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A remota ilha no Atlântico Sul que recebe lixo do mundo todo pelo mar

Milhares de pedaços de plástico do mundo todo estão poluindo o litoral de uma remota ilha do Atlântico Sul, segundo ambientalistas e pesquisadores.

O lixo encontrado na costa sudoeste da Ilha de Ascensão veio de países como China, Japão e África do Sul, dizem os ativistas.

A equipe de pesquisadores e ativistas da Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) passou cinco semanas avaliando o tamanho da poluição no local.

Mais de 900 espécies de vida marinha estão ameaçadas pela poluição, segundo eles.

A Ilha de Ascensão possui uma grande variedade de espécies nativas e elas estão sendo afetadas pela poluição plástica. É o caso do caranguejo terrestre, da ave fragata e de várias espécies de tubarões, tartarugas, peixes e aves.

A ilha remota, que pertence ao Reino Unido, tem sido alvo de muitos projetos de conservação de biodiversidade.

“Há muito plástico sendo mal usado. É de partir o coração”, diz a bióloga marinha Fiona Llewellyn, da ZSL, à BBC. Ela diz que grandes empresas e governos precisam assumir a responsabilidade pela poluição que causam.

Llewellyn e sua equipe encontraram mais de 7 mil pedaços de plástico durante sua expedição.

A pequena ilha, com população de apenas 800 pessoas, está preocupada com a poluição. Apenas uma pequena quantidade de plástico no seu litoral vem da própria ilha. Llewellyn afirma: “É fácil ver que a maior parte vem de outros lugares”.

Os animais estão ingerindo o plástico e ficando enrosacados nele, o que pode causar danos. Há preocupações crescentes sobre o microplástico entrando na cadeia alimentar.

Os tipos de plástico mais comuns na ilha são garrafas, pedaços de plástico rígido que se quebraram, equipamentos de pesca e pontas de cigarro.

Grande parte do lixo acaba encalhado em penhascos que são difíceis e perigosos de alcançar. “Foi realmente um desafio descer as rochas para chegar a este litoral e contar todo o plástico que estava lá”, diz ela.

A equipe de conservação da ZSL trabalha com o governo da Ilha de Ascensão, o St Helena National Trust, o governo de Santa Helena, a Universidade de Exeter e a Universidade Nelson Mandela da África do Sul em um esforço para combater a poluição plástica.

O projeto total terá duração de três anos e consiste em monitorar as correntes e o movimento da água, identificar as garrafas plásticas, avaliar suas datas de validade e produção e entender quando e onde elas podem ter entrado na água.

Câmeras escondidas mapeiam caminho da madeira extraída ilegalmente na Amazônia

O que você vai ver na reportagem especial do Fantástico é o resultado de nove meses acompanhando operações da Polícia Federal e do Ibama em sete terras indígenas ou TIs, como são chamadas. E conhecer por dentro como são flagrados e combatidos os invasores dessas áreas protegidas.

Uma reportagem que usou tecnologia de rastreamento por satélite e celular e câmeras acionadas por movimento para seguir o caminho da madeira e revelar um esquema que movimenta milhões na Amazônia.

As operações que o Fantástico registrou se estenderam por mais de três mil quilômetros dentro das TIs. As terras indígenas ocupam quase 14% do território brasileiro. São 610 Tis – a maioria na Amazônia. E funcionam como fortalezas para conter a destruição da floresta.

“Os índices de proteção são superiores dentro das terras indígenas quando você compara fora das terras indígenas”, diz o pesquisador do Instituto Socioambiental Antonio Oviedo.

A conclusão é de um estudo do Instituto Socioambiental, que analisou o uso das terras protegidas da Amazônia como um todo nos últimos 35 anos.

“A Amazônia brasileira já perdeu perto de 20% da cobertura florestal. As terras indígenas nesse mesmo período perderam um pouco mais de 1%, o que mostra que as terras indígenas como um potencial muito importante pra proteção da natureza e para o cumprimento de acordos globais que o Brasil tem assumido”, diz o pesquisador.

Um potencial ameaçado. Nos últimos três anos, o desmatamento nas TIs cresceu 130%, comparado ao triênio anterior.

Lula diz que pedirá à ONU para a Amazônia sediar a Conferência do Clima em 2025

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16) que pedirá à Organização das Nações Unidas (ONU) para a Amazônia sediar a Conferência do Clima (COP) em 2025.

Lula deu a declaração no Egito ao discursar no evento “Carta da Amazônia – uma agenda comum para a transição climática”, relacionado à COP27. Governadores brasileiros também participaram do evento.

Entre outros pontos, a Cúpula do Clima serve para que os países possam discutir as mudanças climáticas e propor medidas para a redução de gases do efeito estufa. O Brasil iria sediar a COP25, em 2019, mas a pedido do presidente Jair Bolsonaro a conferência mudou de país e foi transferida para a Espanha.

“Nós vamos falar com o secretário-geral da ONU [António Guterres] e vamos pedir para que a COP de 2025 seja feita no Brasil e, no Brasil, seja feita na Amazônia. E, na Amazônia, tem dois estados aptos a receber qualquer conferência internacional, que é o estado da Amazonas e o estado do Pará”, afirmou Lula nesta quarta.

Lula desembarcou no Egito na última segunda-feira (14). O presidente eleito viajou para a COP27 a convite do presidente egípcio Abdel Fatah al-Sissi. Esta é a primeira viagem de Lula ao exterior desde que venceu Bolsonaro nas urnas.

Ainda no discurso desta quarta-feira, Lula acrescentou ser “importante” que as pessoas conheçam a Amazônia.

“Acho muito importante que [a COP em 2025] seja na Amazônia e acho muito importante que as pessoas que defendem a Amazônia e que defendem o clima conheçam de perto o que é aquela região.”

Lula também aproveitou o discurso para dizer que “o Brasil está de volta ao mundo”.

Preservação da Amazônia é prioridade do governo eleito na COP27

Durante o anúncio de novos nomes para o Gabinete da Transição, o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, destacou que o combate ao desmatamento será uma prioridade do novo governo e, por isso, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva está a caminho da Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, a COP27.

Lula embarcou na manhã de hoje (14) para o Egito, a convite do presidente anfitrião do encontro. Ele fará um pronunciamento, na quarta-feira (16) na área da Organização das Nações Unidas (ONU), a Blue Zone. Ele também cumpre agenda com governadores de estados da região amazônica e com representantes da sociedade civil.

