a União poderiam ser ressarcidos de suas perdas por meio do repasse de receitas oriundas da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). No caso destes entes, a compensação se daria em 2023.

Por outro lado, o presidente manteve o trecho que prevê a compensação dos estados endividados com a União que tiverem perda na arrecadação por meio de dedução do valor das parcelas dos contratos das dívidas.

Outro veto mirou o dispositivo que previa a prioridade na contratação de empréstimo com a União para os estados que já tivessem alíquota do ICMS de 17% ou 18% nos itens como diesel, gasolina, gás natural, comunicações e transporte coletivo.

Na justificativa dos vetos, o presidente ressalta que os estados receberam auxílio da União, em 2020, por causa da pandemia. Bolsonaro argumentou também que os entes tiveram aumento na arrecadação, então não precisam de compensação.

“A despeito do ambiente de pandemia, nos últimos dois anos foi observada melhora significativa na situação fiscal de Estados e Municípios, especialmente em decorrência do crescimento da arrecadação de ICMS, tendo as perdas de arrecadação dos entes subnacionais sido menores do que as inicialmente previstas e amplamente superadas pelos efeitos financeiros das compensações, instituídas em nível federal em 2020, e que foram seguidas por um forte crescimento da arrecadação após 2021”, diz o veto.

Reajuste das bandeiras tarifárias não terá ‘impacto imediato’ nas contas de luz, diz Aneel

Nota divulgada nesta quarta-feira (22) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) afirma que o reajuste nos valores das bandeiras tarifárias, anunciado na véspera, não terá “impacto imediato” para o consumidor.

Nesta terça (21), a Aneel aprovou alta de até 64% no valor das bandeiras (cobrança extra aplicada às contas de luz quando aumenta o custo de produção de energia no país). Os novos valores entram em vigor em 1º de julho e serão válidos até meados de 2023.

As bandeiras tarifárias são definidas mensalmente pela agência e sinalizam o custo da geração de energia.

Na nota, a agência argumentou que o reajuste aprovado nesta semana não terá impacto imediato porque desde 16 de abril está em vigor a bandeira verde — pela qual não há cobrança extra nas contas de luz.

A estimativa da Aneel é que a bandeira verde continue vigente ao longo deste ano, devido à recuperação dos reservatórios das hidrelétricas.

O nível dos reservatórios do Subsistema Sudeste/Centro-Oeste, responsável por 70% da capacidade de produção de energia no país, chegou a 66,16% nesta terça-feira (21), segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Em setembro de 2021, durante o período de escassez hídrica, os reservatórios da região chegaram a baixar para 16,75% da capacidade, menor nível desde novembro de 2014.

Banco Central vê juros mais altos por um período mais longo

A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira (21) mostrou que o Banco Central (BC) avalia que os juros precisarão se manter mais altos por um período mais longo para que a inflação fique “ao redor” da meta em 2023.

Em todas as reuniões do Copom, os diretores e o presidente do BC avaliam o cenário econômico e constroem cenários de referência. Na deliberação da última semana, esse cenário tinha juros em 13,25% ao final de 2022, 10% em 2023 e 7,5% em 2024.

Assim, a inflação ficaria em 8,8% este ano, 4% em 2023 e 2,7% em 2024.

No entanto, a ata da reunião que decidiu por um aumento de 12,75% para 13,25% na taxa básica de juros na semana passada, aponta que os juros deverão ser um pouco mais altos e deverão ficar em um patamar elevado por mais tempo para que a inflação de 4% em 2023 seja atingida.

“A estratégia requerida para trazer a inflação projetada em 4,0% para o redor da meta no horizonte relevante conjuga, de um lado, taxa de juros terminal acima da utilizada no cenário de referência e, de outro, manutenção da taxa de juros em território significativamente contracionista por um período mais prolongado que o utilizado no cenário de referência”

E concluiu:

“Dessa forma, a estratégia de convergência para o redor da meta exige uma taxa de juros mais contracionista do que o utilizado no cenário de referência por todo o horizonte relevante”, aponta a ata.

O “horizonte relevante” citado pelo BC é o ano de 2023. Para o próximo ano, a inflação em 4% já ficaria acima do centro de meta, em 3,25%, mas dentro do intervalo de tolerância de 1,75% e 4,75%.

