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Bolsonaro promete provar falhas da urna eletrônica quinta

Dias depois de mais uma crise institucional causada pela polêmica do voto impresso que envolveu o ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto, o presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer que “não dá para termos” eleições no modelo atual.

Ele voltou a atacar o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, ontem à tarde.

Disse também que vai apresentar nesta semana provas de falhas nas urnas eletrônicas. Pela manhã, acompanhado por Braga Netto, ele passeou de moto por vários bairros de Brasília, por onde foi parando para cumprimentar várias pessoas.

“Na quinta-feira, vou demonstrar em três momentos a inconsistência das urnas, para ser educado. Não dá para termos eleições como está aí”, disse Bolsonaro ele em frente do Alvorada.

O presidente disse não ver democracia no que chamou de “eleições sujas”, em referência ao sistema atual. O TSE já diz que não há registro de fraude comprovada envolvendo a urna eletrônica desde que ela foi adotada, em 1996.

“Então, eleições limpas, todos nós queremos. Eleições sujas, isso eu não chamo eleições, isso não é democracia. E nós estamos com bastante antecedência falando o que pode acontecer na frente, e o que nós podemos fazer para evitar”, disse Bolsonaro.

As declarações foram transmitidas pela rede social do filho do presidente e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Bolsonaro confirma Ciro Nogueira na Casa Civil e recriação de Ministério do Trabalho

O presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta quinta-feira (22) que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi convidado e aceitou o convite para assumir a Casa Civil do governo. Ele assumirá a pasta na semana que vem.

Bolsonaro concedeu entrevista nesta manhã à Rádio Banda B, de Curitiba. Questionado sobre a reforma ministerial, o presidente disse que colocará um senador na Casa Civil e confirmou o nome de Nogueira, integrante do chamado Centrão.

A informação havia sido antecipada pela colunista Natuza Nery.

“Realmente deve acontecer semana que vem, está praticamente certo. Vamos botar um senador aqui na Casa Civil que pode manter um diálogo melhor com o parlamento brasileiro”, afirmou Bolsonaro.

“A princípio é ele [Ciro Nogueira]. Conversei com ele já, ele aceitou. Ele está em recesso, chega em Brasília segunda-feira, converso com ele, acertamos os ponteiros. E a gente toca o barco. É uma pessoa que eu conheço há muito tempo, ele chegou em 95 na Câmara, eu cheguei em 91”, acrescentou.

À rádio, Bolsonaro também confirmou a recriação do Ministério do Trabalho, que se chamará Ministério do Emprego e Previdência. O atual ministro da Secretaria Geral, Onyx Lorenzoni, será o titular deste novo ministério e o atual chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, assumirá seu lugar na Secretaria Geral.

“O general Ramos que está na Casa Civil continua sendo um ministro palaciano, vai para Secretaria Geral. E o Onyx, que eu chamo de coringa, ele vai para um novo ministério, que não vai ser aumentado o número de ministérios”, disse Bolsonaro.

Como o Banco Central perdeu esse status há dois meses, restabelecemos 23 ministérios e vai ser o Ministério do Emprego e Previdência. Esse que é o quadro pintado aqui agora. Nenhuma mudança drástica no meu entender. Acho que melhora a interlocução com o parlamento”, avaliou o presidente.

Desempenho de Bolsonaro em 2022 deve ditar alinhamento de Aras em novo mandato na PGR

Senadores avaliam que a recondução de Augusto Aras para mais dois anos à frente da PGR (Procuradoria-Geral da República) será aprovada com facilidade, e ele não deverá, de imediato, mudar a forma de atuar, principalmente se perceber alguma chance de o presidente Jair Bolsonaro se reeleger em 2022.

Aras é acusado pela oposição de alinhamento aos interesses do Palácio do Planalto. A avaliação é compartilhada por integrantes da cúpula da PGR.

Para continuar no cargo, o chefe do Ministério Público Federal será sabatinado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, em data ainda a ser definida, e precisará do voto de 41 dos 81 senadores no plenário da Casa. A indicação foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (21).

Bolsonaro anunciou em redes sociais nesta terça-feira (20) o envio da mensagem ao Senado sobre a recondução de Aras, cujo mandato se encerra em setembro.

Em nota divulgada pela Procuradoria, Aras afirmou “compromisso de bem e fielmente cumprir a Constituição e as leis do país”. Foi criticado internamente por não falar em independência do Ministério Público.

A definição ocorre em meio a pressões enfrentadas tanto por Bolsonaro quanto por Aras, indicado em 2019 fora da lista tríplice elaborada após eleição interna dos procuradores da República. O gesto foi repetido neste ano.

Depois de receber convite para a Casa Civil, Ciro Nogueira liga para presidentes da Câmara e do Senado

O senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), procurou os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para comunicar o convite que recebeu para assumir a Casa Civil.

A ida de Nogueira para o ministério, como parte de uma reforma ministerial, foi antecipada pelo blog da Natuza Nery. O presidente Jair Bolsonaro ainda não anunciou oficialmente, mas disse nesta quarta-feira (21) que nos próximos dias fará uma “pequena mudança” nos ministérios.

O gesto de Nogueira e ligar para Lira e Pacheco foi visto como um sinal de como será o perfil do senador na pasta: um estilo conciliador, que terá como principal função tentar melhorar a relação do Planalto com o Congresso.

Em viagem ao exterior, Nogueira ligou ainda na terça (20) para Lira. Nesta quarta (21), para Pacheco.

Nas conversas, os presidentes das duas Casas avaliaram que a mudança na Casa Civil é um movimento que pode ser importante para o governo na tentativa de distensionar a relação com o Congresso. O atual ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, deve ser deslocado para a Secretaria-Geral da Presidência.

“A se confirmar, desejo muita sorte ao dois nas novas funções. Tenho apreço pelo ministro Ramos e enorme consideração pelos senador Ciro Nogueira. Extraordinário colega, muito capaz politicamente. Acredito que vai ajudar o governo na relação com o Congresso”, afirma o presidente do Senado.

Depois das ligações, Ciro Nogueira conversou também com parlamentares e integrantes do seu partido e confirmou que aceitou o convite do presidente.

Bolsonaro diz que ‘pequena mudança ministerial deve ocorrer na segunda-feira’

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (21) que uma “pequena mudança ministerial deve ocorrer na segunda-feira (26)”.

O presidente deu entrevista à rádio Jovem Pan de Itapetininga. Ele argumentou que a reforma ministerial vai ser importante para “continuar administrando o país”.

“Estamos trabalhando, inclusive, uma pequena mudança ministerial, que deve ocorrer na segunda-feira, para ser mais preciso, e para a gente continuar aqui administrando o Brasil. Temos uma enorme responsabilidade, sabia que o trabalho não ia ser fácil, mas realmente é muito difícil. Não recomendo essa cadeira para os meus amigos”, afirmou Bolsonaro.