“Esta é uma grande preocupação. A emissão do carbono, no caso do Brasil, se você somar o escapamento da moto, do carro, do avião, da lancha, do trem, do boi, o lixão, o esgoto, a chaminé da fábrica, isso dá um pouquinho mais de 50%. Só o desmatamento é quase 50%. É de uma gravidade impressionante”, lembrou Alckmin.

Ele fez referência às florestas do Brasil, Indonésia e Congo que são fundamentais para o combate às mudanças climáticas, por possuírem vastas áreas de florestas tropicais. O governo brasileiro anunciou uma aliança com esses países para “valorização da biodiversidade e remuneração justa de serviços ambientais”.

Alckmin reforçou que estão sendo solicitados dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), referentes a agosto de 2021 a julho de 2022. “Esses números já existem, mas não estão sendo divulgados”, pontuou. Ele lembrou propostas feitas durante a campanha presidencial de Lula que incluíam, entre outros temas, a recuperação dos órgãos ambientais, os quais, segundo ele, “foram praticamente desmobilizados”.

Aloizio Mercadante, que está na coordenação dos Grupos Técnicos do Gabinete de Transição e foi ministro nos governos do PT, de áreas como Educação, Casa Civil e Ciência e Tecnologia, falou sobre negociações para a liberação de recursos do Fundo Amazônia.

“O Fundo Amazônia tem cerca de R$ 3 bilhões hoje, que estão impedidos de serem liberados por causa da falta de compromisso do governo brasileiro no combate ao desmatamento. Nós já tivemos conversas com o governo da Alemanha e da Noruega que devem autorizar, no dia seguinte da posse, a liberação dos recursos”, projetou.

Criado em 2008, o fundo recebe doações de instituições e governos internacionais para financiar ações de prevenção e combate ao desmatamento na Amazônia Legal. Em 2019, a Alemanha e a Noruega suspenderam os repasses para novos projetos após o governo brasileiro apresentar sugestões de mudança na aplicação dos recursos e extinguir colegiados de gestão do fundo.

No último dia 3, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o governo federal reative o Fundo Amazônia. Pela decisão da Corte, a União tem prazo de 60 dias para cumprir a medida.

Alckmin cobra do governo Bolsonaro divulgação de dados sobre desmatamento da Amazônia: “Esses números já existem”

Vice-presidente eleito e coordenador da equipe de transição do governo Lula (PT), Geraldo Alckmin (PSB) disse nesta segunda-feira (14) que solicitou ao governo federal os relatórios sobre o desmatamento da Amazônia e do Cerrado, que são divulgados todos os anos pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes).

“Solicitamos que os relatórios completos dos dados do Prodes Amazônia e do Prodes Cerrado do período de agosto de 2021 a julho de 2022 sejam enviados para que possamos analisar as informações que trazem e tomar as medidas necessárias”, disse Alckmin durante o anúncio de novos nomes da equipe de transição, em São Paulo.

“A informação é de que esses números já existem e [temos] a necessidade de serem informados”, completou o vice-presidente eleito.

O Prodes é um dos sistemas via satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) usado para monitorar e calcular as áreas de desmatamento na Amazônia Legal. É considerado o mais preciso para medir as taxas anuais de desmatamento.

No ano passado, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) esperou o fim da 26º Conferência do Clima da ONU, a COP26, para divulgar o relatório, que apontou o maior desmatamento em 15 anos na Amazônia. O documento, no entanto, estava pronto antes da conferência do clima começar.

O pedido acontece no dia em que Lula viajou para participar da COP27, que acontece no Egito desde o dia 1º de novembro.

Até o momento, o governo federal ainda não divulgou o relatório do Prodes de 2022 sobre o desmatamento na Amazônia no último ano.

Polêmica
No ano passado, o relatório do Prodes sobre o desmatamento da Amazônia entre 2020 e 2021 foi finalizado em 27 de outubro de 2021, dias antes do início da COP26.

Mas os números só se tornaram públicos no dia 18 de novembro, cinco dias depois do término do evento. Os dados apontaram uma alta de 22% no desmatamento da Amazônia.

Ambientalistas acusaram o governo Bolsonaro de esconder os dados por causa da conferência do clima que, entre outros assuntos, discute medidas para preservar os biomas e combater o desmatamento.

Na época, entidades e ambientalistas alegaram que jornalistas e outros participantes da conferência chegaram a pedir o relatório do Prodes durante a COP26, mas não tiveram resposta do governo federal.

Alertas de desmatamento na Amazônia têm pior outubro da série histórica, aponta Inpe

O acumulado de alertas de desmatamento em outubro de 2022 na Amazônia Legal foi de 904 km², um recorde para o mês na série histórica do Deter, que começou em 2015. Os números foram divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) nesta sexta-feira (11).

A Amazônia Legal corresponde a 59% do território brasileiro, e engloba a área de 8 estados (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) e parte do Maranhão.

Os alertas foram feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que produz sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²) – tanto para áreas totalmente desmatadas como para aquelas em processo de degradação florestal (por exploração de madeira, mineração, queimadas e outras).

“Neste fim de mandato, há uma corrida de criminosos ambientais para derrubar a floresta, aproveitando o fato de que ainda têm um parceiro sentado na cadeira da presidência da República”, afirma Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima. “Enquanto Lula está a caminho do Egito para se reunir com líderes do mundo inteiro na tentativa de resgatar a imagem do Brasil, Bolsonaro continua no país, implementando sua agenda de destruição ambiental.”

‘Campeões’ do desmatamento
O Pará foi o estado com maior área sob alerta de desmatamento: 435 km². Em seguida vieram Mato Grosso, com 150 km², Amazonas, com 142 km², e Rondônia, com 69 km².

O Acre teve 64 km² sob alerta; Roraima, 24 km²; o Maranhão, 18 km²; e o Amapá, 2 km².

2022: recordes nos alertas de desmate
2022 já tem pior marca da série histórica de alertas de desmate do Inpe, mesmo faltando dados dos dois últimos meses (novembro e dezembro). De janeiro a outubro, o acumulado foi de 9.494 km². O estado do Pará liderou o ranking de área desmatada, sendo 3.253 km² de floresta nativa perdidos desde o início do ano.

O índice leva em conta o chamado ano civil, ou seja, o período total de janeiro a dezembro. Faltando 2 meses para o fim do ano, essa marca já superou até mesmo todo o ano de 2019, a pior taxa até então, quando os alertas de desmate deram um salto e chegaram até 9.178 km².

Maioria no STF vota para determinar reativação do Fundo Amazônia

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) apresentou voto nesta quinta-feira (26) para determinar a reativação do Fundo Amazônia – que capta doações para projetos de preservação e fiscalização no bioma. Segundo os votos até o momento, a retomada dos financiamentos deve ocorrer em 60 dias.