Como já havia feito no comunicado da última semana, o Copom voltou a mencionar que as medidas tributárias em discussão diminuem “sensivelmente” a inflação neste ano, mas devem aumentar, em menor magnitude, os preços em 2023.

Essas medidas tributárias fazem parte de um esforço do governo para diminuir os preços de combustíveis esse ano e incluem o teto do ICMS e a alíquota zero para alguns impostos federais sobre gasolina e etanol.

“O Comitê reforça que a incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e políticas fiscais que sustentem a demanda agregada podem trazer um risco de alta para o cenário inflacionário e para as expectativas de inflação”, apontou.

Ainda de acordo com a ata, a conjuntura é “particularmente incerta e volátil” e requer serenidade na avaliação de riscos.

Depois da reunião do Copom, o Congresso passou a discutir com o governo uma elevação de cerca de R$ 50 bilhões de despesas fora do teto de gastos para tentar reduzir o preço dos combustíveis.

Aneel reajusta bandeiras tarifárias em até 64%

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira (21) o novo reajuste das bandeiras tarifárias, que incidem na conta de luz em caso de escassez hídrica ou qualquer fator que aumente o custo de produção de eletricidade. Os aumentos irão de 3,2% a 63,7%, dependendo do tipo da bandeira.

Os aumentos não encarecerão as contas de luz porque, desde abril, a bandeira tarifária está verde, quando não ocorre cobrança adicional. Os valores entrarão em vigor em 1º de julho e serão revisados em meados de 2023.

Bandeira verde: sem cobrança adicional;
Bandeira amarela: +59,5%, de R$ 18,74 para R$ 29,89 por megawatt-hora (MWh);
Bandeira vermelha patamar 1: +63,7%, de R$ 39,71 para R$ 65 por megawatt-hora (MWh);
Bandeira vermelha patamar 2: +3,2%, de R$ 94,92 para R$ 97,95 por megawatt-hora (MWh).

Desde 16 de abril, vigora no Brasil a bandeira verde, quando foi antecipado o fim da bandeira de escassez hídrica. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a bandeira verde será mantida até dezembro, por causa da recuperação dos níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas no início do ano.

Comitê da Petrobras se reúne na sexta para analisar indicação de Caio Paes de Andrade à presidência da estatal

A Petrobras informou nesta terça-feira (21) que o Comitê de Elegibilidade da companhia vai se reunir na sexta-feira (24) para analisar a indicação de Caio Paes de Andrade para a presidência da estatal.

Segundo a Petrobras, os documentos necessários para analisar a indicação do executivo foram recebidos “na parte da tarde de hoje”.

Paes de Andrade foi indicado ao cargo há um mês, mas a troca tem esbarrado nos trâmites legais definidos para a substituição. O indicado para a chefiar a estatal é o atual secretário de desburocratização do Ministério da Economia.

Na segunda-feira, José Mauro Coelho pediu demissão e deixou a presidência e o conselho de administração da Petrobras. Mauro Coelho passou a ser pressionado pelo governo após novo reajuste de preços do diesel e da gasolina.

De olho na reeleição, o presidente Jair Bolsonaro tem criticado os reajustes de preços dos combustíveis realizados pela estatal. Bolsonaro chegou a chamar de “estupro” o lucro da estatal.

Até a conclusão da análise da indicação de Paes de Andrade, a Petrobras escolheu o diretor executivo de Exploração e Produção da companhia, Fernando Borges, como presidente interino.

Histórico de demissões

José Mauro Ferreira Coelho foi o terceiro presidente da Petrobras no governo Bolsonaro.

O primeiro a assumir o comando da estatal durante o governo do presidente Jair Bolsonaro foi o economista Roberto Castello Branco, indicado logo após as eleições de 2018.

Castello Branco foi nomeado para cargo em janeiro de 2019 e demitido em fevereiro do ano passado pelo presidente Bolsonaro, que alegou estar insatisfeito com os reajustes nos preços de combustíveis durante a gestão do economista.

O nome indicado para substituir Castello Branco foi o do general Joaquim Silva e Luna. O militar tomou posse do cargo em abril de 2021 e permaneceu no posto até março deste ano.

O general permaneceu 343 dias no cargo e foi demitido em abril deste ano por ter seguido a lógica de mercado para definição dos preços.

Após a saída de Silva e Luna, o governo chegou a indicar os nomes do economista Adriano Pires e do empresário Rodolfo Landim para assumir o comando da estatal. No entanto, ambos informaram que não poderiam assumir os postos.