O blog da Natuza Nery havia adiantado na noite da terça-feira (20) que uma reforma ministerial estava a caminho.

De acordo com o blog, o movimento estudado por Bolsonaro é:

Recriar o Ministério do Trabalho: assumiria a pasta o ministro Onyx Lorenzoni, atualmente no comando da Secretaria-Geral da Presidência.

Mudança na Casa Civil: assumiria a Casa Civil o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos principais líderes do Centrão. O atual ministro, Luiz Eduardo Ramos, general da reserva, iria para a Secretaria-Geral da Presidência.

A ida de Nogueira para a Casa Civil seria uma tentativa de o Palácio do Planalto melhorar a relação com o Senado, em especial por causa da CPI da Covid, formada em maioria por senadores de oposição e que tem criado desgastes para o governo.

Bolsonaro reafirma que vetará fundo eleitoral de 2022

O presidente Jair Bolsonaro reafirmou na noite desta terça-feira (20) que vetará o fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões aprovado pelo Congresso Nacional na semana passada, no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) de 2022.

“Defendemos, acima de tudo, a harmonia entre os Poderes, bem como a sua autonomia. É partindo deste princípio que jogamos, desde o início, dentro das quatro linhas da Constituição Federal. Dito isso, em respeito ao povo brasileiro, vetarei o aumento do fundão eleitoral”, escreveu o presidente em postagem na sua conta de Twitter.

Defendemos, acima de tudo, a harmonia entre os Poderes, bem como a sua autonomia. É partindo deste princípio que jogamos, desde o início, dentro das quatro linhas da Constituição Federal. Dito isso, em respeito ao povo brasileiro, vetarei o aumento do fundão eleitoral.

— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) July 20, 2021

Ontem (19), em entrevista exclusiva para a Rádio Nacional, veículo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o presidente já havia sinalizado a intenção de vetar o valor aprovado pelos parlamentares. “A tendência nossa é não sancionar isso daí em respeito aos trabalhadores, ao contribuinte brasileiro”, disse o presidente. Ele defendeu que o recurso poderia ser melhor aplicado na construção de pontes e construção de malha rodoviária, por exemplo.%u2028%u2028

O fundo de financiamento de campanha foi criado após a proibição do financiamento privado, em 2015, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob o argumento de que as grandes doações empresariais desequilibram a disputa eleitoral. Nas eleições de 2018, o valor reservado para as candidaturas foi R$ 2 bilhões. O veto presidencial, se confirmado, precisará ser analisado pelos congressistas, que podem derrubá-lo.

Bolsonaro sugere reajuste do fundão pela inflação, mas repete que irá vetar os R$ 5,7 bilhões

Ao justificar o seu anunciado veto ao fundão eleitoral de R$ 5,7 bilhões aprovado pelo Congresso, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta terça (20) que a lei que criou o mecanismo de financiamento de campanhas prevê uma correção pela inflação.

O mandatário não deixou claro se pretende seguir essa regra para tentar negociar com o Parlamento os parâmetros de financiamento das eleições do ano que vem.

Em entrevista à rádio Itatiaia, Bolsonaro também disse que o valor decidido pelo Congresso “extrapolou” e que a previsão ficou muito acima do estabelecido para o pleito de 2018.

“Diz na lei [de criação do fundo] que a cada eleição o valor tem que ser corrigido levando-se em conta a inflação. E eu tenho que cumprir a lei.

“O ano retrasado, eu sancionei algo parecido [no Orçamento de 2020], mas que levou em conta a inflação do período. E eu não tinha como vetar”, disse o presidente, referindo-se ao aval dado por ele a um fundo de campanha de R$ 2 bilhões para aquela disputa.

Bolsonaro respondeu a uma pergunta da jornalista sobre se buscaria junto ao Congresso definir um montante menor para o fundo. A fala do mandatário, no entanto, tem incorreções em relação à lei de 2017 que criou o fundo eleitoral.

A norma de fato tem um mecanismo de correção pela inflação, mas que deve ser aplicado sobre à “somatória da compensação fiscal que as emissoras comerciais de rádio e televisão receberam pela divulgação da propaganda partidária efetuada no ano da publicação” da lei (2017).

De acordo com técnicos, se essa previsão fosse seguida à risca, o valor de 2022 rondaria R$ 800 milhões, portanto muito abaixo do que foi praticado nas últimas eleições.

“Neste caso [do fundão de R$ 5,7 bilhões], como houve uma extrapolação, extrapolou o valor –foi muito acima do que ocorreu por ocasião das eleições de 2018, extrapolou — então eu tenho a liberdade de vetar e vamos vetar. Agora, eu não quero problema com o Parlamento. Quantas mensagens eu mando para o Parlamento e eles deixam caducar?”, disse Bolsonaro na entrevista desta terça.

A verba de R$ 5,7 bilhões votada pelos congressistas na semana passada, destinada para o financiamento de campanhas, representa quase o triplo do que foi usado no pleito municipal de 2020 (R$ 2 bilhões) e nas eleições gerais de 2018 (R$ 1,7 bilhão). A previsão foi incluída na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), que baliza o governo na elaboração do Orçamento 2022.

Agora, o presidente tem sobre sua mesa a tarefa de decidir se corrobora o discurso público dele e de aliados e veta o fundo inflado ou se engaveta essa retórica e atende ao desejo da maioria dos congressistas.
Em entrevista na noite de segunda (19), ele afirmou que pretende vetar o dispositivo.

O fundo eleitoral inflado foi aprovado de forma acelerada pelo Congresso, em meio às discussões da LDO. O relatório do projeto da lei orçamentária foi apresentado na madrugada de quinta-feira (15), aprovado em comissão do Legislativo pela manhã e, depois, à tarde no plenário do Congresso.

Novo, PSOL, Cidadania e Podemos foram os partidos que se manifestaram contra o aumento do fundo eleitoral na Câmara. Mas isso não foi suficiente para barrar a ampliação bilionária dos gastos com campanha eleitoral.

A estratégia de parlamentares foi estabelecer, de imediato, um cálculo mínimo para o fundo. Isso impede que o governo envie, no fim de agosto, uma proposta de Orçamento de 2022 com patamar abaixo do defendido por caciques partidários.

O governo, durante as discussões na quinta, não tentou barrar a votação.
Aliados do ministro da Economia, Paulo Guedes, defendiam que o valor ficasse no patamar de anos anteriores, próximo de R$ 1,8 bilhão. A ampliação do fundo desagradou a área econômica, que já encontra dificuldade de atender à demanda de recursos financeiros por parte de diversos ministérios.

O texto aprovado pelo Congresso permite o veto apenas ao artigo que prevê um piso mínimo para o fundo. É possível, portanto, vetar esse trecho, e ainda garantir a existência do fundo em 2022, com valor a ser negociado politicamente.