O plenário julga uma ação em que partidos da oposição – PSB, PSOL, PT e Rede – alegam que o governo federal está deixando de disponibilizar R$ 1,5 bilhão do fundo, já em conta, que legalmente deveriam ser destinados para financiar projetos de preservação na Amazônia Legal.

A análise teve início no dia 6 de outubro. Nesta quarta, Rosa Weber, que é a relatora do caso, votou por conceder parte dos pedidos, determinando que a União adote, em 60 dias, nos limites de suas competências, as providências necessárias à reativação do fundo, com o formato de governança anterior, estabelecido em decreto de 2008.

“O problema da omissão inconstitucional, que procurei desenhar, reside no comportamento comissivo do administrator que instaurou um marco normativo desestruturante do antecedente, sem as salvaguardas jurídicas para manutenção do quadro mínimo dos deveres e direitos ao meio ambiente equilibrado”, disse.

“Entendo como medida jurisdicional adequada, para a primeira solução do problema, a suspensão da aplicação dos dispositivos que alteraram o modelo de governança do Fundo Amazônia. Compete à União tomar as medidas administrativas necessárias para a reativação do fundo”, declarou.

O julgamento foi suspenso e deverá ser retomado na próxima sessão, prevista para 3 de novembro, para o voto dos demais ministros. Até agora, também votaram André Mendonça, Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Dias Toffoli

Fundo Amazônia
Criado em 2008 para financiar projetos de redução do desmatamento e fiscalização, o Fundo Amazônia está parado desde abril de 2019, quando o governo Bolsonaro extinguiu os colegiados Comitê Orientador (COFA) e o Comitê Técnico (CTFA), que formavam a base do fundo.

Somente neste ano, a área de floresta derrubada na Amazônia Legal, de janeiro a setembro, atingiu 9.069 km², um número quase oito vezes maior que a cidade do Rio de Janeiro. Os dados foram divulgados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Um relatório de auditoria elaborado pela Controladoria Geral da União (CGU) apontou, em junho, que a gestão do Ministério do Meio Ambiente do governo Bolsonaro colocou em risco a continuidade do Fundo Amazônia e, por conseguinte, uma série de políticas ambientais, ao extinguir de forma unilateral, “sem planejamento e fundamentação técnica” colegiados que formavam a base dessa iniciativa de financiamento.

De acordo com a CGU, até dezembro do ano passado, o fundo já tinha cerca de R$ 3,2 bilhões parados para a destinação a novos projetos.

Em abril deste ano, o Supremo derrubou três decretos sobre política ambiental do governo Bolsonaro, incluindo o que extinguiu o Comitê Organizador do Fundo Amazônia. As decisões faziam parte do chamado “pacote verde”, que discute políticas socioambientais adotadas no país nos últimos anos.

Em audiência pública sobre a ação em julgamento, realizada em 2020, o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que o governo federal não recriou o Conselho Orientador do Fundo Amazônia porque os países europeus doadores rejeitaram mudanças no modelo de gestão dos recursos.

Em maio do ano passado, Salles tentou mudar as regras do Fundo e anunciou a intenção de destinar os recursos captados para indenizar proprietários de terras. Ele também afirmou na época haver indícios de irregularidades nos contratos firmados com ONGs, mas não apresentou nenhuma prova que confirmasse a afirmação.

Alertas de desmate na Amazônia têm pior setembro da série histórica, aponta Inpe

O acumulado de alertas de desmatamento em setembro de 2022 na Amazônia foi de 1.455 km², segundo dados divulgados nesta sexta-feira (7) pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). É o pior setembro da série histórica do Deter, que começou em 2015.

O número representa um crescimento de 47,7% em relação a setembro do ano passado e equivale ao tamanho da cidade de São Paulo em área. O segundo pior número da série foi registrado em 2019, no primeiro ano do governo Bolsonaro (PL). Na época, os alertas para setembro chegaram a 1.454 km².

No acumulado de 2022, as áreas de alerta de desmatamento já somam 8.590 km², um número 4,5% maior do que todos os alertas do ano passado.

Segundo o Observatório do Clima, o índice preocupa porque pode igualar ou até mesmo superar nos próximos três meses que restam do ano o recorde histórico de 2019 (9.178 km²).

Tudo isso num contexto de altos índices no começo do ano. Janeiro e fevereiro de 2022 acumularam recordes de desmatamento no Brasil, algo incomum, visto que estes são meses chuvosos na maioria dos estados que englobam o bioma, e as taxas de desmatamento são tipicamente menores durante esse período.

“Bolsonaro foi, afinal, o presidente que até hoje se orgulha em dizer que desmontou a fiscalização ambiental e que não demarcou ‘nenhum centímetro’ de terra indígena”, avalia o Observatório do Clima.

“Colheu, como resultado de tudo isso, o primeiro ciclo de três altas seguidas nas taxas de desmatamento medidas pelo Inpe em um mesmo mandato presidencial — e pode estar a caminho de uma quarta”.

Deter x Prodes
Os alertas de desmatamento foram feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Inpe, que produz sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²), tanto para áreas totalmente desmatadas como para aquelas em processo de degradação florestal (exploração de madeira, mineração, queimadas e outras).

O Deter não é o dado oficial de desmatamento, mas alerta sobre onde o problema está acontecendo. A medição oficial do desmatamento, feita pelo sistema Prodes, costuma superar os alertas sinalizados pelo Deter.

Óleo volta a aparecer no Litoral Sul de Pernambuco; duas toneladas são retiradas em Tamandaré

Duas toneladas de óleo foram retiradas de praias em Pernambuco entre domingo (2) e segunda-feira (3). Pedaços sólidos de óleo que se assemelham a petróleo cru foram encontrados inicialmente por um pescador na cidade de Tamandaré, localizada no Litoral Sul do Estado.

Segundo o Centro de Pesquisa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) do município pernambucano, a maior parte do óleo já foi retirado, mas os trabalhos de limpeza das praias devem continuar nesta terça-feira (4).

A substância possivelmente tem origem na lavagem de tanque de navio petroleiro, conforme nota técnica emitida por cientistas depois de episódio semelhante registrado em agosto, ao Norte da Região Metropolitana do Recife.

Amostras foram encaminhadas para análise no Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A avaliação deverá indicar se os resíduos são da mesma natureza dos encontrados em agosto.

Na segunda-feira, mais óleo foi encontrado na foz do rio Mamucabas, em Tamandaré e Barreiros. A equipe da APA Costa dos Corais trabalhou na limpeza.