Em abril, o governo indicou José Mauro Coelho para assumir o comando da estatal. O executivo assumiu a presidência da Petrobras no dia 14 do mês passado.

Gasolina custa até R$ 8,990 por litro nos postos, diz ANP; diesel sai a até R$ 6,906

Ainda sem impactos dos reajustes anunciados pela Petrobras na sexta-feira (17), a pesquisa de preços dos combustíveis da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) captou queda no preço da gasolina e alta no diesel.

O preço médio da gasolina na semana passada foi de R$ 7,232 por litro, 0,2% abaixo do verificado na semana anterior. Já o diesel foi vendido, em média, a R$ 6,906 por litro, alta de 0,3%.

Os preços máximos detectados pela ANP subiram em relação à semana anterior. A gasolina foi encontrada a R$ 8,990 no Rio de Janeiro, valor 5,9% superior ao máximo verificado na semana anterior. Já a máxima do diesel subiu 2,4%, para R$ 8,630, em Irecê e Valença, na Bahia.

A coleta dos dados é feita nos primeiros dias da semana e, por isso, não há impacto dos reajustes, que entraram em vigor no sábado (18). Após resistir a pressão do presidente Jair Bolsonaro (PL), a Petrobras elevou o preço da gasolina em 5,2% e o do diesel em 14,2%.

A alta intensificou os ataques do governo e aliados contra a direção da empresa, culminando com a renúncia, nesta segunda (20), do presidente da estatal, José Mauro Coelho. Ele já havia sido demitido por Bolsonaro, mas aguardava assembleia de acionistas aprovar seu sucessor, Caio Paes de Andrade.

Nesta terça (22), o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, admitiu em audiência na Câmara dos Deputados que não é possível interferir na política de preços da Petrobras. Bolsonaro já fez quatro trocas na empresa e não houve mudanças.

“Não está no controle do governo. E, honestamente, preço é uma decisão da empresa, não do governo. Além disso, nós temos marcos legais que impedem intervenções do governo na administração de uma empresa, mesmo o governo sendo o acionista majoritário”, afirmou Sachsida.

O preço do etanol hidratado segue em queda, como reflexo do início da colheita de cana-de-açúcar. Na semana passada, o litro do combustível foi vendido, em média, a R$ 4,910, 1,8% abaixo do verificado na semana anterior.

Segundo a ANP, o preço do gás de cozinha ficou estável na semana, com o botijão de 13 quilos sendo vendido a R$ 112,50.

Já o GNV (gás natural veicular) continua subindo e atingiu o valor médio de R$ 5,360 por metro cúbico na semana passada, alta de 1,5% em relação à semana anterior.

CVM abre processo após notícia que antecipou renúncia de presidente da Petrobras

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu nesta segunda-feira (20) uma apuração sobre notícias que anteciparam a renúncia do presidente-executivo da Petrobras.

José Mauro Coelho pediu demissão do cargo nesta manhã, após protestos do presidente Jair Bolsonaro e de parlamentares contra novo reajuste nos preços dos combustíveis na última sexta-feira (17).

O anúncio da renúncia ocorreu após o jornal “O Globo” ter publicado mais cedo que membros do conselho de administração da Petrobras que conversaram com Coelho no fim de semana relataram a disposição do executivo de pedir demissão.

Antes da companhia se manifestar oficialmente, os negócios com ações da Petrobras chegaram a ser suspensos na B3.

A agência Reuters questionou a CVM se a apuração pode envolver alguma denúncia de “insider trading”, quando agentes de mercado têm acesso a informações privilegiadas da empresa e as usam para se beneficiar da compra e venda de ações. O órgão não se manifestou.

O processo administrativo aberto pela CVM, de número 19957.006614/2022-48, pode se tornar uma investigação formal, dependendo das conclusões tomadas após análise pela gerência de acompanhamento de empresas da autarquia, como é praxe nesses casos.

Alta do preço dos combustíveis é inevitável e estava atrasada, dizem analistas

A alta dos preços dos combustíveis nas refinarias da Petrobras é inevitável em razão do atual patamar de câmbio e dos preços do petróleo, e chegou atrasada uma vez que os preços praticados pela petroleira estavam há semanas defasados em relação à paridade de importação, afirmam especialistas ouvidos pelo g1.