Se o governo optar pelo veto, ainda existirá uma reserva de parte do Orçamento para bancar a campanha, Mas o valor seria definido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e somado a uma parcela das emendas de bancada (verba destinada por decisão do grupo de deputados e senadores de cada estado). O valor, então, não estaria previamente estabelecido.

O presidente passou por situação parecida na discussão do Orçamento de 2020.
À época, Bolsonaro chegou a indicar que vetaria o fundo de R$ 2 bilhões com verba pública para financiar as campanhas eleitorais. A sinalização foi feita após ele ter sido cobrado por eleitores nas redes sociais.

Mas pouco depois ele recuou. Disse que um eventual veto poderia levar a um processo de impeachment.
No final, Bolsonaro sancionou o texto sem vetos.

MP Eleitoral em Pernambuco atesta que urna eletrônica é segura e confiável

O Procurador Regional Eleitoral em Pernambuco e mais sete ex-ocupantes do cargo, desde 1995, lançaram, nesta quinta-feira (15), nota pública em defesa do atual sistema eletrônico de votação, apuração e totalização de votos.

Baseados no seu conhecimento técnico e experiência profissional como chefes do Ministério Público Eleitoral no estado, eles asseguram que a urna eletrônica é totalmente confiável e que jamais tiveram conhecimento de suspeita minimamente consistente de fraude no processo eleitoral.

Os autores da nota ressaltam que o processo eletrônico atual conta com mais de 30 mecanismos robustos de segurança e é completamente auditável, sendo monitorado por partidos políticos, pelos candidatos, pelo Ministério Público, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pela Polícia Federal.

Eles explicam que desde 1996, quando começaram a ser usadas a urna eletrônica e a apuração automatizada, desapareceram as notícias de fraudes na votação e na apuração, que eram comuns no período de votação em cédulas impressas e com apuração manual.

“Nenhuma pessoa, seja quem for ou seja qual cargo ocupe, pode pretender impedir o funcionamento normal da democracia brasileira, que é conquista de toda a sociedade. Não se pode, sem provas, lançar dúvida sobre a confiabilidade de um sistema que funciona de forma consistente e segura há 25 anos nem sobre os milhares de agentes públicos que velam, dia e noite, pelo funcionamento regular das eleições brasileiras”, declaram os autores do documento.

Dependente do centrão e sem apoio popular, Bolsonaro terá nova crise com decisão sobre fundão

Prensado entre o derretimento da popularidade e a dependência do centrão, Jair Bolsonaro terá escolha difícil entre vetar ou sancionar o projeto de LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) com previsão de R$ 5,7 bilhões para o fundão que foi aprovado pelo Congresso.

Em 2020, ele sancionou o valor de R$ 2 bilhões sob alegação de que poderia sofrer impeachment por crime de responsabilidade caso optasse pelo veto —o que foi refutado por especialistas. Dias depois, ele estimulou uma campanha “não vote em quem usa o fundão”.

O veto à ampliação dos recursos eleitorais irritaria o centrão, formado por parlamentares que são sua base de sustentação, garantem a aprovação de projetos e impedem o andamento dos mais de 100 processos de impeachment. Em 2022, muitos deles pretendem fazer uso desses valores em campanhas eleitorais.

A sanção geraria desgaste com os apoiadores, em número cada vez mais reduzido, como os levantamentos do Datafolha têm mostrado. Nas redes sociais, parlamentares bolsonaristas que votaram favoravelmente à tramitação do texto integral da LDO têm sido hostilizados pelos próprios seguidores.

“Houve uma época em que ele estava frágil no Parlamento, mas com muito apoio popular. Hoje, tem menos apoio popular do que em qualquer outro momento e está mais dependente do que nunca de sua base no Congresso. Ele vai ter que pesar”, diz Marcelo Ramos (PL-AM), vice-presidente da Câmara.

O deputado Major Vitor Hugo (GO), líder do PSL na Câmara, diz que os bolsonaristas torcem para que o presidente vete, mas ressalta que o chefe do Executivo tem “um espectro grande de componentes políticos a serem avaliados.”

Bohn Gass, líder do PT na Casa, afirma que seu partido quer “fundo público para não estar na mão dos empresários patrocinadores”. Para ele, o dilema de Bolsonaro mostra que ele “está na mão do centrão.”

Após falas golpistas, Bolsonaro agora se diz alvo de boicote de ‘gente importante’

Em meio à tensão entre os Poderes provocada por declarações golpistas de Jair Bolsonaro (sem partido), o presidente da República disse nesta segunda-feira (12) que é alvo de boicote de “gente importante”.

“Os problemas fazem parte. Sabia que ia ser difícil, mas esperava contar com mais gente importante do meu lado. Lamentavelmente, muita gente importante aí boicota”, disse Bolsonaro a apoiadores na porta do Palácio da Alvorada. A interação foi gravada e transmitida por um canal de internet simpático ao presidente.

O clima tenso entre os Poderes não foi superado durante o fim de semana, quando emissários do Palácio do Planalto fizeram chegar ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a irritação de Bolsonaro com as declarações do senador.

Pacheco disse na sexta-feira (9) que não aceitará retrocessos à democracia do país e que quem agir nessa direção será considerado inimigo da nação. Ele sinalizou a interlocutores que não pretende recuar da posição que tomou.

Também na sexta, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, disse que qualquer tentativa de impedir a realização de eleições em 2022 “configura crime de responsabilidade”.

No sábado (10), o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou em uma entrevista que não tem compromisso com intentos antidemocráticos e criticou manifestações políticas de comandantes militares.

A sequência de posicionamentos de autoridades veio na esteira de declarações de Bolsonaro, que afirma que as eleições podem simplesmente não ocorrer caso não exista um sistema confiável -segundo ele, o voto impresso.

A escalada golpista acontece em um contexto de pesquisas de opinião que apontam picos de rejeição e amplo favoritismo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022.

Bolsonaro subiu o tom de suas ameaças golpistas e, sem apresentar provas, insiste que haverá fraude no ano que vem e que o resultado já estaria definido. Ele também afirmou que há risco de não haver eleições no ano que vem no país.

Além de Bolsonaro, o ministro da Defesa, Braga Netto, e os comandantes das Forças Armadas ajudaram a elevar a temperatura ao divulgarem uma nota na qual repudiavam declarações feitas pelo presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), sobre os militares sob investigação e na mira da comissão.

Para completar o cenário de escalada de tensão, na sexta, o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, reafirmou os termos da nota em entrevista ao jornal O Globo e disse que as Forças Armadas têm “base legal” para agir, sem deixar claro qual seria a ação e contra quem.

A auxiliares o presidente admitiu sua irritação com as manifestações dos demais Poderes e, assim como Pacheco, também afirmou que não pretende baixar o tom, mas pontuou que vai se esforçar para não atacar instituições, direcionando seus rompantes a pessoas específicas.