Em agosto, foram recolhidas pelotas de óleo em 10 praias de Pernambuco, duas da Paraíba, uma da Bahia e outra de Alagoas.

Após analisar o óleo que apareceu em agosto, cientistas brasileiros concluíram que o material não é do mesmo tipo de petróleo do desastre ambiental de 2019. Segundo a perícia, trata-se de petróleo cru, possivelmente do Golfo do México e a hipótese mais provável é que ele tenha sido derrubado durante a lavagem de tanques de navio petroleiro em alto mar.

Segundo a coordenadora do Programa Ecológico de Longa Duração Tamandaré Sustentável, a professora Beatrice Padovane, o ressurgimento desse óleo agora em outubro preocupa. “O óleo residual do acidente de 2019 eventualmente ressurge na praia, mas tem características diferentes das pelotas. É mais duro e não tem cracas, que se inscrustam no óleo quando ele está à deriva em alto-mar”, esclarece.

A professora, que trabalha no monitoramento ambiental da região, ressalta que os prejuízos podem ir além dos efeitos sobre o turismo, porque o óleo pode se propagar na cadeia alimentar das espécies marinhas da região.

Na semana passada, também foram identificados fragmentos de óleo no município de Coruripe, em Alagoas.

Familiar que tingiu cachoeira em chá de revelação é multado em R$ 10 mil

O familiar que usou um produto para tingir piscinas no chá revelação que deixou a água da cachoeira Queima-pé azul, em Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá, foi multado em R$ 10 mil pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) por conduta em desacordo com a legislação. A identidade dele não foi divulgada.

Segundo o estado, apesar de as amostras coletadas no local não apontarem alterações na qualidade da água em parâmetros físicos, como cor e odor, ou mortandade da fauna, ele foi autuado por “lançar resíduos sólidos, líquidos ou gasoso ou detritos, óleos ou substâncias oleosas”, de acordo com o decreto federal nº 6.514/2008.

O evento foi realizado no domingo (25). Imagens publicadas por pessoas que participaram da festa – apagadas posteriormente, após repercussão negativa – mostram o momento em que a água da cachoeira fica azul para anunciar a chegada de um menino. Eles também usam fumaça colorida e soltam confetes.

O responsável pelo tingimento da água da cachoeira foi ouvido pelo Sema-MT na quinta-feira (29). Já o casal informou ao órgão que tinha conhecimento de que tal situação ocorreria no chá revelação. O dono da propriedade onde a festa foi realizada relatou que apenas cedeu o espaço.

O g1 tentou contato por telefone com um dos responsáveis pelo chá revelação na tarde desta sexta-feira (30), mas as ligações não foram atendidas.

Investigação

No dia posterior ao chá revelação, técnicos da secretaria estadual estiveram no local, acompanhados de servidores da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Tangará da Serra.

Conforme o gerente regional da Sema-MT, os relatórios serão encaminhados à Polícia Civil para investigação.

O Ministério Público também acompanha o caso.

O dono da propriedade também foi ouvido pela secretaria estadual e informou que apenas cedeu o local.

Baleia-jubarte é encontrada morta na praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho

Uma baleia-jubarte foi encontrada morta na praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, no Litoral Sul de Pernambuco, na última terça-feira (20). O animal estava em estado de decomposição, segundo contou à reportagem o ambientalista voluntário Adriano Artoni.-

“Ela vinha em decomposição avançada entre três e cinco dias. Pedaços dela foram parar nas praias de Candeias, de Barra de Jangada, até ela encalhar no Paiva. Ali tem muitas dunas de areia no mar, e como o mar secou, facilitou para ela encalhar”, explicou o funcionário da Secretaria de Meio Ambiente de Jaboatão dos Guararapes.

Ainda de acordo com Artoni, a baleia, provavelmente, é uma fêmea adulta, com 12,7 metros e aproximadamente dez toneladas. Não foi possível saber a causa da morte. No entanto, amostras da baleia como tecido, músculo e gordura foram coletados para estudos de especialistas do Centro de Conservação de Mamíferos Aquáticos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (CMA-ICMBio) e para o Laboratório de Estudos Herpetológicos e Paleoherpetológicos (LEHP) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Como o animal de grande porte foi encontrado em uma praia de seu território, a prefeitura do Cabo de Santo Agostinho foi acionada para fazer o procedimento de retirada da baleia e destiná-la a um local correto. Artoni explica que nessas ocasiões, os animais são em valas na praia, onde podem ser facilmente encontrados para outros estudos, além de virar alimento para as demais espécies marinhas.

Extração ilegal de madeira cresce 11 vezes em terras indígenas do Pará

A área de extração ilegal de madeira em territórios indígenas no Pará aumentou 11 vezes em um período de 12 meses.

Nos territórios indígenas do estado, a extração madeireira aumentou de 158 hectares no período de agosto de 2019 a julho de 2020 para 1.720 hectares entre agosto de 2020 e julho de 2021. O número representa uma taxa de quase 1000%.

Os dados foram divulgados em um levantamento da Rede Simex, formada por quatro instituições ambientais: o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e o Instituto Centro de Vida (ICV).

A rede também analisou o número de terras indígenas invadidas pela atividade ilegal. Segundo a publicação, cinco territórios tiveram extração madeireira entre agosto de 2020 e julho de 2021.

No relatório anterior, que analisou os anos de 2019 e 2020, apenas a Terra Indígena Baú, no sudeste do Pará, havia sofrido extração madeireira.

Ainda de acordo com os dados do levantamento, Amanayé, localizada no município de Goianésia do Pará, foi o território mais impactado. Entre agosto de 2020 e julho de 2021, 1.255 hectares foram explorados no local, o que corresponde a 73% das terras indígenas do Pará afetadas pela extração ilegal de madeira.

“Embora presente no banco de dados de Terras Indígenas da Fundação Nacional do Índio (Funai), esse território ainda aguarda aprovação, o que o coloca ainda mais em risco”, ressalta o Imazon.

Impacto em Unidades de Conservação

Além de identificar as áreas de terras indígenas, os pesquisadores também analisaram a exploração ilegal de madeira nas unidades de conservação.

Entre 2019 e 2020, a pesquisa não encontrou atividade irregular em áreas maiores que 1 hectare, tamanho a partir do qual a Rede Simex mapeia a extração de madeira. Contudo, entre agosto de 2020 e julho de 2021, foram encontrados 128 hectares com extração não autorizada em unidades de conservação no Pará.

“O aumento da exploração de madeira dentro das terras indígenas e o registro nas unidades de conservação é extremamente preocupante, pois indica que esses territórios – que por lei devem ser protegidos com prioridade – não estão recebendo a atenção necessária para barrar novas invasões”, afirma o pesquisador do Imazon Dalton Cardoso.