“[A Petrobras] fez o que já deveria ter feito muito tempo atrás. É inevitável e estava atrasado já”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo. “A Petrobras comercializa commodities e é uma empresa de capital misto, então precisa dar o melhor resultado para os seus acionistas. Não faz sentido ela ficar praticando preços artificiais”.

Levantamento da Abicom mostra que, mesmo com o reajuste da Petrobras, o preço da gasolina nas refinarias no mercado doméstico ainda está com uma defasagem de 5% em relação à paridade de importação, e o diesel, de 9%, considerando as cotações de fechamento desta sexta-feira de câmbio e combustíveis nos mercados internacionais.
Desde 2016, a estatal passou a adotar para suas refinarias uma política de preços que se orienta pelas flutuações do preço do barril de petróleo no mercado internacional e pelo câmbio. Neste ano, porém, a Petrobras passou a represar os reajustes, evitando repassar automaticamente as variações do mercado internacional e do câmbio

O consultor David Zylbersztajn, ex-diretor da ANP, avalia que a Petrobras “demorou” para fazer o reajuste uma vez que estava praticando preços abaixo da referência internacional. “Nesse tempo, a empresa saiu perdendo dinheiro. Volatilidade é uma coisa de mais curto prazo e não de 99 dias”, afirmou.

O diesel não era reajustado nas refinarias da Petrobras desde 10 de maio – há 39 dias. Já a última alta no preço da gasolina havia sido em 11 de março – há 99 dias. Foi o maior intervalo sem reajustes na gasolina em ao menos mais de 2 anos e meio.

O economista e consultor em finanças Álvaro Bandeira lembra que a Petrobras também importa diesel para garantir o abastecimento do mercado interno e que vender por um preço menor do que se paga significa “prejuízo na certa”.

“É bom lembrar que pior do que pagar caro por derivados de combustíveis é não ter combustíveis, ter desabastecimento e não poder escoar a produção, principalmente a produção agrícola e as exportações”, disse Bandeira, em entrevista ao Jornal Hoje.

O Brasil é deficitário em óleo diesel, tendo importado quase 30% da demanda em 2021.

Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, a Petrobras reiterou o “compromisso com a prática de preços competitivos e em equilíbrio com o mercado, ao mesmo tempo em que evita o repasse imediato das volatilidades externas e da taxa de câmbio causadas por eventos conjunturais”.

“A companhia sempre contribui e participa das discussões técnicas que busquem amenizar os impactos dos preços de combustíveis”, acrescentou.

Ações da Petrobras desabam e Ibovespa perde os 100 mil pontos

O Ibovespa , principal índice de ações da bolsa de valores de São Paulo, a B3, fechou em forte queda nesta sexta-feira (17), pressionada pelo tombo das ações da Petrobras, perdendo o patamar dos 100 mil pontos pela primeira vez desde novembro de 2020.

O Ibovespa perdeu 2,90%, encerrando o dia a 99.824 pontos. Na mínima da sessão, chegou a 98.402 pontos.

Com o tombo desta sexta-feira, o índice acumulou declínio de 5,3% na semana, a maior queda desde outubro de 2021. No mês, passou a acumular recuo de 10,29% no mês. No ano, a queda agora está em 4,71%.

As ações da Petrobras desabaram mais de 7%, na esteira do forte declínio do petróleo no exterior, mesmo após a estatal anunciar nova alta nos preços dos combustíveis. Mais cedo, os papéis chegaram a cair mais de 10%.

As ações ordinária da Petrobras (PETR3) fecharam em queda de 7,25%, a R$ 29,93, enquanto que as preferenciais (PETR4) perderam 6,09%, a R$ 27,31.

Já o dólar fechou em forte alta, a R$ 5,1432.

Inadimplência bate recorde e atinge 66,1 milhões de brasileiros em abril, aponta Serasa

A inadimplência bateu novo recorde no país: em abril, 66.132.670 brasileiros estavam com o nome no vermelho, o maior número da série histórica da Serasa Experian, iniciada em 2016.

Desde o início do ano, mais de 2 milhões de brasileiros se tornaram inadimplentes.

Ao todo, eram R$ 271,6 bilhões em dívidas entre os inadimplentes.

“Sabemos que a instabilidade econômica do país vem afetando grande parte da população. No entanto, algumas ferramentas como o saque extraordinário do FGTS e a antecipação do pagamento do 13º salário para aposentados podem e devem ser utilizadas para reorganizar as finanças pessoais, amenizar dívidas e tentar tirar o nome do vermelho”, afirmou em nota o economista da Serasa, Luiz Rabi.