No fim da tarde de domingo, o mandatário foi a uma rede social e mencionou “três ministros do Supremo”, sem mencionar nomes.

“A pergunta que fica: por que três ministros do Supremo rejeitam, com veemência, a possibilidade de termos eleições com auditoria nos votos?“, escreveu o presidente.

Pelo lado do Judiciário, Barroso relatou a pessoas próximas sua indignação com o que tem acontecido. Para o ministro, como ele tem sido atacado, não é dele que deve partir a bandeira branca.

Já o presidente do Supremo, ministro Luiz Fux, indicou que pretende buscar diálogo institucional com os demais Poderes.

Aos apoiadores, nesta segunda-feira, Bolsonaro voltou a criticar a cúpula da CPI da Covid, afirmou não querer brigar com ninguém, apesar de não ser “o Jairzinho Paz e Amor” e insistiu em jogar dúvidas sobre as eleições de 2022.

“Eu não quero brigar com ninguém. Nós todos queremos eleições limpas e transparentes. Se não for assim, não é eleição, isso é fraude“, afirmou o mandatário.

Agora, vamos fazer de tudo para que nós tenhamos eleições limpas e transparentes para o bem do Brasil, porque, se não for assim, é sinal de que já está escolhido quem vai nos comandar. E as pessoas que chegam na fraude não têm compromisso com vocês”, disse aos apoiadores.

O presidente aproveitou a interação com seus eleitores para atacar a pesquisa Datafolha divulgada ao longo dos últimos dias.

O instituto mostrou que Lula aparece na frente nos dois cenários apresentados para o eleitor e em todas as simulações de disputa de segundo turno -naquela em que enfrenta Bolsonaro, tem 58% contra 31%.

O Datafolha também mostrou que, além de a maioria dos entrevistados avaliar o presidente como desonesto, falso, incompetente, despreparado, indeciso, autoritário e pouco inteligente, sua reprovação atingiu novo recorde -1%.

“Acreditar em pesquisa Datafolha? Se bem que o Datafolha, eu acho que recebeu pouca grana desta vez. Diz que, no segundo turno, o Lula tem 60%. Então, tem que botar mais um dinheirinho no Datafolha para passar para 70, 80 [por cento]. Quem sabe, né, a gente confia no Datafolha e nem vai votar. Já está eleito mesmo“, disse Bolsonaro.

Maioria dos brasileiros diz que militar da ativa não deve ir a atos políticos nem ter cargo no governo, aponta Datafolha

Pesquisa do Instituto Datafolha publicada no final da noite deste domingo (11) pelo site do jornal “Folha de S.Paulo” aponta que a maioria dos brasileiros é contrária à participação de militares da ativa em atos políticos e tampouco em cargos no governo federal.

O instituto perguntou: militares da ativa devem ou não participar de atos políticos?

Sim: 34%
Não: 62%
Não sabem: 4%

O levantamento também perguntou: militares deveriam ou não ter cargos no governo?

Sim: 38% (eram 43% em maio de 2020 e 41% em maio deste ano)
Não: 58% (eram 52% em maio de 2020 e 54% em maio deste ano)
Não sabem: 4% (eram 5% em maio de 2020 e 5% em maio deste ano)

A pesquisa ouviu 2.074 pessoas com mais de 16 anos nos dias 7 e 8 de julho. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Oito partidos políticos divulgam nota em defesa da democracia e do sistema eleitoral brasileiro

Oito partidos políticos divulgaram uma nota neste sábado (10) em defesa da democracia e do sistema eleitoral brasileiro. A manifestação foi assinada pelos presidentes dos partidos Democratas, MDB, PSDB, Novo, PSL, PV, Solidariedade e Cidadania.

A nota foi divulgada após o presidente Jair Bolsonaro ter dito que o Brasil pode não ter eleições em 2022 se não houver voto impresso. Atualmente, tramita na Câmara dos Deputados uma proposta de emenda à Constituição que prevê o voto impresso.

“A Democracia é uma das mais importantes conquistas do povo brasileiro, uma conquista inegociável. Nenhuma forma de ameaça à Democracia pode ou deve ser tolerada. E não será”, diz a nota.

A manifestação diz ainda que os partidos têm “total confiança no sistema eleitoral brasileiro” e que as eleições “garantem a cada cidadão brasileiro o direito de escolher livremente seus representantes e gestores”.

“Temos total confiança no sistema eleitoral brasileiro, que é moderno, célere, seguro e auditável. São as eleições que garantem a cada cidadão brasileiro o direito de escolher livremente seus representantes e gestores. Sempre vamos defender de forma intransigente esse direito, materializado no voto. Quem se colocar contra esse direito de livre escolha do cidadão terá a nossa mais firme oposição”, afirma o documento.

Sem se referir nominalmente a Bolsonaro, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), também se manifestou sobre o tema em suas redes sociais neste sábado (10).

“Nossas instituições são fortalezas que não se abalarão com declarações públicas e OPORTUNISMO. Enfrentamos o pior desafio da história com milhares de mortes, milhões de desempregados e muito trabalho a ser feito”, disse o presidente da Câmara.

Lira afirmou ainda que os “membros dos poderes republicanos” devem ter “responsabilidade e serenidade para não causar mais dor e sofrimento aos brasileiros”.

“Tenhamos todos, como membros dos poderes republicanos, responsabilidade e serenidade para não causar mais dor e sofrimento aos brasileiros. Reitero o meu compromisso; a Câmara avançará nas reformas, continuará a ser o poder mais democrático e plural do país e não se deixará levar por uma disputa que aprofunda ainda mais a nossa crise”, afirmou.

O presidente da Câmara dos Deputados disse também que o eleitor deve ter “emprego e vacina” e que a urna é a “única juíza de qualquer disputa política”.

“Deixemos que o eleitor tenha emprego e vacina, que deixe o seu veredito em outubro de 2022 quando encontrará com a urna; essas sim, a grande e única juíza de qualquer disputa política. O nosso compromisso é e continuará sendo trabalhar pelo crescimento e a estabilidade do país”, afirmou.

Pela primeira vez, maioria defende abertura de impeachment de Bolsonaro, diz Datafolha

Um levantamento do Instituto Datafolha divulgado neste sábado (10) pelo jornal “Folha de S.Paulo” aponta que, pela primeira vez, a maioria dos brasileiros defende abertura de processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Veja os números:

54% são a favor do processo de impeachment na Câmara dos Deputados
42% são contrários à abertura do processo
4% não sabem

Foram ouvidos de forma presencial 2.074 brasileiros maiores de 16 anos, de todas as regiões, nos dias 7 e 8 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Na última pesquisa, feita em 11 e 12 de maio, os pró-impedimento eram 49%, mas estavam empatados tecnicamente com os contrários à iniciativa, que chegavam a 46%. Na ocasião, 4% não sabiam.