Ainda segundo o levantamento, a maior parte da exploração ocorreu na Floresta Nacional do Jamanxim, próximo dos municípios de Itaituba e Novo Progresso. O local teve 56 hectares com registros de exploração madeireira, o que representa 45% da área irregularmente afetada nas unidades de conservação do Pará

Total de queimadas na Amazônia em menos de 9 meses de 2022 supera o acumulado do ano passado

O número de queimadas registradas na Amazônia até a terça-feira (19) já superou o total registrado em todo o ano de 2021. Em nove meses incompletos (261 dias) foram 76.587 focos de incêndio na região em 2022. No ano passado inteiro, foram 75.090, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Desde maio os meses acumulam mais queimadas agora do que no ano passado. Os números também mostram que setembro deve intensificar essa marca negativa, já que foram 18.374 focos registrados em apenas uma semana, quase 10% a mais que em todo o mesmo mês de 2021.

Na atual “temporada de queimadas”, houve até mesmo dia em que a fumaça das queimadas na Amazônia cruzou o céu do Brasil deixando cheiro de queimado em SP e tarde nublada no Rio Grande do Sul.

Tragédia anunciada
A ONG ambientalista Greenpeace afirmou em nota que o aumento das queimadas é uma “tragédia anunciada” e está “associado com desmatamento e grilagem de terras”.

O desmatamento e os incêndios florestais dispararam durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), que tentará a reeleição em outubro. Desde que ele assumiu a Presidência, em janeiro de 2019, o desmatamento médio anual na Amazônia brasileira aumentou 75% em comparação com a década anterior.

“Após quase quatro anos de uma clara e objetiva política anti-ambiental por parte do governo federal, vemos que na iminência do encerramento deste mandato (…), grileiros e todos aqueles que têm operado na ilegalidade viram um cenário perfeito para avançar sobre a floresta”, disse no comunicado o porta-voz do Greenpeace Brasil para a Amazônia, André Freitas.

Fumaça de fogo na Amazônia chega a São Paulo, Paraná e Bolívia

A fumaça gerada pelos intensos incêndios na Amazônia, que ocorrem em níveis alarmantes há semanas e já atingem Unidades de Conservação e Terras Indígenas, se deslocou para São Paulo, Paraná e a Bolívia. A situação pode ser vista por imagens do satélite GOES 16, divulgadas pela MetSul nesta quarta-feira (7).

Além disso, na própria Amazônia há cidades cobertas pela fumaça, como Rio Branco (AC), onde o nível de poluição do ar registrado é de 225 microgramas por metro cúbico, valor quase 10 vezes maior que o máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Com isso, a cidade atingiu o nível de alerta na saúde na escala da Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar do Acre, coordenado pelo Ministério Público do Acre (MPAC).

Nos últimos dias, a previsão era justamente do deslocamento da fumaça para o Sul, o que se confirmou nesta quarta. Segundo o boletim do MetSul, chama a atenção a “grande quantidade de fumaça” nas imagens de satélite. Devido às correntes de vento, um corredor de fumaça de mais de 5 milhões de quilômetros quadrados se formou do Norte ao Centro-Oeste do país, mas agora a poluição já é vista no Paraná, no extremo oeste do estado de São Paulo e até na Bolívia.

Como mostrou O GLOBO, os incêndios na Amazônia estão batendo recordes nas últimas semanas. Na primeira semana desse mês, o número de focos de queimada detectados (16.700) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já é praticamente o mesmo do que foi registrado em todo o mês de setembro do ano passado (16.742). De janeiro a setembro, a quantidade de fogo em 2022 é 45% maior do registrado no mesmo período de 2021. Segundo especialistas, além do clima seco, as ações criminosas estão promovendo uma “corrida pelo desmatamento”, o que já atinge Unidades de Conservação e Terras Indígenas.

Fumaça de queimadas cobre 5 milhões de km² do Brasil e chega a outros países

Uma “nuvem” de fumaça provocada pelas queimadas se espalha pelo Norte do Brasil e por países vizinhos nesta segunda-feira (5), data em que é celebrado o Dia da Amazônia.

Uma imagem registrada nesta tarde pelo satélite geoestacionário Goes-16 mostra os seguintes estados sob o impacto da dispersão dos poluentes: Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Mato Grosso e Pará.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área coberta pela fumaça abrange cinco milhões de km².
Campanha reúne artistas e personalidades pedindo Amazônia Livre, Democracia Viva

A destruição acumulada em 2022 no bioma já é pior do que a verificada no ano passado: desde o começo do ano até domingo (4), Amazônia teve 58 mil focos de queimadas, total que representa 20% a mais do que o registrado no mesmo período do ano anterior.

Dados que ainda serão contabilizados na série histórica mostram a situação nesta tarde de segunda-feira (5): o satélite Aqua detectou 2.706 focos, sendo 913 (34%) no Amazonas, 725 (27%) no Mato Grosso, 638 (24%) em Rondônia, 227 (8%) no Acre, 197 (7%) no Pará e 6 (0,2%) no Maranhão.

Ao contrário das imagens que mostram a situação do solo em tempo quase real, os dados sobre a poluição causada pelas fumaças demoram dois dias para serem consolidados pelo Inpe. Na mais recente (veja acima), feita no sábado (3), é possível visualizar um corredor de poluição cobrindo o Norte, o Centro Oeste e o Sudeste do país. Na imagem, a fumaça aparece em marrom, e os focos de queimadas estão sinalizadas com pequenas cruzes vermelhas aglomeradas.

“Gelo zumbi” na Groenlândia elevará o nível do oceano em 26.9 cm, diz estudo

Um “gelo zumbi” na Groenlândia elevará o nível do oceano em 26.9 cm, de acordo com um estudo publicado na revista científica “Nature”, na segunda-feira (29). O gigante bloco de gelo está condenado a derreter até mesmo se a emissão de carbono fosse reduzida.

O “gelo zumbi” recebe este nome porque ele ainda está conectado às áreas mais espessas da geleira-mãe, mas não é mais alimentado por ela, pois ela está recebendo menos suprimento de neve. A consequência disso é o derretimento inevitável do gelo e o aumento do nível do oceano.

Esse nível de elevação representa mais que o dobro do que os cientistas esperavam, tendo em vista o padrão de derretimento do gelo na Groenlândia. O motivo disto é, segundo o jornal “The Washington Post”, a atividade humana e o desequilíbrio climático.