Para o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, o aumento da inadimplência ao decorrer de 2022 era uma movimentação esperada, mas existem fatores que podem auxiliar o consumidor nessa situação.

Com relação ao perfil das dívidas, os segmentos de Bancos e Cartões possui 28,1% dos débitos, enquanto contas básicas como água, luz e gás representam 22,9%.

Na comparação com abril de 2021, o setor de Financeiras foi o que teve maior aumento na participação de inadimplência, indo de 9,6% para 12,4%.

“As financeiras costumam oferecer crédito para perfis de risco, como os de consumidores inadimplentes. Por isso, quanto mais instável ficar o cenário econômico, mais a inadimplência desse setor tende a crescer”, explica Rabi, em nota,

Já o recorte por faixa etária mostra que os inadimplentes estão, em sua maioria, nas faixas de 26 a 60 anos de idade (35,2%) e de 41 a 60 anos (34,8%).

Petrobras reajusta preços dos combustíveis: gasolina sobe 5,18%; alta do diesel é de 14,26%

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (17) novas altas nos preços da gasolina e do diesel vendidos às distribuidoras, a partir de 18 de junho. O diesel não era reajustado desde 10 de maio – há 39 dias. Já a última alta no preço da gasolina havia sido em 11 de março – há 99 dias. Os preços do GLP não serão alterados.

Com o reajuste, o preço médio de venda de gasolina da Petrobras para as distribuidoras passará de R$ 3,86 para R$ 4,06 por litro (alta de 5,18%). Para o diesel, preço médio de venda da Petrobras para as distribuidoras passará de R$ 4,91 para R$ 5,61 por litro (alta de 14,26%).

A alta foi tema de discussão em reunião extraordinária do Conselho de Administração da Petrobras na véspera.

Durante a reunião, segundo blog do Valdo Cruz, os conselheiros ligados ao governo tentaram convencer a empresa a segurar o aumento. Só que a diretoria relatou o teor das conversas realizadas com o governo nos últimos dias, quando a equipe do presidente Jair Bolsonaro não aceitou conceder um subsídio para a estatal e para importadores privados trazerem o diesel mais caro no exterior e vendê-lo no Brasil com um valor mais baixo.

Vale lembrar que o valor final dos preços dos combustíveis nas bombas depende também de impostos e das margens de lucro de distribuidores e revendedores.

Segundo a ANP, o preço médio da gasolina no país ficou em R$ 7,247 na semana encerrada no dia 11. Já o do diesel, em R$ 6,886.

Conselho de Administração da Petrobras dá sinal verde para aumento de combustível

Em reunião extraordinária nesta quinta-feira (16), o Conselho de Administração da Petrobras deu sinal verde para o aumento de combustível. O reajuste deve ser só para o diesel e deve superar 10%. A empresa ainda vai definir o tamanho do aumento e a data para anunciar a decisão.

Segundo apurou o blog, a reunião convocada pelo presidente do Conselho de Administração da estatal, Márcio Weber. Durante a reunião, os conselheiros ligados ao governo tentaram convencer a empresa a segurar o aumento.

Só que a diretoria relatou o teor das conversas realizadas com o governo nos últimos dias, quando a equipe do presidente Jair Bolsonaro não aceitou conceder um subsídio para a estatal e para importadores privados trazerem o diesel mais caro no exterior e vendê-lo no Brasil com um valor mais baixo.

Segundo a diretoria disse ao conselho, a única forma de evitar o aumento seria a concessão do subsídio, o que não foi autorizado pelo governo.

Sendo assim, o comando da estatal disse que, se segurasse o aumento, teria de importar diesel mais caro e causar prejuízo para a estatal, gerando risco de falta do produto ou ações contra a empresa na Justiça.

Em dado momento, a diretoria perguntou se o conselho iria autorizar essa operação que poderia gerar ações contra a diretoria e contra os próprios conselheiros. Diante da resposta negativa, um integrante da reunião disse que foi “restituído à diretoria o poder de decidir se dará ou não o aumento”.

Bolsonaro, já há algumas semanas, decidiu apontar a Petrobras como a vilã pela disparada no preço dos combustíveis no país. Ele teme que a inflação, em especial de itens como gasolina e diesel, comprometam sua imagem junto ao eleitorado e a sua tentativa de reeleição.