O Instituto Datafolha começou a questionar os entrevistados sobre o tema em abril de 2020. Pela primeira vez, o número de favoráveis ao processo ultrapassou os contrários.

Lira: Eleitor dará seu veredito em 2022

O presidente da Câmara, Arthur Lira, preparou uma nota oficial em meio ao clima de instabilidade e de choque entre Poderes que se instalou em Brasília nos últimos dias.

A CNN teve acesso à fala. Lira não aponta o dedo a nenhum agente específico. Mas faz questão de registrar que o eleitor irá às urnas em 2022. “Deixemos que o eleitor tenha emprego e vacina, que deixe o seu veredito em outubro de 2022 quando encontrará com a urna; essa sim, a grande e única juíza de qualquer disputa política”, diz Lira.

“Nossas instituições são fortalezas que não se abalarão com declarações públicas e oportunismo. Enfrentamos o pior desafio da história com milhares de mortes, milhões de desempregados e muito trabalho a ser feito.”

O presidente da Câmara tem externado a aliados preocupação com o momento político. Ele tem dito que a hora é crítica e que é preciso atuar para amenizar os embates.

À CNN, Lira disse que “não podemos atrapalhar o crescimento do Brasil”.

Na nota oficial, o presidente da Câmara reconhece o momento delicado. “Em uma hora tão dura como a que vivemos hoje, saibamos todos que o Brasil sempre será maior do que qualquer disputa política.”

“Tenhamos todos, como membros dos poderes republicanos, responsabilidade e serenidade para não causar mais dor e sofrimento aos brasileiros”, pede Lira.

“Reitero o meu compromisso; a Câmara avançará nas reformas, continuará a ser o poder mais democrático e plural do país e não se deixará levar por uma disputa que aprofunda ainda mais a nossa crise”, finaliza.

Veja a nota de Lira
Nossas instituições são fortalezas que não se abalarão com declarações públicas e OPORTUNISMO. Enfrentamos o pior desafio da história com milhares de mortes, milhões de desempregados e muito trabalho a ser feito.

Em uma hora tão dura como a que vivemos hoje, saibamos todos que o Brasil sempre será maior do que qualquer disputa política.

Tenhamos todos, como membros dos poderes republicanos, responsabilidade e serenidade para não causar mais dor e sofrimento aos brasileiros.

Reitero o meu compromisso; a Câmara avançará nas reformas, continuará a ser o poder mais democrático e plural do país e não se deixará levar por uma disputa que aprofunda ainda mais a nossa crise.

A Câmara será sempre a voz de um povo livre e democrata e sempre estará pronta para ajudar o Brasil a continuar a crescer e se encontrar com seu destino de país desenvolvido e socialmente justo.

Deixemos que o eleitor tenha emprego e vacina, que deixe o seu veredito em outubro de 2022 quando encontrará com a urna; essa sim, a grande e única juíza de qualquer disputa política.

O nosso compromisso é e continuará sendo trabalhar pelo crescimento e a estabilidade do país.

56% reprovam gestão Bolsonaro na pandemia e 46% consideram o presidente o culpado pela crise sanitária, aponta Datafolha

Uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta sexta-feira (9) pelo site do jornal “Folha de S.Paulo” revela que 56% dos entrevistados avaliam como ruim ou péssimo o desempenho do presidente Jair Bolsonaro na gestão da crise provocada pelo novo coronavírus. Na pesquisa anterior, eram 51%.

Veja o resultado da avaliação da gestão do presidente frente à pandemia:

Ruim/péssimo: 56%
Regular: 21%
Bom/ótimo: 22%
Não sabe: 1%

Culpado da crise sanitária
O levantamento também quis saber quem é o principal culpado pela situação atual da crise sanitária. Bolsonaro é apontado como o responsável por 46% dos entrevistados (contra 39% da pesquisa anterior).

Veja o resultado para essa questão de quem é o culpado pela crise sanitária:

Presidente: 46%
Governadores: 18%
Prefeitos: 10%
Todos: 7%
Nenhum: 9%
Outros: 4%
Não sabe: 6%

Avaliação do Ministério da Saúde
Já a avaliação do Ministério da Saúde se manteve estável em relação ao último levantamento, com variações dentro da margem de erro. O percentual de ruim/péssimo foi de 32% para 31%.

Veja o resultado da avaliação do Ministério da Saúde:

Ruim/péssimo: 31%
Regular: 34%
Bom/ótimo: 34%
Não sabe: 1%

Atuar para impedir eleição configura crime de responsabilidade, diz Barroso

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, divulgou uma nota nesta sexta-feira (9) na qual afirmou que atuar para impedir as eleições viola a Constituição e configura crime de responsabilidade.

Barroso divulgou a nota após o presidente Jair Bolsonaro ter dito que o Brasil pode não ter eleições em 2022 se não houver voto impresso. Conforme o presidente do TSE, as declarações de Bolsonaro são “lamentáveis”, e o sistema de urna eletrônica é íntegro e assegurou a alternância de poder.

O voto impresso já foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, tramita na Câmara dos Deputados uma proposta de emenda à Constituição, defendida por Bolsonaro, que prevê a impressão.

“Não tenho medo de eleições. Entrego a faixa para quem ganhar no voto auditável e confiável. Dessa forma, corremos o risco de não termos eleições ano que vem. É o futuro de vocês que está em jogo”, declarou Bolsonaro a apoiadores na manhã desta sexta.

Em resposta, Luís Roberto Barroso afirmou:

“A realização de eleições, na data prevista na Constituição, é pressuposto do regime democrático. Qualquer atuação no sentido de impedir a sua ocorrência viola princípios constitucionais e configura crime de responsabilidade.”
A TV Globo apurou que ministros do STF e do TSE discutiram as declarações de Bolsonaro e avaliaram que era preciso uma resposta institucional, uma vez que, segundo essa avaliação, as declarações representaram uma ameaça à estabilidade democrática do país.

‘Caguei para a CPI, não vou responder nada’, diz Bolsonaro sobre carta de senadores

Usando palavra de baixo calão, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou na noite desta quinta-feira (8) que não vai responder a uma carta do presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-MA), do vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e do relator Renan Calheiros (MDB-AL) provocando o mandatário a se manifestar sobre o depoimento do deputado Luis Miranda (DEM-DF) a respeito do caso Covaxin.

“Sabe qual a minha resposta? Caguei! Caguei para a CPI, não vou responder nada!”, afirmou Bolsonaro em sua live semanal. O presidente voltou a atacar senadores independentes e de oposição e referiu-se aos três da cúpula da CPI como “imbecil”, “hipócrita” e “analfabeto”.