Segundo os pesquisadores, mais de 120 trilhões de toneladas de gelo irão derreter por causa da incapacidade do maior bloco, que está sendo aquecido, de reabastecer suas bordas. William Colgan, do Serviço Geológico da Dinamarca e da Groenlândia (GEUS, sigla em Inglês), explica que 3,3% do volume total de gelo da Groenlândia derreterá, não importa o que aconteça, mesmo que a emissão de carbono seja reduzida.

“É gelo morto. Simplesmente vai derreter e desaparecer do manto glacial”, diz Colgan.

A revista acadêmica “Nature Climate Change” diz que o oceano pode aumentar 76,2 cm. Já a pesquisa, do ano passado, do “Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas” revela que esse número pode ficar atingir entre 5,08 cm e 12,7 cm, até o ano de 2100, devido ao derretimento das geleiras na Groenlândia.

A pesquisa usou imagens de satélite para monitorar o degelo no país e a alteração da forma da calota glacial entre 2000 e 2019. Foi a primeira vez que cientistas calcularam uma perda mínima de gelo no local.

O aumento das temperaturas, causadas principalmente por causa da emissão de gás carbônico na atmosfera terrestre, em quase todo o oceano Ártico, fazem com que o gelo derreta mais rápido do habitual, resultando em fenômenos como o “gelo zumbi”.

Mas o estudo do GEUS aponta, com esperança, que o mundo ainda pode cortar rapidamente a emissão de gases de efeito estufa, e com isso, limitar o aquecimento próximo a 1,5 graus Celsius, para assim impedir que as coisas piorem.

Novos vestígios de óleo são encontrados no litoral pernambucano

Após o aparecimento de vestígios de óleo no litoral pernambucano, uma vistoria nas faixas de areia dos municípios do litoral norte e sul foi realizada neste domingo (28) por equipes de órgãos ambientais. Durante os trabalhos, foram encontrados vestígios em praias dos municípios de Sirinhaém, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Recife, Olinda, Paulista, Igarassu, Itamaracá e Goiana. No balanço, as equipes informaram que o óleo, inclusive, alcançou o estado da Paraíba. Os novos vestígios surgiram na costa pernambucana desde a última quinta-feira (25).

As praias do litoral norte pernambucano foram os lugares onde as equipes acharam o maior volume do material, que encontra-se disposto pela faixa de areia tanto em pequenos fragmentos, quanto em formato de “bolotas”. As amostras dos materiais recolhidos já estão em análise no Laboratório de Compostos Orgânicos em Ecossistemas Costeiros e Marinhos (OrganoMAR), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

As equipes que participaram do monitoramento deste domingo foram da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas-PE), da CPRH, do Ibama e da Marinha do Brasil.

Uma nova reunião de monitoramento com órgãos ambientais está marcada para esta segunda-feira (29), às 10h, no auditório da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). As vistorias vão contar com o apoio aéreo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que realizará sobrevoo de análise da costa e do alto mar.

A Semas reforça a necessidade de que as prefeituras das cidades litorâneas intensifiquem as equipes de limpeza em suas respectivas praias. A secretaria orienta que caso encontrem material semelhante ao óleo, que façam registros fotográficos e comuniquem à CPRH através do contato (81) 99488-4453 e e-mail comunicacao@cprh.pe.gov.br. Além disso, foi pedido que os municípios façam o recolhimento e a destinação deste tipo de resíduo para aterro sanitário industrial.

Com 3,3 mil focos, Amazônia tem pior dia de queimadas em 15 anos, apontam dados do Inpe

A atual temporada de queimadas na Amazônia registrou, na segunda-feira (22), um recorde negativo: 3.358 focos de incêndio no intervalo de 24 horas. É a pior marca em 15 anos, de acordo com dados do programa federal que monitora as queimadas no bioma.

Considerando a base do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), antes do verificado nesta semana, a data mais recente a registrar um recorde de queimadas havia sido 30 de setembro de 2007, quando o satélite que monitora a região flagrou 3.936 focos em 24 horas.

Desde aquela data em 2007 não houve período de 24 horas com número maior do que o desta segunda-feira 22 de agosto. De acordo com o próprio Inpe, os números deste dia são compatíveis com valores dos “anos de ocorrências de queimadas mais críticos da série, de 2004 a 2007”.

Para o coordenador do programa do Inpe, ainda é cedo para fazer uma análise da atual temporada, sobretudo por que os meses de setembro, outubro e novembro também costumam apresentar picos no uso de fogo na vegetação.

“Os resultados irão depender principalmente da meteorologia, sendo que no presente a previsão de precipitação para os próximos meses é de neutralidade no sul da Amazônia. E também dependerão da fiscalização e punição. Em 2019, tivemos o outubro com menor número de focos nas regiões onde a Operação Verde-Brasil atuou. Vai depender da efetividade da Operação Guardiões do Bioma/TamoioTatá”, analisa Setzer.

Senado aprova projeto que reduz em 40% área da Floresta Nacional de Brasília

Um projeto de lei aprovado no Senado reduziu a área da Floresta Nacional de Brasília.

Criada em 1999, a unidade de conservação que nasceu para conter a ocupação desordenada do solo do Distrito Federal e proteger nascentes. Administrada pelo governo federal, a floresta tem 9.346 hectares, divididos em quatro áreas de preservação. Mas foram muitas invasões ao longo do tempo.

Casas, galpões e comércios, está virando uma cidade. A área dois está totalmente ocupada e a área três também está sendo dividida. Cerca de 40 mil pessoas vivem de forma ilegal. Como estão dentro da floresta, as casas não têm fornecimento regular de luz ou água.

Os moradores pressionam pela regularização dos terrenos que ocupam, alguns há muitos anos e essas pressões chegaram ao Congresso. O projeto de parlamentares de Brasília, foi pautado na terça-feira (9) e em 24 horas estava aprovado, sem passar por nenhuma comissão.

Na justificativa, o relator senador Izalci Lucas do PSDB disse que buscou a “conciliação entre preservação ambiental e o direito à moradia digna” e que a proposta encerra “um ciclo histórico que se arrasta há décadas de insegurança jurídica e subdesenvolvimento local”.

O professor de Urbanismo da Universidade de Brasília, Frederico Flosculo, diz que o projeto foi aprovado sem discussão.

“Foi feita de uma maneira política, imprevisível e irresponsável. Então o que nós temos adiante é a degradação da própria política ambiental e territorial”, explica.

Se o governo sancionar o projeto, a Floresta Nacional perderá 40% de área.

O projeto de lei retira da Floresta Nacional toda a área verde que já está cercada de cidades e fazendas. O local é a cabeceira dos principais mananciais que abastecem a Represa do Descoberto, responsável por fornecer água para 60% da população do Distrito Federal.