Para Bolsonaro, crítico dos lucros da Petrobras, a empresa deveria pensar nos impactos sociais da inflação e segurar os preços.

A Petrobras argumenta que é obrigada a praticar os preços internacionais. Se o preço do petróleo e seus derivados subir lá fora, ela deve reajustar os valores aqui dentro também. A empresa alega ainda que, se segurar os preços artificialmente, os importadores privados podem desistir de atuar no Brasil, o que pode levar à escassez de combustível.

Diretoria da Petrobras resiste a pressões de Bolsonaro em segurar reajuste de diesel e gasolina

O pedido do governo para que a Petrobras segurasse o reajuste dos preços da gasolina e do diesel é visto com resistência pela diretoria executiva da estatal. Mas parte do alto escalão da companhia chegou a considerar a proposta como “razoável”.

Segundo uma fonte, a ideia do governo é que um aumento feito pela estatal neste momento poderia atrapalhar o processo de aprovação do projeto de Lei na Câmara dos Deputados, que limita o ICMS em 17%.

A intenção da estatal é reajustar os preços de diesel e gasolina entre 6% e 7% nas refinarias, de acordo com uma fonte do setor. Não há uma clareza ainda de quando esse aumento seria feito.

Há, no entanto, forte pressão de integrantes do Conselho de Administração para que a diretoria executiva da companhia não faça reajustes nesta semana.

Uma outra fonte lembrou que a decisão do aumento está a cargo de um grupo na estatal formado pelo presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, o diretor Financeiro, Rodrigo Araujo Alves, e Claúdio Mastella, diretor de Comercialização e Logística.

Pelas regras da companhia, o grupo calcula o aumento com base no avanço do petróleo e do dólar, levando em conta a volatilidade nos preços, e informa na véspera o governo e integrantes do Conselho de Administração.

Desde a semana passada já havia circulado entre o alto escalão da companhia a intenção do grupo liderado por Coelho em reajustar gasolina e diesel com percentuais entre 9% e 11%. Esse valor iria cobrir boa parte da defasagem no exterior nas últimas semanas, destacou uma fonte.

Porém, essa fonte explicou que, como o cálculo do percentual de reajuste cabe à diretoria executiva, esses percentuais podem ser alterados de última hora, pois a “prestação de contas é feito a posteriori”. Em razão disso se chegou a consenso de que variação poderia ficar entre 6% e 7%.

Procurada, a estatal não comenta. A reunião entre os integrantes do governo, com o Ministério de Minas e Energia e a pasta da Economia, que estava marcada para esta terça-feira foi antecipada para a noite de segunda-feira. No encontro, “o governo ouviu uma resposta que não era do seu interesse”, lembrou uma outra fonte.

Ibovespa tem oitava queda seguida, acompanhando pessimismo no mercado externo

O Ibovespa , principal índice de ações da bolsa de valores de São Paulo, a B3, fechou em sua oitava queda seguida nesta terça-feira (14), ainda pressionado pelos temores de uma alta acentuada nos juros dos Estados Unidos.

O indicador teve queda de 0,52%, a 102.063 pontos. Veja mais cotações.

Na segunda-feira, a bolsa fechou em queda de 2,73%, a 102.598 pontos. Com o resultado de hoje, o recuo da semana é de 3,24% e de 8,34% no mês. No ano, o índice tem queda de 2,63%.

O dólar teve mais um dia de alta, cotado a R$ 5,13.

O mercado ainda sofre com clima amargo enquanto aguarda as decisões sobre juros aqui e nos Estados Unidos.

Por lá, os investidores cogitam a possibilidade de uma alta agressiva nas taxas para tentar conter a escalada da inflação. Os dados de inflação ao produtor divulgados mais cedo arrefeceram esse sentimento, mas não conseguiram colocar as bolsas em território positivo.

O S&P 500 afundou ainda mais em zona de bear market, com queda de 0,17%. O índice Dow Jones recuou 0,49% e o índice tecnológico Nasdaq se recuperou levemente, com alta de 0,18%.

Na Europa, as ações europeias caíram sexta sessão consecutiva, também devido a preocupações com os juros nos Estados Unidos e uma potencial recessão. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em baixa de 1,26%, a 407,32 pontos.

Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central também anuncia na quarta-feira a nova taxa básica de juros da economia brasileira.

A expectativa é de elevação de 0,50 ponto percentual, para 13,25% após a inflação ter desacelerado em maio e o BC ter sinalizado na ata da reunião de maio um ajuste adicional de menor magnitude em relação ao ritmo de elevação de 1 ponto percentual adotado até então.

O BC e o mercado avaliam também a aprovação, no Senado, do projeto que limita as alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS, um tributo estadual) incidentes sobre combustíveis, gás natural, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo. A proposta traz preocupações para os cofres dos estados, que calculam perdas de até R$ 83 bilhões e renovar temores com a crise fiscal do país.

Mais cedo, o IBGE informou que o setor de serviços cresceu 0,2% em abril, e passou a operar 7,2% acima do patamar pré-pandemia.

Senadores aprovam texto-base de projeto que cria teto do ICMS

O Senado aprovou o texto-base da proposta que limita a cobrança de ICMS sobre combustíveis, energia, telecomunicações e transporte coletivo a 17%, com um mecanismo de compensação de parte da redução da arrecadação aos estados. Foram 65 votos favoráveis e 12 contrários ao texto.

destaques, emendas que podem alterar o texto. Mas, como já houve modificações na proposta aprovada na Câmara, feitas pelo relator, o senador Fernando Bezerra (MDB-PE), o projeto voltará aos deputados após encerrada a discussão.

Vitória do governo

A redução do preço dos combustíveis é uma obsessão do governo, que foi abraçada pelo Congresso, em ano eleitoral. O presidente Jair Bolsonaro, que tenta a reeleição, é crítico contumaz das altas dos combustíveis, que alimentam a inflação e afetam sua popularidade. A aprovação no Senado com ampla margem é uma vitória do governo.

O mecanismo de compensação a estados valerá por seis meses, somente até o fim deste ano. O teto do ICMS impacta fortemente os cofres estaduais. Alguns estados cobram alíquotas de até 34% sobre alguns dos produtos e serviços afetados, e agora terão limite de 17%. O objetivo é tentar reduzir os preços antes das eleições, mas não há garantia de que esses efeitos serão sentidos no bolso dos consumidores.

Havia um consenso entre os senadores de que era necessário aprovar alguma medida que pudesse trazer alívio para o orçamento das famílias, mas houve muita discussão sobre como sistematizar as compensações para estados, municípios e fundos, como o Fundeb, de educação básica.

Além disso, uma proposta dos estados para uma conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF) embolou a votação, já que alguns parlamentares pediram o adiamento da votação para aguardar a resolução dessa questão.

O relator do texto, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), já tinha alterado o texto em relação à proposta aprovada na Câmara. Ele acatou na reta final mais mudanças sugeridas pelos demais senadores.

Preço do café deve continuar alto para os consumidores

Assim como outros produtos, o café também está pesando mais no bolso do brasileiro desde o ano passado, com uma alta de 52%, de acordo com números divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Esse patamar elevado de preços deve se manter no curto e médio prazos, mesmo com o início da colheita da safra no fim do primeiro trimestre.

Essa safra, inclusive, deve ser maior do que o previsto e provavelmente vai superar a do ano passado, chegando aos 58 ou 60 milhões de sacas, segundo as estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Vale lembrar que essas projeções estão muito acima das previsões iniciais, que indicavam uma safra abaixo dos 50 milhões de sacas; contudo, segundo a entidade, as lavouras estão respondendo bem, e o clima colaborou para a produtividade.

A questão é que, mesmo com a oferta maior do grão, a demanda pelo produto também se mantém em crescimento. Isso acontece por causa do aumento dos preços, que atingiram os maiores patamares dos últimos anos.

Preços e consumo acima da média
Os relatórios recentes da Abic indicam que, mesmo com o aumento substancial nos preços, o consumo de café cresceu de 2020 para 2021. O volume total apresentou alta de 1,71%, chegando a 21,5 milhões de sacas do grão torrado e moído, além do café solúvel. Com isso, cada brasileiro consumiu, em média, 4,84 quilos de café, um aumento pequeno, mas que não deixa de impressionar frente aos 52% de alta nos preços do produto no varejo.

Isso porque, segundo representantes da Abic, os consumidores se adaptaram ao aumento de preços, fazendo um uso “consciente” do produto e evitando desperdícios, por exemplo, ou comprando embalagens menores. De qualquer maneira, o Brasil se mantém como o segundo maior país consumidor de café do planeta, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, por 4,5 milhões de sacas.