Não vou responder nada para estes caras, não vou responder nada para este tipo de gente”, disse Bolsonaro.
“Tomamos essa iniciativa de maneira formal, tendo em vista que no dia de hoje, após 13 dias, Vossa Excelência não emitiu qualquer manifestação afastando, de forma categórica, pontual e esclarecedora, as graves afirmações atribuídas à Vossa Excelência, que recaem sobre o líder de seu governo”, afirmam os senadores na carta protocolada no fim da tarde na Presidência da República.

À CPI, Luis Miranda declarou que alertou Bolsonaro, em março, sobre o caso Covaxin. Segundo sua versão, o presidente associou o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), às supostas irregularidades. Barros nega ter participado da negociação para a compra da Covaxin.

Os parlamentares da CPI da Covid pedem que Bolsonaro confirme ou desminta a afirmação do deputado.
A Procuradoria da República no Distrito Federal identificou um descumprimento do contrato assinado entre a Precisa Medicamentos e o Ministério da Saúde, com quebra de cláusulas sobre o prazo de entrega da vacina Covaxin. O Ministério Público Federal investiga a suspeita de favorecimento à Precisa.

Em depoimento mantido em sigilo pelo MPF, Luis Ricardo Fernandes Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde e irmão do deputado Luis Miranda, afirmou ter sofrido pressão de forma atípica para tentar garantir a importação da Covaxin, cujo contrato com a Precisa tinha prazos para fornecimento de doses já estourados naquele momento.

A Procuradoria aponta cláusulas benevolentes no contrato assinado entre a Precisa e o ministério; quebra contratual, com o desrespeito dos prazos acertados; e suspeita de favorecimento à empresa, que faz a intermediação da vacina a mais cara -US$ 15 (R$ 80,70) por dose- dentre as adquiridas pela pasta.

Como revelou o jornal Folha de S.Paulo, o Ministério Público Federal enxergou indícios de crime e desmembrou a investigação. A parte relacionada à aquisição da vacina Covaxin foi enviada no último dia 16 para um ofício da Procuradoria que cuida de combate à corrupção.

No despacho que desmembrou o procedimento, a procuradora Luciana Loureiro citou a “temeridade do risco” assumido pelo Ministério da Saúde com a contratação relacionada à Covaxin, “a não ser para atender a interesses divorciados do interesse público”.

Desaprovação a Bolsonaro bate recorde e chega a 63%, diz pesquisa CNT/MDA

Um levantamento do Instituto MDA Pesquisa, encomendado pela Confederação Nacional de Transportes (CNT) e divulgado nesta segunda-feira (5), aponta uma desaprovação recorde ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), desde que ele chegou ao Palácio do Planalto, em janeiro de 2019.

Segundo a pesquisa, a desaprovação chegou a 63% dos entrevistados, contra aprovação de 34%. O maior índice até então em uma pesquisa MDA/CNT havia sido registrado em maio de 2020, com desaprovação de 55%.

Em relação à última pesquisa, houve crescimento de 12% na desaprovação a Bolsonaro. Em fevereiro de 2021, o presidente era desaprovado por 51% dos entrevistados.

Já o melhor momento de Bolsonaro foi em fevereiro de 2019, pouco depois de tomar posse como presidente. A aprovação era de 57%, com desaprovação de 28%.

A pesquisa foi realizada entre as últimas quinta-feira (1) e sábado (3). A coleta das respostas, de 2002 pessoas, foi presencial.

Leite rebate Bolsonaro e o chama de imbecil após ataque homofóbico, mas defende voto de 2018 contra o PT

Na tarde desta sexta-feira (2), dia em que ocupou boa parte das manchetes no país e dominou os assuntos nas redes sociais, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), aguardava no aeroporto de Florianópolis um voo para Curitiba enquanto falava com a Folha por telefone.

Uma resposta do governador foi interrompida por uma pessoa que o abordou pedindo uma foto. “Prazer te conhecer. Que massa a tua entrevista, cara”, disse. A menção era à entrevista para a TV Globo na qual o governador gaúcho falou pela primeira vez abertamente que é gay, algo que ele diz nunca ter escondido.

No dia seguinte à transmissão, o WhatsApp de Leite ficou abarrotado de mensagens —550 não lidas, segundo ele. O tucano diz que esperava uma oportunidade que se mostrasse adequada para falar de sua orientação sexual. Com ataques homofóbicos crescendo à medida que vai se tornando um nome nacional, sentiu que o momento era esse.

O presidente Jair Bolsonaro reagiu à declaração de Leite nesta sexta e afirmou que o gaúcho estava usando a questão como “cartão de visita” para uma candidatura presidencial e que “ninguém tem nada contra a vida particular de ninguém, agora, querer impor seu costume, seu comportamento para os outros, não”.

À Folha Leite diz que o presidente é um imbecil. Ele falou ainda sobre ser um homem gay na política, ataques homofóbicos que já sofreu e 2022.

Como foi acordar com a repercussão da sua fala?
Especialmente emocionado com o tanto de relatos que tenho recebido de pessoas, manifestando carinho, me cumprimentando, mas além de todas as manifestações de carinho de pessoas que gostam de mim, de adversários que me respeitam e que manifestaram também o seu apreço pelo gesto que fiz, mas especialmente me tocou e me tocam as inúmeras mensagens de pessoas, por exemplo, uma delas com mais de 50 anos, que é homossexual, me disse como a vida dela teria sido mais fácil se quando ela tivesse 18 anos um governador tivesse feito isso.

Aí você projeta o quanto isso pode estar tocando na vida de outras pessoas que aproveitam essa oportunidade para resolver os seus conflitos, suas próprias questões e se sentirem seguras para conversar com suas famílias, seus amigos. Outra pessoa me relatou ter se reconciliado com um irmão, com quem não conversava mais por conta da sexualidade.

Estou na política pelo que eu entendo que posso fazer para tocar a vida das outras pessoas. A minha orientação sexual toca na minha vida, mas na medida em que sou governador e alcancei alguma visibilidade, declarar a minha orientação toca também na vida das pessoas. Isso me emociona, me sensibiliza.

Estou feliz, independentemente dos resultados que isso proporcionará do ponto de vista eleitoral, positivos ou negativos, me sinto realizado por ter de alguma forma colaborado para liderar em uma direção que eu entendo que é a correta, que é da igualdade, do respeito.

O senhor falou que nunca escondeu quem é, sua orientação, mas era um assunto que o senhor não tratava. O que o levou a falar agora?
Em um primeiro momento, teve a minha própria aceitação comigo mesmo. Eu me aceitei gay quando tinha 25 anos de idade. Fui criado nessa sociedade que me fez acreditar que isso é errado. Eu, como qualquer outro ser humano nessa condição, também tive os meus questionamentos até me aceitar.

Eu já estava na política, já era vereador em Pelotas. Isso foi sendo deixado para não falar, não tratar desse tema. Eu nunca tive medo que me trouxessem essa questão. Até aconteceu, quando eu era vereador e estava para me lançar candidato a prefeito, um assessor me falou que na Câmara diziam que eu, em algum momento, desistiria, porque era gay e teria uma foto minha beijando outro homem. Falaram isso ao meu assessor, para tentar me intimidar.