O receio dos especialistas é que, agora, a região também seja invadida por grileiros e ocupada de forma irregular. No chão, já dá para ver estradas e lotes sendo preparados. Perto de uma vereda, uma casa pronta com vários cães.

O texto aprovado no Senado não estabelece compensações ambientais claras, mas o relator disse, em seu voto, que a redução será compensada com a criação de um parque.

“Na hora que você desequilibra o meio ambiente no Planalto Central, aqui em Brasília, você vai ter reflexo no Pantanal, você vai ter reflexo na Baía do Prata e na bacia do Tocantins. Meio ambiente é uma coisa, é um ser vivo sistêmico”, explica a diretora-executiva da Ascema, Tânia Maria.

Aumento dos casos da varíola dos macacos provoca onda de ataques a esses animais

O aumento dos casos da varíola dos macacos provocou uma onda equivocada de ataques a esses animais. É uma ação completamente inútil porque a transmissão do vírus se dá exclusivamente pelo contato entre pessoas.

Macacos-prego vivendo livres, saudáveis, como tem que ser, em uma área que fica a poucos quilômetros do centro de Rio Preto, no noroeste de São Paulo. Espaços assim ganharam ainda mais a atenção da polícia ambiental; fiscalização intensa para tentar frear ataques aos animais. Trabalho de orientação mesmo.

“Informar a população que esses animais não são transmissores da varíola dos macacos, esse tipo de informação”, diz o tenente Fábio Leme, da Polícia Ambiental.

Vídeos feitos na reserva ecológica mostram os macacos passando mal e serviram de alerta para a Polícia Ambiental. O coordenador-geral da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres diz que casos de apedrejamento, perseguição e envenenamento contra macacos estão sendo registrados em vários lugares do país.

“Desde que começaram a surgir informações sobre essa nova doença, nós temos percebido um aumento no número de casos de animais que são perseguidos, que são apedrejados ou mesmo envenenados em função da falta de informação da sociedade brasileira. É importante a gente deixar claro que os macacos do Brasil não possuem o vírus da nova varíola e, portanto, eles não representam nenhuma ameaça para o ser humano”, explica Dener Giovanini.

Em menos de uma semana, oito macacos foram resgatados em áreas de mata em Rio Preto – um deles, inclusive, já estava morto. Os outros sete apresentavam sinais de possível intoxicação, quase não conseguiam andar, e alguns ainda estavam machucados. Eles foram socorridos por equipes da Polícia Ambiental e também do zoológico da cidade.

A suspeita é que eles tenham sido envenenados, depois da confirmação de três casos positivos da varíola dos macacos na cidade.

Dos sete, apenas três conseguiram sobreviver. Segundo o veterinário Guilherme Guerra Neto, gestor do zoológico, ainda não é possível saber qual substância causou a intoxicação.

“Eles responderam bem ao tratamento, ao protocolo contra intoxicação que a gente fez. Elas estando bem e aptas para voltar para vida livre, para o seu grupo, na mata, vai ser realizada a soltura desses animais de volta ao grupo”, conta.

Maurício Nogueira, virologista da Faculdade de Medicina de Rio Preto, explica que os animais encontrados no Brasil não oferecem risco para o ser humano quando o assunto é a varíola dos macacos.

“O que nós estamos vendo no Brasil e o que nós estamos vendo na Europa, nos Estados Unidos, é uma transmissão entre pessoas; pessoas que estão doentes e estão transmitindo por contato próximo para outras pessoas. Não existe nenhuma evidência da circulação do vírus da varíola de macacos em macacos no Brasil. Não há necessidade de ocorrer pânico, não há necessidade de evitar os macacos brasileiros, os macacos das Américas, que não são hospedeiros, não estão carregando esse vírus, e não estão transmitindo esse vírus”, afirma.

Homens armados intimidam equipe da base de proteção da Funai no Vale do Javari, diz Univaja

Dois homens armados intimidaram a equipe da Base de Proteção Etnoambiental (Bape) da Fundação Nacional do Índio (Funai), no Vale do Javari, no Amazonas, segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) . O caso ocorreu no sábado (15), mas a informação só foi divulgada pela entidade nesta terça-feira (19).

A base está localizada no no rio Jandiatuba, em uma região próxima ao local onde o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips foram assassinados, em junho. O g1 tenta contato com a Funai, Polícia Federal (PF) e Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM).

Segundo a Univaja, era por volta das 17h, quando os homens armados chegaram ao local e perguntaram quantos funcionários, dentre eles indígenas do povo Matis, estavam trabalhando naquela base.

Conforme os relatos da equipe, o objetivo explícito era intimidar e assediar os servidores que atuam na região.

A Terra Indígena Vale do Javari abriga a maior quantidade de informações e referências confirmadas de indígenas isolados.

Mesmo após a forte comoção e repercussão em torno do duplo assassinato ocorrido em junho, indígenas e servidores da Funai afirmam que continuam sendo alvos constantes de ameaças.

No início do mês, o atendimento ao público foi suspenso na sede da Funai, em Atalaia do Norte, município que concentra parte do território do Vale do Javari. A medida foi adotada depois que dois homens de nacionalidade colombiana foram à unidade para procurar por um funcionário, em tom intimidador. Na ocasião, servidores afirmaram ao g1 que adotaram a medida por causa do “clima de tensão” e “insegurança”.

Desmatamento em 2021 aumentou 20%, aponta levantamento do MapBiomas

O desmatamento no país aumentou 20% em 2021, segundo o Relatório Anual de Desmatamento no Brasil (RAD), do MapBiomas. Dados do levantamento apontam que perdemos 16.557 km² da cobertura de vegetação nativa em todos os biomas.

Nos últimos três anos (2019-2021), o Brasil perdeu quase um Estado do Rio de Janeiro de vegetação nativa. A velocidade média de desmatamento no país também aumentou: passou de 0,16 hectares por dia para cada evento detectado em 2020, para 0,18.

Só na Amazônia foram 111,6 hectares desmatados por hora ou 1,9 hectare por minuto, o que equivale a cerca de 18 árvores por segundo, alerta o documento.

A agropecuária foi responsável por quase todo o desmatamento do país, com percentuais acima de 97%. Outros vetores relevantes, de acordo com o RAD, são o garimpo, mineração, expansão urbana e outras causas. “97% do desmatamento em geral aconteceu por conta da conversão da floresta para atividade agropecuária, seja pecuária, seja agricultura. Depois vem garimpo, o segundo grande motivo.