Esse consumo é realizado, principalmente, por hipermercados e grandes redes varejistas, que abocanham 49% do setor. Os atacados e atacarejos aparecem em segundo lugar, com 35%, e as pequenas redes ficam com os 16% restantes. Em todos esses pontos de venda, segundo a Abic, o preço do café deve se manter em patamares elevados.

Sem Auxílio Emergencial, rendimento médio do brasileiro tem queda recorde em 2021 e atinge menor valor em 10 anos

Dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a renda do brasileiro se deteriorou diante da crise provocada pela pandemia do coronavírus. O rendimento mensal real da população, assim como a renda domiciliar per capita, tiveram queda recorde e atingiram o menor patamar da série histórica do instituto, que começa em 2012.

A pesquisa aponta queda generalizada entre as diversas fontes que compõem a renda do brasileiro na passagem de 2020 para 2021 e destaca a dimensão do impacto do Auxílio Emergencial diante do contexto pandêmico – a redução do benefício fez a renda domiciliar per capita chegar ao menor valor histórico, além de aumentar a proporção de pessoas que vivem sem qualquer tipo de rendimento no país.

O rendimento médio mensal real é calculado pelo IBGE considerando apenas as pessoas que têm algum tipo de rendimento, indiferente de qual seja a fonte dele. Já a renda domiciliar per capita considera a divisão do rendimento das pessoas que efetivamente o recebem entre as demais que vivem sob o mesmo teto.

De acordo com o levantamento, o rendimento mensal médio real de todas as fontes no país passou de R$ 2.386 em 2020 para R$ 2.265 em 2021, valor mais baixo desde 2012, quando tem início a série histórica da pesquisa e era estimado em R$ 2.369 (já descontada a inflação do período). Este recuo corresponde a uma queda de 5,1%, a mais intensa da série.

Até então, a maior queda da renda mensal real no país, considerando todas as fontes de rendimento, havia sido de 3,4%, registrada na passagem de 2019 para 2020, puxada pelo alto nível de desemprego provocado pela pandemia. O novo recorde, no entanto, ocorreu mesmo diante do aumento do número de pessoas ocupadas no mercado de trabalho.

Segundo o levantamento, aumentou de 38,7% para 40,2% a proporção de pessoas com rendimento efetivamente recebido pelo trabalho. Apesar disso, o rendimento médio efetivamente recebido pelo trabalho teve queda de 4,6%.

“O aumento da ocupação se deu pela informalidade, e a renda do trabalho informal não foi suficiente para aumentar o rendimento médio”, explicou a analista da pesquisa , Alessandra Scalioni Brito.

Já a proporção de pessoas com outros rendimentos, que inclui os programas assistenciais como o Bolsa Família e o Auxílio Emergencial caiu de 14,3% para 10,6%, provocando uma queda de 30,1% da média advinda dessa fonte de renda.

“Esse auxílio foi meio que um colchão para a queda da renda do trabalho durante a pandemia. Foi esse colchão que segurou o impacto em 2021, mas ao começar a ser retirado em 2021 provocou essa queda generalizada da renda no país”, avaliou a analista da pesquisa, Alessandra Scalioni Brito.

Preço médio da gasolina aumenta nos postos após três quedas seguidas, diz ANP

Os preços da gasolina e do diesel aumentaram nos postos nesta semana, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgados nesta sexta-feira (10).

O preço médio do litro da gasolina passou de R$ 7,218 para R$ 7,247, aumento de 0,4%. O maior valor encontrado foi de R$ 8,490. O menor, R$ 6,180.

Já o valor do litro do diesel passou de R$ 6,882 para R$ 6,886, o que representa um leve aumento de 0,058% após seguidas quedas. Nesta semana, o maior valor encontrado pela ANP para o diesel foi de R$ 8,430, enquanto o menor foi R$ 5,640.

Em maio, o preço do combustível havia atingido um patamar recorde de R$ 6,943, o maior valor nominal desde que a ANP passou a fazer levantamento semanal de preços, em 2004.

Por fim, o valor médio do etanol passou de R$ 5,083 para R$ 5,002, queda de 1,59%. No posto mais caro pesquisado pela agência, custava R$ 7,890. No mais barato, R$ 3,890.