Eu falei: primeiro lugar, essa foto não existe; se existir, não é um problema. Tive momentos, receber em dias de debates mensagens de números desconhecidos dizendo que iriam publicar foto minha com alguém, alguma foto comprometedora, tentando me gerar apreensão. Nunca atingiram o objetivo deles fazendo isso, porque era uma não questão.

Agora virou um tema, no Brasil de hoje, mas mais do que o tema da sexualidade eu quis trazer o tema da integridade. O Brasil carece de integridade —ser íntegro é ser por inteiro. No momento em que eu vou dando passos em direção a um projeto nacional, se intensificam ataques homofóbicos, com insinuações que eu teria algo a esconder.

Quero deixar claro que eu não tenho nada a esconder. Tantos outros políticos que escondem coisas erradas, mensalão, petrolão, “rachadinha”, superfaturamento de vacina. Ao me apresentar nessa inteireza, fico feliz de inspirar outras pessoas para que não cortem mais um pedaço de si, por conta de bullying pela orientação sexual.

Durante as eleições de 2018 o senhor foi alvo de ataques devido a sua sexualidade, com piadas e fotos de família tiradas de contexto. O senhor falou de outras campanhas com ataques. Como lida com isso
Lamento profundamente esses ataques. Nunca me desestabilizaram porque, desde o momento em que eu me aceitei gay, nunca achei que fosse uma coisa errada, nunca me recriminei ou entendi que deveria me envergonhar.

Não tratei publicamente do tema porque não queria ser sintetizado, resumido como o candidato gay. Acho que uma grande colaboração que eu possa dar à causa da igualdade, da diversidade, é justamente por estar aqui, sendo reconhecido pelo que fiz até hoje na vida pública e ser gay. Espero que no futuro um candidato possa, desde o início, ser gay, e chegar onde eu cheguei. Que bom que a gente possa abrir caminhos, que não seja um obstáculo isso.

Como sua família e seu namorado reagiram à decisão de falar sobre essa questão abertamente?
Com absoluta tranquilidade. Tenho esse privilégio de ter ao meu lado pessoas que têm a mente e o coração abertos, então não foi nenhum problema. Sei que sou privilegiado, tantas pessoas sofrem agressões físicas pela sua orientação sexual, gays negros da periferia sofrem vários estigmas e agressões que não é nada comparável a qualquer sofrimento que eu tenho tido.

Sendo cotado como presidenciável, houve quem cogitasse sua fala como jogada para acenar à esquerda, a um eleitorado mais progressista. O senhor pretende ser um político que irá carregar essa bandeira?
Sempre defendi a causa LGBT, nunca precisei falar da minha sexualidade para defender. Quando era vereador em Pelotas, os organizadores da Parada LGBT queriam apoio público para fazer um seminário e eu fui o único que os recebeu, dei ajuda e fui à parada, sem tratar da minha orientação. Não é por minha causa própria, simplesmente acreditar que a diversidade nos torna como sociedade mais ricos. Vou continuar nessa mesma linha, defendendo como sempre defendi.

Outro questionamento foi o fato de o senhor, um homem gay, ter apoiado a candidatura de Jair Bolsonaro no segundo turno de 2018. O presidente tem um histórico de declarações homofóbicas desde os tempos de deputado. O senhor se arrepende desse apoio? Houve uma contradição?
Eu não declarei apoio. Apoio é pedir votos, é fazer campanha junto, isso eu não fiz. Eu declarei o voto, com uma crítica contundente, num vídeo que está na internet.

Saiu no programa eleitoral a minha crítica, que eu não me sentia representado naquele clima de ódio, que eu daria o voto na expectativa de que pudesse ser diferente do que o histórico dele apresentava, porque do outro lado estava o partido que tinha levado o Brasil a 14 milhões de desempregados, uma recessão econômica profunda e uma crise moral e ética gravíssima, com casos de corrupção comprovados e muito fortes.

Claro que a eleição do Bolsonaro foi um erro. Um erro que cometemos eu e milhões de brasileiros, mas que se deu em função de no outro lado haver um partido que errou na corrupção, errou na condução da economia. Estávamos diante de uma situação de escolher entre dois caminhos. Erramos. Mas não é sobre discutir erros do passado, é sobre construir caminhos para o futuro. Esse é o ponto objetivo para o Brasil.

Bolsonaro também comentou sua entrevista. O que o senhor tem a dizer sobre essa declaração?
O presidente é um imbecil. Onde está a tentativa de imposição de qualquer coisa para qualquer pessoa? Uma declaração sobre a minha orientação sexual. Não resta outra coisa a dizer senão que o presidente é um imbecil.

Hoje o senhor é um crítico ao governo dele, tendo assinado cartas de governadores na pandemia e levando ao STF os questionamentos que ele levantou sobre os gastos do seu governo. Em que momento sua posição mudou?
A eleição do segundo turno é uma eleição de rejeição, você escolhe o que você não quer. A candidatura do Bolsonaro não tinha nenhuma expectativa que pudesse significar alguma coisa positiva, como eu esperava que fosse um governo, mas diante da outra alternativa, o PT voltar ao poder, parecia naquele instante algo muito ruim.

Restou, no momento em que Bolsonaro foi eleito, pelo bem do país, trabalhar para que desse certo. No início, apresentou medidas, retomando a reforma da Previdência, uma expectativa de modernização da economia conduzida pelo ministro Paulo Guedes, gerava expectativa de que pudesse ter algum elemento que gerasse crescimento econômico e emprego.

Ninguém tinha no script uma pandemia, como essa, que colocou nas mãos dos governantes tanta responsabilidade para salvar vidas. A liderança do presidente, não só ele se omitiu, como ele foi líder na direção contrária. Sua atuação na pandemia foi momento de revelação de caráter de crueldade do presidente, pelo seu absoluto desprezo pelas vidas humanas.

Senadores governistas na CPI da Covid defendem que os governadores deveriam ser chamados para prestar contas. O que o senhor acha?
Não há possibilidade de convocação por respeito ao pacto federativo e à estrutura constitucional que a gente tem. Mas já deixei nas mãos do relator da comissão um relatório com toda a especificação de onde os recursos foram empregados. O Rio Grande do Sul tem a terceira menor taxa de excesso de óbitos entre os estados brasileiros. Estou absolutamente tranquilo com relação a forma como gerenciei a pandemia.

Como o senhor vê as denúncias levantadas nas últimas semanas na CPI, sobre a Covaxin e tentativa de cobrança de propina?
Graves, merecem rigorosa apuração, devem ser analisadas com profundidade para que, se forem comprovadas, seja dada a devida consequência aos envolvidos.