Os alertas de desmatamento que cruzam com imóveis rurais que estão no Cadastro Ambiental Rural (CAR) correspondem a 77% da área total.

“3 em cada 4 desmatamentos detectados no Brasil você consegue identificar um responsável, porque está no cadastro (CAR). Então deveria ter as ações sobre eles. O que vemos é que não existe da direção do órgão ambiental no nível federal a vontade de enfrentar esse problema de frente”, explica Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.

Mortes por onda de calor extremo na Europa passam de 1 mil

A Europa enfrenta há uma semana uma onda de calor extremo que vem causando estragos. As altas temperaturas na última semana, com termômetros em torno de 40ºC, já provocaram pelo menos mil mortes, segundo órgãos de saúde da Espanha e de Portugal. Os países ibéricos, assim como a França, também continuam a combater incêndios florestais que levaram à retirada de milhares de pessoas de suas casas.

A previsão é de que a onda de calor se estenda para além deste final de semana. Segundo meteorologistas, os próximos dias podem registrar novos recordes de temperatura.

No sudoeste do país, pelo menos mil bombeiros seguem mobilizados para conter incêndios florestais que já devastaram mais de 10,5 mil hectares deste terça-feira (12) na região de Gironda. Não há registros de vítimas dos incêndios até o momento.

No total, mais de 14 mil pessoas, entre moradores e turistas, foram evacuadas de residências e acampamentos na região. Segundo a RFI, sete centros de alojamento de emergência e uma célula de emergência médico-psicológica foram abertos para apoiar as vítimas.

No sábado (16), o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a primavera foi muito seca e que este ano já contabiliza três vezes mais área de floresta queimada na comparação com 2020.

Ele disse que o país está se beneficiando da “solidariedade europeia” e agradeceu à Grécia pelo envio de aviões que chegaram à França na sexta (15) e outros da Itália que deverão chegar nos próximos dias, de acordo com a emissora alemã Deutsche Welle.

A previsão dos serviços meteorológicos é de que as temperaturas ultrapassem os 40ºC em muitas cidades do interior da França nos próximos dias. Em Paris, isso deve acontecer na segunda e terça-feira. No último alerta meteorológico, 38 dos 96 departamentos do país foram listados em alerta “laranja”.

Balsa e draga de garimpo são flagradas em área de conservação no AM, diz entidade ambiental

Ativistas ambientais estão denunciando a instalação de uma balsa e de uma draga de garimpeiros em unidades de conservação na região do Rio Juruá, no Amazonas. Segundo o Fórum Território Médio Juruá (TMJ), a embarcação foi flagrada em áreas dos municípios de Carauari e Juruá.

Na quarta-feira (29), a entidade protocolou denúncia ao Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE), Polícia Federal (PF), Secretaria do Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema) e à Promotoria de Justiça de Carauari. O g1 solicitou posicionamento de ambos os órgãos e aguarda retorno.

De acordo com o TMJ, a balsa de garimpo foi avistada por representantes de organizações extrativistas do município de Juruá e no município de Carauari.

Mesmo existindo processos em andamento na Agência Nacional de Mineração (ANM) com pedidos de autorização de atividades garimpeiras nos dois municípios, a exploração mineral na região segue sem licença.

Ainda conforme o TMJ, os locais onde a balsa e a draga garimpeira foram avistadas ficam nos limites de Unidades de Conservação de Carauari e Juruá. Por conta disso, a entidade ressalta que atividades de garimpo, se implementadas nesse território, podem acarretar prejuízos irreversíveis à saúde humana e ao meio ambiente.

A organização disse que solicitou às autoridades que sejam investigadas as circunstâncias e identificados os responsáveis que instalaram a balsa garimpeira aos municípios de Carauari e Juruá. A entidade também pede a adoção de ações concretas para impedir a instalação do garimpo ilegal na região.

Amazônia tem mês de junho com maior número de queimadas desde 2007; no Cerrado, índice é o maior desde 2010

A Amazônia e o Cerrado registraram recordes históricos no número de focos de queimadas para junho, segundo monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe).

Na Amazônia, foram detectados 2.562 focos de calor, o maior número para o mês desde 2007, quando 3.519 focos foram registrados. É o terceiro ano consecutivo de alta no número de focos de calor na floresta.

Os meses de maio e junho marcam o início da temporada de queimadas e desmatamento na Amazônia, por causa do período de seca na floresta. Em maio, o Inpe detectou 2.287 focos de calor na floresta, também um recorde histórico: foi a maior quantidade para o mês desde 2004.

Segundo os dados históricos, a tendência é que a quantidade de pontos de queimada na floresta aumente em julho e agosto. As medições são feitas desde 1998.

No acumulado do semestre, já são 7,5 mil focos de calor registrados na floresta, um aumento de 18% em relação ao mesmo período de 2021. A Amazônia também viu um semestre com a maior área sob alerta de desmatamento em 7 anos, ainda sem os dados dos últimos 6 dias de junho.

Em nota, o especialista em políticas públicas do WWF-Brasil Raul do Valle afirmou que “com Bolsonaro correndo atrás nas pesquisas, os grileiros, os garimpeiros e todos que navegam na impunidade” estão “sentindo que precisam correr para consolidar seus crimes, com receio de que um novo governo possa acabar com essa festa”.

“É uma verdadeira corrida contra o Brasil e até o final do ano vamos ver o tamanho desse desastre”, disse do Valle.

Nesta semana, um documento obtido pelo g1 apontou que o Ministério do Meio Ambiente do governo Bolsonaro colocou em risco a continuidade do Fundo Amazônia, criado há cerca de 14 anos para financiar ações de redução de emissões geradas pela degradação florestal e pelo desmatamento.

Já o Cerrado registrou ainda mais pontos de queimada em junho do que a Amazônia: 4.239 focos, o maior número para junho desde 2010, quando 6.443 focos haviam sido detectados. Também é o terceiro ano consecutivo de alta nos focos de queimada no bioma.

Cerrado já perdeu 50% da vegetação original e pesquisadoras alertam para aumento do desmate e do fogo

Assim como na Amazônia, a temporada seca no bioma também já começou: no mês passado, foram registrados 3.578 focos de calor no Cerrado, o maior número para o mês desde que o Inpe começou as medições, em 1998.

No acumulado do semestre, o Cerrado somou quase 11 mil focos de queimadas; o número é o maior para o período desde 2010.

Os dados históricos do Inpe também apontam que deve haver ainda mais focos mensais de queimada no bioma pelos próximos três meses. No ano passado, foram detectados 41.937 focos de calor no Cerrado somente no período de julho a setembro.