Qual a sua posição sobre o superpedido de impeachment de Bolsonaro apresentado nesta semana, assinado por partidos de oposição, mas também nomes da direita?
É um movimento legítimo diante das circunstâncias e que deve receber a análise, de acordo com a Constituição, do presidente da Câmara dos Deputados, à luz dos fatos que estão sendo apurados.

Mas qual a sua posição sobre o impeachment hoje?
O impeachment não pode ser banalizado, mas a Presidência da República também não pode ser banalizada. Tem fatos graves, merece a investigação e, eventualmente, se revelar inevitável, ser conduzido o processo de impeachment. Eu guardo cautela a respeito das minhas manifestações, porque sou governador para todos os gaúchos, a favor e contra, e estou dentro de uma relação institucional de governo.

O senhor disse que é um pré-candidato a pré-candidato. O que o instigou a pensar na Presidência, ao invés de tentar uma reeleição no Rio Grande do Sul?
A manifestação de deputados do meu partido. Não foi um movimento que eu tenha feito. Fui provocado por parlamentares do PSDB para que me apresentasse nas prévias e me sinto em condições de dar colaboração a partir da nossa experiência na gestão do Rio Grande do Sul, enfrentando dificuldades, mas equilibrando as contas do estado, abrindo espaço para investimentos.

Tradicionalmente, os presidenciáveis do PSDB são de Minas Gerais ou São Paulo. Há espaço para um tucano gaúcho?
Eu acredito nisso, por isso estou me lançando neste processo. Me sinto acolhido, estou no PSDB há 20 anos.

Qual a posição do PSDB hoje no espectro político? Qual deve ser a cara do partido nas eleições de 2022?
Uma agenda que reconhece a necessidade de modernização do Estado, de enfrentamento dos problemas crônicos da máquina pública, que podem ajudar a destravar o crescimento econômico, para uma taxa de crescimento de longo prazo mais forte e sustentável. De outro lado, uma agenda social, de inclusão, que combate à desigualdade.

As pesquisas indicam Lula e Bolsonaro à frente. Qual o espaço para a terceira via?
As pesquisas indicam também elevadíssimo nível de rejeição aos dois nomes. Então, a pesquisa, neste momento, tem que ser lida nas suas diversas informações, uma vez que não há candidaturas postas.

Mas para um candidato da terceira via ser viável, o que precisa?
Se conectar com o sentimento do eleitor. O eleitor sabe o que ele não quer, ele demonstra a partir do nível de rejeição que a gente vê nos dois candidatos que ele não quer mais do mesmo. Então, tem que poder representar o encerramento desse capitulo de divisão dos brasileiros. O Brasil não precisa ficar discutindo o que fomos e o que fomos, mas o que podemos ser e recuperar a esperança no futuro do país.

Em um cenário de segundo turno, entre os dois, quem o senhor rejeitaria, já que segundo turno é rejeição?
Nós trabalharemos para que esse segundo turno não aconteça, até o último momento. Se acontecer, discutiremos lá na frente, mas confio que não acontecerá.

Bolsonaro deve ir ao Rio Grande do Sul na próxima semana. Deve encontrá-lo?
Absolutamente nada previsto nesse sentido.

Há a previsão de uma motociata em Porto Alegre. Qual sua posição sobre um evento desses em momento de pandemia?
Acho que são movimentos legítimos para manifestação de apoio, mas questiono apoio a quê.

O senhor pretende acioná-lo, caso não sejam respeitados protocolos sanitários, como uso de máscaras?
Se for o caso, serão acionados por responsabilidade em função dos protocolos. Estão submetidos às mesmas regras que qualquer cidadão.

Bolsonaro volta a criticar Coronavac e erra ao dizer que o imunizante não deu certo

O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar na noite desta quinta-feira (1º) a Coronavac –imunizante produzido pelo instituto Butantan com uma farmacêutica chinesa– e errou ao dizer que a vacina “não deu certo”.

Ao ler uma notícia sobre casos de infecção da variante Delta entre populações vacinadas, Bolsonaro afirmou: “Abre logo o jogo que tem uma vacina aí que infelizmente não deu certo. Abre logo o jogo. Eu estou aguardando aquele cara de São Paulo falar”, em referência ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu adversário político e padrinho político da Coronavac.

Não deu certo essa vacina dele infelizmente no Chile. Aqui no Brasil também parece que está complicado. Torcemos para que essas notícias não estejam certas, parece que infelizmente não deu muito certo”, disse o presidente, em sua live semanal transmitida em redes sociais.

Escolhida para abrigar estudo idealizado pelo Instituto Butantan sobre os efeitos da imunização em massa com a Coronavac, a cidade de Serrana (SP) viu as mortes em decorrência da Covid-19 e os novos casos da doença despencarem.

E mencionado por Bolsonaro, o Chile é líder em vacinação contra a Covid-19 na América Latina e avalia implementar a aplicação de uma terceira dose de imunizante para reduzir os números de contágios, mortes e internações, mas a maioria dos internados não foi vacinada.

Para a infectologista chilena María Luz Endeiza, o uso de uma terceira dose pode ser necessário, mas ainda há tempo para que o impacto da vacinação seja sentido. “Algumas mudanças já ocorreram. Hoje 85% dos internados em UTI são não vacinados e também são mais jovens, o que significa que as vacinas têm tido como resultado, por ora, em reduzir morte entre os mais idosos. Agora, é preciso avançar de acordo com a mudança da situação e da chegada das novas variantes.”

Para a chefe do departamento de epidemiologia da Universidad de los Andes de Santiago, é preciso reforçar as medidas de restrição. “As pessoas estão perdendo o respeito às medidas e não ficam em casa”, afirma.

Não é a primeira vez que Bolsonaro ataca a Coronavac. No ano passado, disse que não acreditava que a vacina transmitia credibilidade “pela sua origem” e usou como justificativa que “esse vírus [Covid-19] teria nascido” na China. Antes, ao determinar a suspensão de um contrato de compra de 46 milhões de doses da Coronavac pelo Ministério da Saúde, Bolsonaro se referiu ao desenvolvimento da imunização como “a vacina chinesa de João Doria”.

O imunizante atualmente corresponde a 45% das doses aplicadas no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Foi o responsável pelo início da campanha de vacinação em janeiro e tinha fatia maior, já que as doses dos demais laboratórios começaram a chegar em quantidade significativa apenas posteriormente.

A Coronavac tem taxa de eficácia geral de 50,38%. O índice da AstraZeneca é de 70% e o da Pfizer/BioNTech, 95%, mas, segundo especialistas, as taxas de eficácia, divulgadas pelas desenvolvedoras das vacinas, não podem ser comparadas diretamente porque cada estudo tem sua metodologia própria e, principalmente, um período de desenvolvimento do ensaio clínico distinto. E uma mesma vacina pode obter dados diferentes se forem feitos estudos com metodologias distintas.